Um vestido bordado à mão, carregado de histórias e identidade brasileira, ganha destaque no tapete vermelho de Cannes. A peça será usada pela modelo e empresária Thayná Soares neste sábado, dia 23, e reúne o trabalho de 17 bordadeiras de Paraty, no Rio de Janeiro, em um projeto que une moda, impacto social e valorização cultural.
Inspirado em pássaros da Mata Atlântica, o bordado foi desenvolvido com a técnica de pintura de agulha ao longo de 21 dias de trabalho intenso. A criação faz parte do projeto social da marca Thayná Caiçara, que busca gerar renda e fortalecer a autonomia de mulheres artesãs.
Histórias costuradas ponto a ponto
Entre as responsáveis pela peça está Seidimar Ramos, de 57 anos, autora do bordado Tiê Sangue presente na barra do vestido. Para ela, o trabalho vai além da estética: representa reconhecimento e oportunidade.
“Acredito que se não estivéssemos aqui, com esse trabalho, estaríamos mais invisíveis. Estou muito feliz de estar junto nesse sonho.”
As bordadeiras, com idades entre 20 e 70 anos, enfrentam rotinas desafiadoras para participar do projeto. Algumas chegam de barco ou ônibus até a Casa da Cultura de Paraty, enquanto outras percorrem o trajeto a pé, conciliando o artesanato com outras atividades, como o trabalho na beira-mar.
Arte coletiva e identidade cultural
Das 20 integrantes da segunda turma, 15 foram responsáveis pelos pássaros bordados. Uma bordadeira desenvolveu o cinto e contribuiu com elementos como galhos, folhas e frutos da aroeira. A professora Fernanda Queiroz também participou da produção, destacando o cuidado coletivo em cada detalhe.
O resultado é uma peça que traduz a diversidade cultural do grupo e a riqueza da fauna brasileira, reforçando o caráter autoral de cada bordado.
Moda com propósito social
Para Thayná Soares, o projeto vai além da criação de peças exclusivas. A proposta é valorizar o artesanato local e promover transformação social.
“O bordado é minha terapia e as bordadeiras são amigas, professoras, pessoas da minha família.”
Assistente social por formação, Thayná destaca que o diferencial da marca está na prioridade dada às pessoas envolvidas no processo. O foco é garantir pagamento justo e incentivar a independência das artesãs, para que o bordado se torne uma fonte principal de renda.
Do Brasil para o mundo
A presença em Cannes reforça a projeção internacional do artesanato brasileiro, que já passou por cidades como Nova York e Paris. Segundo Thayná, na Europa esse tipo de bordado é reconhecido como luxo, o que amplia seu valor simbólico e cultural.
Após o tapete vermelho, o vestido seguirá para exposições de moda, ampliando ainda mais a visibilidade do trabalho das bordadeiras e consolidando o projeto como uma ponte entre tradição e mercado global.
Foto: Divulgação
