Convenção de Duplicatas Escriturais exige registro eletrônico a partir de 2026 e deve ampliar crédito estruturado com mais rastreabilidade e segurança.
O mercado de duplicatas no Brasil movimenta cerca de R$ 10 trilhões por ano, mas ainda opera com baixa rastreabilidade, segundo dados divulgados. Apenas 10% desses títulos é negociado em estruturas formais de financiamento. Dessa forma, o setor entra em uma fase de padronização que promete mudar o acesso ao crédito.
Em paralelo, o crédito estruturado ganhou escala com os FIDCs, que se aproximam de R$ 800 bilhões em patrimônio líquido. Esse crescimento amplia a capacidade do mercado de capitais de transformar recebíveis pulverizados em liquidez. Além disso, reforça por que a duplicata escritural passou a ser tratada como infraestrutura de financiamento.
O que muda com a duplicata escritural
No fim de 2024, o Banco Central aprovou a Convenção de Duplicatas Escriturais. A norma estabelece regras para que a emissão passe a exigir registro eletrônico em entidade autorizada. Assim, operações como antecipação, cessão e uso como lastro passam a depender da escrituração e do registro do título.
A B3 descreve um calendário de adaptação que começa em 2026 e avança por faixas de faturamento. A primeira leva deve concentrar companhias com faturamento anual acima de R$ 300 milhões. Dessa maneira, o processo cria trilha de dados, reduz brechas e eleva a segurança do mercado.
Efeito no crédito e na precificação de risco
Com duplicatas registradas, financiadores passam a enxergar melhor o risco e a precificação tende a ganhar mais precisão. Por outro lado, a mudança também aumenta exigências operacionais para emissores e participantes. Ainda assim, o objetivo é reorganizar o custo do dinheiro com mais transparência.
“A duplicata sempre foi um instrumento cotidiano das empresas, mas o Brasil operava com um mercado grande e pouco padronizado; a escrituralização muda esse patamar porque traz rastreabilidade e validação, e isso se traduz em eficiência de crédito”, afirma Gabriel Padula, CEO do Grupo Everblue.
“Quando você combina registro, dados e monitoramento, o recebível deixa de ser uma promessa difusa e vira um ativo com controle; isso atrai mais liquidez e amplia o leque de financiadores além do banco tradicional”, diz Padula.
Transição por etapas e efeitos esperados
A tendência, segundo o material, é uma transição em ondas. Primeiro, grandes companhias adequam registros e fluxos operacionais. Em seguida, médias e pequenas entram de forma gradual, conforme prazos por porte previstos nas regras do Banco Central sobre duplicata eletrônica.
Com a infraestrutura amadurecendo, o setor projeta três efeitos encadeados. A concorrência tende a aumentar entre bancos, FIDCs, fintechs e plataformas. Além disso, deve haver menos espaço para fraude e contestação tardia, com maior padronização de processos e possível integração com meios de pagamento.
Se o calendário se cumprir, parte relevante dos R$ 10 trilhões tende a migrar para estruturas registradas e monitoradas. Assim, os recebíveis podem ganhar mais liquidez e previsibilidade. Por fim, o mercado se aproxima de um modelo mais transparente e escalável.
Sobre o Grupo Everblue
O Grupo EverBlue se apresenta como ecossistema de soluções de crédito corporativas. A empresa afirma ter realizado mais de 7 mil operações e concedido mais de R$ 3 bilhões em crédito. Além disso, diz atuar com soluções como capital de giro, antecipação de recebíveis, financiamento à cadeia de fornecedores, operações estruturadas e fundos exclusivos.
Segundo o texto, o grupo também mantém uma plataforma financeira integrada para centralizar gestão de caixa, pagamentos, pix, cartões corporativos, crédito, cobrança, câmbio e conciliação bancária. Dessa forma, busca atender demandas fora do acesso tradicional a serviços bancários. Mais informações estão disponíveis no site institucional da empresa.

