Solo sobre heteronormatividade e violência simbólica estreia 6 de março, dirigido por João Fonseca, após ataque homofóbico sofrido pelo ator.
Monólogo íntimo e político
Bernardo Dugin assina idealização, dramaturgia e performance de “Hétero Sigilo”, que estreia em 6 de março no Teatro Laura Alvim. Sob direção de João Fonseca, o solo reflete sobre silêncio imposto, performance social e custo psicológico da heteronormatividade.
A peça nasce de um ataque homofóbico sofrido por Dugin e seu namorado em 2023, durante missa de sétimo dia em Nova Friburgo. O caso ganhou repercussão nacional, com o padre réu por racismo qualificado e indenização por danos morais coletivos pedida pelo MP-RJ.
Do sigilo à coragem
Dugin constrói relato sobre anos vivendo sob máscara hétero que criou para sobreviver. Além disso, expõe como a sociedade exige disfarce e aponta caminhos de pertencimento autêntico.
“A violência não começa no soco; começa no silêncio que a sociedade nos obriga a manter”, afirma o ator. Dessa forma, o espetáculo une intimidade pessoal a crítica contundente sobre normas opressivas.
Projeto transmídia de impacto
Antes do palco, “Hétero Sigilo” foi instalação na Parada LGBTQIAPN+ com “Caixa do Sigilo” para relatos anônimos. O perfil @hetero.sigilo24 nas redes alcançou quase 5 milhões de visualizações, satirizando vivências sob lógica do disfarce.
A direção musical e trilha original são de Federico Puppi. Já João Fonseca, de sucessos como “Cazuza” e “Minha Mãe é uma Peça”, destaca a peça como íntima e profundamente política.
Trajetórias dos criadores
Bernardo Dugin dirige o Grupo TACA e atuou em musicais, TV Globo e Record. João Fonseca acumula mais de 80 espetáculos, com prêmios Shell, Bibi Ferreira e Cesgranrio por direções marcantes.
O elenco técnico inclui Nello Marrese (cenário e figurino), Vanessa Garcia (movimento) e Daniela Sanchez (iluminação). A produção é da O Delirante Produções.
Sessões e serviço
Sextas e sábados às 20h, domingos às 19h, no Teatro Laura Alvim. Em sua estreia como dramaturgo, Dugin convida para reflexão necessária sobre identidade e resistência.






