Aos 22 anos, Gabriela Torrezan construiu uma trajetória que traduz mudança de perspectiva e propósito. Ex-diarista, a jovem hoje comanda duas unidades da franquia Mary Help, em Jacareí e Campinas, no interior de São Paulo, levando para o empreendedorismo a experiência vivida na linha de frente do trabalho doméstico.
Mais do que uma história de ascensão profissional, sua jornada nasce de uma inquietação recorrente: por que uma atividade essencial ainda é tão pouco valorizada? Foi essa pergunta que impulsionou a decisão de empreender.
Da prática à liderança
Antes de assumir a gestão de duas franquias, Gabriela conheceu de perto a rotina de milhares de diaristas brasileiras. Carregando baldes, panos e produtos de limpeza, ela vivenciou os desafios da profissão e passou a enxergar o impacto desse trabalho na vida das famílias.
“Eu sempre me perguntava por que não poderia ir além e construir algo maior. Foi daí que nasceu o sonho de ter uma empresa que valorizasse as diaristas”, afirma.
Assim, a experiência prática se transformou em base para um modelo de gestão focado em respeito e reconhecimento.
Um cenário que reflete o país
A trajetória da jovem dialoga com uma realidade nacional. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, o Brasil conta com cerca de 5,9 milhões de trabalhadores domésticos, sendo mais de 90% mulheres.
No entanto, mesmo com papel fundamental na rotina de milhões de famílias, essas profissionais ainda enfrentam baixos rendimentos e altos índices de informalidade. Dessa forma, iniciativas que buscam valorização ganham relevância no contexto social e econômico.
Escolha pelo modelo de franquia
Antes de investir, Gabriela avaliou diferentes opções de franquia. A escolha pela Mary Help veio após identificar alinhamento com seu propósito.
“Escolhi a Mary Help porque percebi que as diaristas eram vistas como parte mais importante da operação. Isso fez toda a diferença para mim”, explica.
Assim, o negócio passou a refletir não apenas uma oportunidade financeira, mas também um posicionamento sobre o mercado de trabalho doméstico.
Desafios e crescimento
O início da jornada empreendedora foi marcado por inseguranças comuns a quem decide abrir um negócio. “O maior medo sempre foi o ‘e se?’”, relata.
No entanto, a resposta veio com a prática. Pouco depois da inauguração da unidade de Jacareí, a alta procura pelos serviços confirmou o potencial do mercado.
Para Gabriela, esse movimento reflete mudanças no comportamento das famílias, que buscam cada vez mais apoio para conciliar trabalho, filhos e rotina doméstica.
Planos de expansão
Com duas unidades em operação, a empreendedora já projeta crescimento. O objetivo é alcançar dez franquias nos próximos anos, ampliando a atuação no interior paulista.
Por outro lado, ela destaca que a expansão não muda o principal compromisso do negócio: a valorização das profissionais.
Você atrai aquilo em que acredita. Eu acredito na coragem, no respeito e na valorização das pessoas.
Liderança com propósito
A história de Gabriela vai além do empreendedorismo precoce. Ela evidencia como a vivência pode moldar a forma de liderar, trazendo empatia e compreensão para a gestão.
Dessa forma, sua trajetória reforça a importância de reconhecer o valor de profissões essenciais, muitas vezes invisibilizadas, e de transformar experiência em impacto real.
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