Três décadas após sua criação, o espetáculo “Mulheres em Pixinguinha” retorna ao palco em uma apresentação especial que une memória, emoção e reverência à música brasileira. O encontro acontece no dia 21 de junho, às 11h, no Salão Assyrio, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Reunindo Georgia Szpílman, Daniela Spielmann, Sheila Zagury e Clarice Magalhães, o projeto celebra 30 anos de trajetória levando ao público uma leitura feminina da obra de um dos maiores nomes da música nacional.
Uma proposta pioneira
Criado nos anos 1990, o espetáculo nasceu com uma proposta inovadora: reinterpretar Pixinguinha sob o olhar de mulheres em um universo historicamente dominado por homens.
Desde então, o projeto se consolidou como referência artística e simbólica. Além disso, segue atual ao apresentar a obra do compositor para novas gerações, mantendo viva sua relevância cultural.
“Durante 30 anos, mostramos que a música de Pixinguinha também pode ser narrada pela sensibilidade feminina, sem perder sua essência popular e sofisticada”, afirma a pianista Sheila Zagury.
Experiência cênico-musical
Mais do que um concerto, “Mulheres em Pixinguinha” propõe uma experiência imersiva. O espetáculo recria a atmosfera da antiga casa do compositor, com móveis cobertos, objetos de época e elementos que evocam sua memória.
Assim, o palco se transforma em um espaço simbólico onde a música dá vida ao ambiente. Aos poucos, o cenário ganha movimento, criando um diálogo entre passado e presente.
O repertório reúne clássicos como “Carinhoso”, “Rosa”, “Lamentos”, “Ingênuo”, “Mundo Melhor” e “Naquele Tempo”, além da rara “Valsa Triste”. Todos os arranjos foram desenvolvidos pelo grupo a partir de uma extensa pesquisa musical.
Histórias que atravessam o tempo
Ao longo de 30 anos, o espetáculo percorreu diversas cidades brasileiras, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Fortaleza e Salvador, passando por espaços emblemáticos da música.
Entre as memórias marcantes, Georgia Szpílman relembra a gravação da música “Rosa” ao lado do seresteiro Seu Adauto, que faleceu no dia seguinte. “O episódio transformou aquele registro em uma memória afetiva e histórica para o grupo”, conta.
Enquanto isso, a saxofonista Daniela Spielmann destaca a conexão com novas gerações. “Pixinguinha continua chegando aos jovens com enorme força e emoção. Sua música atravessa o tempo porque fala de identidade e encontro”, afirma.
Protagonismo feminino na música
O espetáculo também simboliza a presença feminina na música instrumental brasileira, ainda marcada por desigualdades de gênero.
Dessa forma, o projeto se consolida como um espaço de resistência artística e valorização do talento feminino, sem abrir mão da excelência musical.
“A emoção continua como se fosse a estreia. A obra de Pixinguinha permanece viva, fresca, contemporânea”, destaca Georgia Szpílman.
Para Clarice Magalhães, a influência do compositor é permanente. “Ele representa o que há de mais original na música popular brasileira”, afirma.
Serviço
- Mulheres em Pixinguinha – 30 anos
- Data: 21 de junho
- Horário: 11h
- Local: Salão Assyrio – Theatro Municipal do Rio de Janeiro
- Endereço: Praça Floriano, S/Nº, Centro, Rio de Janeiro
- Ingressos: R$50 (inteira) e R$25 (meia)
- Classificação: Livre
Foto: Sergio Alberto
