O Brasil registrou 95.026 casos de stalking em 2025, alta de 18,2%. Psicólogo forense explica os perfis de perseguidores e os impactos psicológicos nas vítimas.
Números que assustam
O Brasil registrou 95.026 ocorrências de perseguição em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, representando um crescimento de 18,2% em relação ao ano anterior. O dado mantém uma tendência de alta desde a criação da Lei 14.132/21, que tipificou o stalking como crime no Código Penal. Além disso, o recorte de gênero é alarmante: 87,7% das vítimas são mulheres, e na maioria dos casos o autor é um ex-parceiro ou familiar.
Os perfis de stalkers mais perigosos
Segundo o psicólogo forense Matheus de Oliveira, compreender o perfil psicológico dos stalkers é fundamental para reconhecer situações de risco. Entre os tipos identificados, destacam-se o stalker predador, que escolhe a vítima com objetivo de cometer crime sexual; o pretendente, que busca um relacionamento; e o que apresenta delírio erotomaníaco, acreditando que a vítima é sua alma gêmea — perfil frequente em casos envolvendo pessoas famosas.
“Os stalkeadores rejeitados perseguem a sua vítima com o objetivo de corrigir, reverter ou vingar uma rejeição. É o tipo mais comum e perigoso, pois geralmente é um ex-parceiro. Esses perseguidores provavelmente possuem um histórico de agressão.”
— Matheus de Oliveira, psicólogo forense.
Sinais de alerta para identificar o crime
Nem sempre a vítima percebe que está sendo perseguida, alerta o especialista. No entanto, há sinais concretos a observar. A repetição e a persistência dos comportamentos são os principais indicadores do crime.
- Mensagens ou ligações repetidas, mesmo após pedidos para cessar o contato
- Comentários negativos e monitoramento em redes sociais, incluindo criação de perfis falsos
- Aparições frequentes e inesperadas em locais da rotina da vítima
- Vigilância sobre familiares e amigos da vítima
- Danos a propriedades ou objetos pessoais da vítima
- Conhecimento detalhado sobre a rotina, roupas ou locais frequentados pela vítima
Impactos psicológicos e o papel da terapia
Quando a perseguição é mais intensa, ela provoca ansiedade, medo, sensação de insegurança e pode evoluir para sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Além disso, estudos apontam que vítimas frequentemente desenvolvem isolamento social, TAG e síndrome do pânico, com impacto direto na rotina e na autonomia. No entanto, há um caminho de recuperação.
“A psicoterapia é a principal estratégia de tratamento para vítimas após esse tipo de experiência, pois ajuda a lidar emocionalmente com os danos e traumas causados.”
— Matheus de Oliveira, psicólogo forense.
Por fim, especialistas reforçam: o stalking não é um incômodo passageiro — é um crime que pode evoluir para situações de maior gravidade. Reconhecer os sinais, registrar boletim de ocorrência e buscar apoio especializado são medidas fundamentais.
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