O tradicional frasco líquido já não é a única maneira de consumir fragrâncias. Marcas como Dior, Dolce & Gabbana, Guerlain e Natura têm investido em perfumes em óleo, stick, gel e até micropérolas, acompanhando um movimento de inovação que transforma a experiência de uso e apresentação dos produtos.
A mudança não acontece apenas pela busca de novidades. O mercado de beleza identificou que os consumidores de perfumaria demonstram maior disposição para experimentar, trocar de marca e testar lançamentos. Dessa forma, os formatos alternativos passaram a funcionar como ferramentas de diferenciação e atração.
Consumidor busca novas experiências
A perfumaria se destaca, há anos, pela capacidade de despertar curiosidade. Enquanto consumidores de outras categorias de beleza tendem a permanecer fiéis aos produtos conhecidos, as fragrâncias carregam um componente de experimentação mais intenso.
Os dados do relatório Health & Beauty Pulse 2026, da Criteo, ajudam a explicar esse comportamento. Segundo o levantamento, até 53% das compras de fragrâncias no mundo são feitas por consumidores que não haviam adquirido aquela marca nos 12 meses anteriores.
O mesmo relatório aponta que a decisão não ocorre necessariamente por impulso. Nos Estados Unidos, o consumidor médio avalia cerca de 12 fragrâncias diferentes antes de concluir uma compra.
Isso indica que o público da perfumaria está mais aberto a migrar entre marcas e explorar lançamentos. Portanto, os formatos alternativos encontram um terreno fértil justamente no momento de descoberta e comparação de produtos.
Inovação como estratégia de concorrência
Para Ana Jacobs, CEO da Jacobs Comunicação, agência de marketing de influência com clientes como Grupo L’Oréal, Natura, Dolce & Gabbana e Grupo Boticário, a inovação pode ser uma resposta à alta troca de marcas na categoria.
Ana JacobsQuando uma categoria tem um índice de troca de marca tão alto quanto o de perfumes, não basta manter quem já compra: é preciso também atrair quem hoje é fiel a um concorrente. E a forma mais eficiente de fazer isso, sem entrar numa guerra de preço, é criando uma experiência de uso que a marca concorrente ainda não oferece.
Praticidade também impulsiona formatos
Além de despertar curiosidade, os novos formatos apresentam promessas ligadas à durabilidade e à praticidade. As fragrâncias em óleo, por exemplo, aparecem associadas a uma maior duração em comparação com versões líquidas e alcoólicas.
Esses produtos também tendem a apresentar uma projeção mais discreta. Assim, podem atrair consumidores que desejam uma fragrância mais intensa, mas preferem evitar que o cheiro cause incômodo a outras pessoas.
Já os perfumes sólidos respondem a uma necessidade prática de quem viaja com frequência. Por não serem líquidos, escapam das restrições de bagagem em aeroportos e também reduzem o risco de vazamentos ou danos dentro da bolsa.
O efeito surpresa das embalagens
Essas utilidades já seriam suficientes para estimular conversas e vídeos espontâneos nas redes sociais. No entanto, o potencial de compartilhamento aumenta quando o produto chega em uma embalagem inesperada.
Micropérolas, balms e outras apresentações despertam surpresa e incentivam o consumidor a mostrar a textura, testar a aplicação e comparar o desempenho com o de formatos tradicionais. Para as marcas, esse espanto pode se transformar em visibilidade orgânica.
“Um produto bem pensado gera um ciclo de divulgação orgânica que nenhuma campanha paga reproduz com a mesma naturalidade. Quem usa um perfume em balm, por exemplo, tende a comentar com os colegas, gravar o unboxing, mostrar a textura, comparar a eficácia com outros formatos e, assim, influenciar mais o público do que qualquer anúncio, porque vem de quem já comprou e está compartilhando por vontade própria”, conclui Ana Jacobs.
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