Porto do Rio terá investimento privado de R$ 948 milhões para ampliar o terminal de contêineres e aumentar a capacidade em 70,5%.
Investimento bilionário e aumento da capacidade
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciou nesta sexta-feira investimento privado de R$ 948 milhões no Rio Brasil Terminal. A área é operada pela ICTSI no Porto do Rio de Janeiro.
O projeto será executado entre 2025 e 2029 e elevará a capacidade operacional em 70,5%. Dessa forma, o terminal passará de 440 mil TEU/ano para 750 mil TEU/ano, consolidando o Rio como hub logístico do Sudeste e Centro-Oeste.
Durante o anúncio, o ministro destacou que o aporte é decisivo para o crescimento do porto e do comércio exterior. Segundo ele, a expansão também abre espaço para, no futuro, atingir até 1,2 milhão de TEU/ano.
“É um investimento de quase R$ 1 bilhão que vai ser fundamental para a gente ampliar as operações aqui do porto, saindo de 440 mil para 750 mil TEU e, no futuro, quem sabe chegar a 1,2 milhão”, afirmou.
Costa Filho ressaltou ainda o impacto na geração de empregos e renda. Para ele, iniciativas dessa natureza fortalecem toda a cadeia produtiva e a logística nacional.
“Eu digo sempre: o maior programa social do Brasil é o emprego e a renda”, completou, ao comentar o potencial de geração de oportunidades.
Crescimento do porto e estratégia nacional
O ministro também destacou o desempenho do Porto do Rio em 2025. Até 30 de novembro, a movimentação de cargas cresceu 14% em relação ao ano anterior.
Para Costa Filho, a política de investimentos integra uma estratégia nacional de aumento da competitividade portuária. Além disso, a parceria entre governo federal, estados e municípios fortalece o ambiente de negócios.
Ele defendeu maior segurança jurídica para atrair novos aportes privados. Dessa maneira, pretende-se desburocratizar processos e garantir previsibilidade aos empreendedores do setor.
Obras, automação e novos equipamentos
O plano de investimentos combina obras de infraestrutura, automação e tecnologia. Entre as ações, está a unificação e expansão dos pátios de armazenagem, ampliando a área disponível para contêineres.
Haverá também rearranjo de edificações para otimizar fluxos internos e reduzir gargalos operacionais. Além disso, serão modernizados os sistemas de utilidades e a infraestrutura elétrica do terminal.
O projeto prevê a compra de novos equipamentos de movimentação de contêineres, com foco em eficiência e segurança. Paralelamente, a ICTSI implantará sistemas avançados de controle de acesso, monitoramento e gestão de cargas.
As melhorias tecnológicas incluem adequações às exigências regulatórias recentes, especialmente normas da Receita Federal. Dessa forma, o terminal busca elevar padrões de conformidade e rastreabilidade das operações.
O pacote contempla ainda medidas de sustentabilidade ambiental, alinhadas aos compromissos globais da ICTSI com operações responsáveis e descarbonização. A ideia é combinar crescimento com redução de impactos ambientais.
Ambiente de negócios mais previsível
Para o ministro, investimentos como o do Rio Brasil Terminal ampliam competitividade e previsibilidade no setor portuário. Ele reforçou a importância da coordenação com agências reguladoras e órgãos de controle.
“O que nós queremos é dar segurança aos empreendimentos, desburocratizar e melhorar o ambiente de negócios, ao lado das agências reguladoras e dos órgãos de controle”, afirmou.
Segundo o governo, a agenda portuária brasileira vive uma fase de forte crescimento. O país registra o maior volume de concessões da história, o que, na visão do ministério, é essencial para destravar o desenvolvimento.
Nova fase para o Rio Brasil Terminal
O diretor-presidente do Rio Brasil Terminal, Roberto Lopes, lembrou que a concessionária completa seis anos à frente da operação. Ele destacou a estratégia de melhoria contínua na gestão.
“Hoje a gente completa seis anos como parte integrante do grupo ICTSI. De lá pra cá, a gente tem conseguido investir muito no Porto do Rio, sempre com foco em oferecer o melhor serviço possível, com essa paixão por servir e a busca de ser 1% melhor todo dia”, disse.
Lopes ressaltou que a expansão se soma a investimentos estruturais em corredores logísticos. Entre eles, estão os eixos Rio–Minas e Rio–Suzano, com ênfase no transporte ferroviário.
Segundo ele, a ampliação permitirá mitigar o congestionamento hoje observado em outros portos. Assim, o Rio Brasil Terminal poderá contribuir para uma melhor distribuição da demanda portuária no país.
O executivo afirmou ainda que o projeto representa uma “revolução interna e externa” para o terminal. Dessa maneira, o objetivo é ampliar as entregas ao comércio exterior e reforçar o papel logístico do Rio de Janeiro.
Navios maiores e mais eficiência
Com a expansão, o terminal ganhará mais eficiência na operação de navios de grande porte no berço completo. Isso inclui embarcações New Panamax e Post-Panamax, com até 366 metros e mais de 13 mil TEU de capacidade.
O cronograma prevê a chegada dos primeiros novos guindastes a partir de meados de 2026. Esses equipamentos serão preparados para atender embarcações ainda maiores, acompanhando a tendência global na costa leste da América do Sul.
Ao comentar o momento do setor, Costa Filho afirmou que os portos brasileiros atravessam um ciclo de investimentos robusto. Portanto, ampliar infraestrutura é visto como passo central para inserir o país em novas rotas de comércio.
Já Roberto Lopes avaliou que o investimento é vital para manter a competitividade do Porto do Rio. Ele destacou que o terminal precisa acompanhar o crescimento da demanda e absorver parte da carga hoje concentrada em outros complexos.
“Esse investimento é essencial para o Rio aumentar sua eficiência e manter sua competitividade e capacidade de absorver parte da demanda hoje concentrada em outros portos. É um projeto que beneficia não apenas o terminal, mas toda a economia do Sudeste e Centro-Oeste do Brasil”, afirmou.
Previsibilidade para a cadeia logística
A previsão é que, com a implementação integral dos investimentos, o terminal opere com utilização em torno de 75% entre 2029 e 2030. Assim, haverá mais folga operacional e menor risco de saturação.
O aumento da capacidade deverá garantir operações mais fluidas, com tempos de espera controlados e custos reduzidos. Além disso, a infraestrutura reforçada deve elevar a resiliência frente a possíveis gargalos em outros portos.
Projeções indicam que, sem as intervenções, o terminal poderia atingir o limite entre 2027 e 2028. Dessa forma, o pacote anunciado atua como prevenção a futuros estrangulamentos logísticos.
ICTSI reforça presença global e compromisso
A ICTSI é considerada a maior operadora portuária independente do mundo. A companhia está presente em 33 terminais distribuídos por 19 países.
O vice-presidente da ICTSI para as Américas, Anders Kjeldsen, destacou o compromisso de longo prazo com o Brasil. Para ele, o projeto do Rio Brasil Terminal reforça a estratégia de trazer padrões internacionais ao país.
“No Brasil, estamos focados em trazer os mais altos padrões internacionais de eficiência operacional e desenvolvimento tecnológico para nossas operações. Este projeto demonstra nosso compromisso de longo prazo com o desenvolvimento da competitividade logística brasileira”, finalizou.
