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    Home»Notícias»Cultura»Livro mapeia Paraty caiçara além do Centro

    Livro mapeia Paraty caiçara além do Centro

    17/09/2026Nenhum comentário Cultura
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    Resultado da pesquisa de mestrado desenvolvida pela paratiense Mírian do Nascimento Machado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o livro Parque da Mangueira e Ilha das Cobras: o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty investiga a formação cultural de dois bairros urbanizados que raramente ocupam o primeiro plano das narrativas sobre o município. Publicada pela Editora Multifoco, a obra acompanha como famílias vindas de comunidades costeiras e rurais levaram para esses territórios suas relações de parentesco, memórias, festas, modos de fazer e vínculos com a terra e o mar.

    Paraty além do turístico

    Conhecida internacionalmente pelo conjunto arquitetônico do Centro Histórico, pela biodiversidade e por eventos como a Festa Literária Internacional de Paraty, a cidade se expandiu para áreas formadas fora do circuito monumental e turístico. Parque da Mangueira e Ilha das Cobras receberam moradores de diferentes localidades do município e se tornaram espaços de encontro entre referências culturais tradicionais e novas dinâmicas sociais, econômicas e urbanas.

    A presença caiçara aparece no livro por meio das relações entre moradores, da ciranda, da alimentação, dos quintais, das plantas medicinais, das celebrações comunitárias e das memórias transmitidas entre gerações. A pesquisa acompanha essas práticas dentro da cidade e observa como elas participam da construção cotidiana dos dois bairros.

    Na leitura de Mírian, a cultura levada por essas famílias se adaptou às relações e às necessidades da vida urbana, incorporou novos hábitos e continuou funcionando como referência de identidade e pertencimento. O título da obra nasce justamente desse encontro entre o tradicional e a territorialidade contemporânea, construída pelas experiências, pelos afetos e pelos usos que os moradores fazem dos lugares onde vivem.

    Trajetória da autora

    A investigação tem uma perspectiva profundamente ligada à trajetória da autora, que nasceu e cresceu no Parque da Mangueira. Moradora da rua que se tornaria um dos pontos centrais de suas ações culturais, Mírian articulou pesquisa acadêmica, memória familiar e interlocução direta com pessoas que participaram da formação dos dois bairros. O trabalho reúne referências teóricas e uma cartografia construída a partir da experiência de quem conhece o território por dentro.

    Antes de concluir o mestrado em Comunicação pela UERJ, em 2025, Mírian construiu uma trajetória ligada à cultura, à educação e ao terceiro setor. Graduada em Serviço Social pela UFRJ e especialista em Mídia, Tecnologia da Informação e Novas Práticas Educacionais pela PUC-Rio, atuou na escola popular de audiovisual Cinema Nosso e desenvolveu iniciativas para aproximar jovens de Paraty da formação gratuita em cinema.

    Desde que retornou ao município, em 2019, participou de projetos como a Remada Ecológica e o Arrastão do Jabaquara, dirigiu o Cinema da Praça e a Casa da Cultura de Paraty e passou a trabalhar com planejamento, gestão e governança no Observatório dos Territórios Saudáveis e Sustentáveis.

    Instituto Manga

    As questões levantadas durante a pesquisa deram origem a uma atuação permanente nos bairros. Em 2024, Mírian e a mãe, Marli Nascimento, fundaram o Instituto Manga, organização sediada no Parque da Mangueira que desenvolve iniciativas culturais, ambientais e tecnológicas voltadas prioritariamente aos moradores da Mangueira e da Ilha das Cobras, com atenção especial às mulheres e aos jovens.

    “Tanto o Instituto quanto o Manga Festival surgiram de uma demanda do território, de repensar a sua importância e de valorizar a sua cultura presente nos moradores e nas rotinas”

    Mírian Machado

    Manga Festival

    Criado no mesmo ano, o Manga Festival levou os temas da pesquisa para as ruas. Sua primeira edição apresentou a mostra fotográfica Territorialidades Daqui, formada por imagens da cultura e da vida cotidiana dos dois bairros. Uma chamada pública recebeu 47 fotografias, das quais 14 foram selecionadas e instaladas nas fachadas de casas da Rua Leonides Lengrubiler de Azevedo, no Parque da Mangueira. O percurso transformou a rua em uma galeria a céu aberto e envolveu diretamente os moradores na construção da exposição.

    A segunda edição ampliou o circuito para 29 fotografias e incorporou ações dedicadas à memória local, entre elas a homenagem ao mestre cirandeiro João de Deus, a instalação de placas em residências ligadas à história do bairro, um desfile de estudantes pelas ruas da Mangueira e o tombamento afetivo do pé de manga que permanece como referência para a origem do nome do bairro.

    Patrimônio e comunidade

    O recorte desenvolvido por Mírian alcança questões enfrentadas por cidades históricas de diferentes partes do mundo, como a convivência entre turismo e vida cotidiana, a participação das comunidades na construção do patrimônio e o direito dos moradores de contar a história dos lugares onde vivem. Em Paraty, reconhecida pela Unesco como patrimônio misto de cultura e biodiversidade, o livro aproxima a projeção internacional do município das experiências culturais mantidas por sua população.

    Apresentado ao público em julho de 2026, durante a programação da Casa Paraty na Flip, Parque da Mangueira e Ilha das Cobras constrói sua narrativa a partir de bairros pouco presentes na imagem turística da cidade. Ao acompanhar a cultura caiçara dentro desses espaços urbanizados, a publicação oferece elementos para compreender como memória, urbanização e pertencimento participam da formação da Paraty contemporânea.

    Serviço

    • Parque da Mangueira e Ilha das Cobras: o tradicional na territorialidade contemporânea de Paraty
    • Autora: Mírian do Nascimento Machado
    • Editora: Multifoco
    • Ano: 2026
    • Preço: R$ 70
    • Venda: loja virtual da Editora Multifoco

    Foto: Divulgação

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