O que normalmente fica guardado entre estudos, rascunhos, ferramentas e experimentações ganha protagonismo em “Caderno e Projetor”. A experiência artística reúne a Zerezes e o Pavilhão Maxwell Alexandre durante a semana que antecede a ArtRio 2026 e convida o público a olhar para o processo criativo como parte essencial da obra.
Com curadoria do artista carioca Maxwell Alexandre e de Lucas Tolezano, Diretor de Criação do Pavilhão, a exposição teve abertura exclusiva para convidados e parceiros da marca no dia 12. A partir do dia 13, a experiência segue aberta ao público até o dia 19, das 10h às 20h, com entrada gratuita.
A proposta nasce da união entre a Zerezes, marca brasileira de design autoral de óculos, e o Pavilhão Maxwell Alexandre, espaço de arte independente e conceitual criado pelo artista. Dessa forma, o encontro aproxima design, arte e diferentes modos de produzir cultura no Brasil.
Processo vira parte da experiência
Em “Caderno e Projetor”, os elementos presentes no título deixam de ocupar uma posição secundária e passam a orientar a narrativa da exposição. Cadernos, desenhos, estudos, fragmentos, ferramentas e projetores revelam etapas do desenvolvimento artístico e transformam o fazer criativo em experiência expositiva.
O projeto propõe uma aproximação com aquilo que acontece antes da obra chegar a seu momento final. Assim, o público é convidado a observar processos, escolhas, ideias em construção e materiais que carregam parte da trajetória de cada criação.
Mais do que apresentar trabalhos finalizados, a iniciativa volta o olhar para os bastidores e para as possibilidades abertas durante o percurso. A exposição sugere que a criação não se limita a um resultado pronto, mas também se manifesta nas etapas de experimentação, pesquisa e elaboração.
Curadoria reúne artistas brasileiros
Com curadoria de Maxwell Alexandre e Lucas Tolezano, “Caderno e Projetor” amplia o diálogo com diferentes artistas e universos criativos. O recorte curatorial parte do processo e propõe uma leitura que vai além da pintura e da obra concluída.
A seleção reúne nomes de diferentes regiões do Brasil, trazendo repertórios, regionalismos e maneiras particulares de criar. Participam Allan Pinheiro, Gustavo Speridião, Bruna Vernes, Clara Tibery, Renato Santos, Victor Mattina, Matheus Abu, Caio Rosa, Bea Machado e Zé Tepedino.
Também integram a experiência Nina Fontenelle, Arthur Palhano, Maria Antonia, Gabriel Mota, Carla Santana, Thiago Izidoro, Mariana Honório, Ana Neves e Nídia Aranha. Dessa maneira, a mostra constrói um panorama de processos artísticos plurais, conduzidos por diferentes referências e formas de expressão.
Maxwell Alexandre conduz conversa sobre criação
A participação de Maxwell Alexandre em “Caderno e Projetor” vai além da curadoria. O artista também atua na construção da narrativa da experiência e conduz um talk sobre processos criativos, desenho, ferramentas e bastidores da produção artística.
A conversa propõe um caminho distante de uma abordagem apenas institucional. Em vez disso, busca revelar aspectos menos visíveis da criação, abordando ferramentas, tentativas, estudos e outras etapas que ajudam a formar o universo de cada artista.
A iniciativa ainda antecipa, no Rio de Janeiro, alguns processos e universos que estarão presentes na exposição de Maxwell Alexandre prevista para ser lançada em Londres, em outubro. Portanto, a programação estabelece uma conexão entre a experiência carioca e o próximo capítulo do artista fora do país.
Zerezes reforça diálogo com arte e cultura
Para a Zerezes, “Caderno e Projetor” reforça o desejo de expandir sua atuação no território da arte e da cultura. A marca busca fortalecer conexões com artistas e comunidades criativas e valorizar uma produção brasileira diversa e autoral.
Nascida no Rio de Janeiro há 14 anos, a Zerezes foi criada a partir da vontade de transformar a relação das pessoas com os óculos. Desde o início, o design ocupa um papel central na marca, não apenas como expressão estética, mas também como uma maneira de pensar a experiência de compra e o lugar do acessório na vida cotidiana.
A marca propõe deslocar os óculos de um campo exclusivamente médico e funcional para um território de autoexpressão, identidade e cultura. Hoje, a Zerezes está presente em 40 lojas pelo Brasil e segue em expansão nacional.
Um espaço para risco e vulnerabilidade
O Pavilhão Maxwell Alexandre se apresenta como uma capela exclusiva do artista, voltada à possibilidade de curar e exibir em tempo real suas elaborações e interesses. Trata-se de um espaço onde trabalhos inacabados podem ser apresentados, sem a exigência de que estejam prontos, seguros ou imaculados.
A proposta se diferencia da circulação convencional das obras no mercado e em instituições. No Pavilhão, o artista assume o risco de expor processos ainda imaturos, duvidosos ou constrangedores, reconhecendo a vulnerabilidade como parte inerente à criação.
Por fim, “Caderno e Projetor” transforma essa visão em um convite ao público: valorizar tudo o que acontece antes da obra alcançar sua forma final. Entre cadernos, projeções e ferramentas, a experiência abre espaço para ver a arte enquanto ela ainda está em movimento.
Serviço
- Exposição: “Caderno e Projetor”
- Realização: Zerezes e Pavilhão Maxwell Alexandre
- Curadoria: Maxwell Alexandre e Lucas Tolezano
- Período: de 13 a 19
- Horário: das 10h às 20h
- Entrada: gratuita
Foto: @caionovaes


