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    Home»Notícias»Saúde»Remédio na escola exige planejamento, alerta pediatra

    Remédio na escola exige planejamento, alerta pediatra

    17/08/2026Nenhum comentário Saúde
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    Enviar um medicamento na mochila da criança para ser administrado durante o horário escolar deve ser uma medida excepcional. O alerta é do pediatra Antonio Carlos Turner, que orienta as famílias a conversar previamente com o médico para avaliar se os horários do tratamento podem ser organizados em casa.

    A recomendação considera que a rotina escolar não é estruturada como um ambiente de assistência médica. Por isso, sempre que houver possibilidade de ajustar os horários com segurança, a administração das doses fora do período de aulas deve ser priorizada.

    Risco de erros

    Segundo Turner, um dos principais pontos de atenção é o risco de falhas na administração. Dosagem, horário, identificação do medicamento e possíveis reações precisam ser observados com cuidado, enquanto professores e demais profissionais da escola têm como função principal acompanhar as atividades pedagógicas.

    “Uma escola é um ambiente dinâmico. Pode haver dúvidas sobre a dose, confusão de horários, falhas na comunicação ou até troca de medicamentos. Por isso, quando existe a possibilidade de organizar o tratamento fora do período escolar, essa deve ser a primeira opção”, afirma o pediatra, coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids.

    Horários não devem ser alterados

    Muitos medicamentos usados em tratamentos agudos ou contínuos podem ter os horários avaliados pelo pediatra para que as doses sejam administradas exclusivamente em casa. No entanto, essa decisão depende do medicamento, da indicação e do intervalo prescrito.

    A família não deve modificar por conta própria o intervalo ou a dose do tratamento. “O pediatra deve avaliar o tratamento e, quando houver margem para isso, organizar os horários de forma segura para a criança e para a rotina familiar”, ressalta Turner.

    Quando a medicação é necessária

    Há situações em que a presença do medicamento na escola pode ser indispensável. Isso pode ocorrer com algumas crianças que têm doenças crônicas, precisam de medicação de emergência ou seguem tratamentos com intervalos muito curtos.

    Nesses casos, a administração durante o período escolar precisa ser planejada entre família, pediatra e instituição. “Existem situações específicas, como algumas condições crônicas e tratamentos que não podem ser interrompidos ou ter seus horários modificados. Nesses casos, a medicação na escola pode ser necessária, mas precisa existir um planejamento muito claro entre família, médico e instituição”, explica o pediatra.

    Remédio não substitui repouso

    Outro cuidado envolve o uso de antitérmicos ou analgésicos apenas para reduzir temporariamente a febre ou a dor e manter a criança na escola. Para Turner, essa prática pode mascarar sinais de que o aluno precisa de repouso e avaliação.

    “Se a criança está com febre, prostrada, vomitando, com dor importante ou apresentando outros sintomas que comprometem seu estado geral, o mais importante não é simplesmente controlar o sintoma para que ela permaneça na escola. É avaliar por que ela está doente e permitir que tenha o repouso necessário”, afirma.

    Além do cuidado individual, crianças com quadros infecciosos podem transmitir doenças aos colegas e aos profissionais que convivem no ambiente escolar. Portanto, a decisão de manter a criança em aula deve considerar seu estado geral e a possibilidade de contágio.

    Como enviar o medicamento

    Quando a administração na escola for realmente necessária, a família deve estabelecer previamente um procedimento com a instituição. O medicamento precisa estar acompanhado de prescrição médica atualizada, com informações claras sobre dose, horário e via de administração.

    • Enviar autorização formal dos responsáveis.
    • Manter o medicamento na embalagem original.
    • Verificar o prazo de validade.
    • Identificar o produto com o nome da criança.
    • Informar previamente a coordenação ou o setor responsável pela saúde dos alunos.

    A comunicação deve ser feita antes do envio, evitando que o remédio seja entregue sem que a equipe saiba como proceder. “Quanto mais clara for a comunicação entre família, médico e escola, menor será o risco de erros. A criança não deve ser colocada no meio de uma comunicação informal por bilhete ou mensagem. É preciso estabelecer um protocolo para aquele tratamento”, orienta Turner.

    Orientação caso a caso

    A recomendação principal é não alterar doses ou horários por conta própria e não considerar a escola como substituta do atendimento ou do cuidado familiar quando a criança está doente.

    “A regra de ouro é avaliar a necessidade da medicação na escola caso a caso. Se existe uma doença aguda e a criança apresenta sinais como febre, prostração, vômitos, dor intensa ou tosse persistente, é preciso considerar se ela realmente tem condições de estar na escola. Em caso de dúvida sobre o tratamento, a orientação deve vir sempre do pediatra”, conclui.

    Dr. Antonio Carlos Turner | Pediatra
    Coordenador da Rede de Clínicas Total Kids
    CRM: 52.46851-4
    RQE: 49635

    Foto: Divulgação

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