A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) 2026 vai receber o autor mineiro Marcelo Nery, que apresenta seu romance de estreia Flores Astrais, publicado pela editora Mondru. Entre os dias 24 e 25 de julho, ele participa de três mesas na programação oficial e independente do festival.
As discussões acontecem no Auditório do Areal e na Casa Opera, reunindo Nery a outros escritores que também exploram, em suas obras, temas como heranças coloniais, desigualdade social e processos de cura pela escrita.
Debate abre a programação oficial
Na sexta-feira, dia 24/7, das 11h30 às 12h30, Marcelo Nery integra a mesa “Fantasmas do Cotidiano: Heranças, Rotinas e o Espelho Social”, no Auditório do Areal. Participam também os autores Leonardo Grizo (“A Árvore Invisível Cinza”), Caio Martim (“dia útil”) e Renato (“A estranha no espelho”).
Juntos, eles discutem um tema comum às suas obras: as amarras invisíveis que moldam nossas vidas, sejam heranças de um passado colonial opressor, preconceitos incrustados na sociedade brasileira ou pressões sociais contemporâneas. A mesa será seguida de uma sessão de autógrafos no próprio auditório.
Duas mesas na Casa Opera
Ainda na sexta-feira (24/7), às 14h, Marcelo se reúne com Maurício Mendes (“O homem não foi feito para ser feliz”), Rafael Caneca (“Não volte sem ele”) e Carolina Santos (“Bocas Mestiças”) na mesa “Classismo, racismo e ascensão social na literatura brasileira”. Nela, discutirão o preço do pertencimento em um país marcado pela desigualdade, tema recorrente nas obras dos quatro autores.
Já no sábado, 25/7, a partir das 12h, o autor integra a mesa “Luto, memória e cura na literatura”, ao lado de Lucas Limão (“Biotecnosfera”) e Rafael Caneca. Nessa conversa, os escritores refletem sobre como transformar a dor em matéria-prima narrativa e explorar a potência curativa da escrita.
Uma saga familiar gótica
Em Flores Astrais, Nery constrói uma saga familiar gótica cuja narrativa entrelaça passado e presente, revelando segredos familiares, hierarquias raciais e dinâmicas de poder que assombram gerações.
A trama se desenrola em 1980, quando Tiago Amaral Grandi, um jornalista gay de meia-idade, volta à Fazenda Grandi após uma ausência de vinte anos. Envolto por segredos, assombrações e o peso de um sobrenome que carrega séculos de história, ele precisa lidar não apenas com o legado do pai, Franco, mas também com traumas familiares não resolvidos, a presença inquietante da tia Augusta, uma prima idosa que conversa com bonecas, e os resquícios do suicídio de sua mãe, Serena.
Além disso, o livro possui paratextos escritos por nomes importantes do meio cultural, como Jarid Arraes, Santiago Nazarian, Flavio Muniz, Laura Bacellar, Estela Fragoso, Celso Tádhei e Marcela Dantés.
Da ciência da computação à literatura
Marcelo Nery nasceu em Belo Horizonte, mas já atravessou muitas dimensões: da Ciência da Computação ao tarô, de professor universitário à criação de mundos virtuais.
Com formação em Ciência da Computação, foi professor universitário por 16 anos e coordenou o renomado curso de Jogos Digitais da PUC Minas. Em seguida, transitou do universo acadêmico para o mercado criativo, atuando como designer de jogos de tabuleiro e, atualmente, como coordenador de game design na ARVORE Immersive Experiences, desenvolvendo projetos para empresas como Meta e Universal Studios.
Cresceu entre a capital e o interior, cercado por pastos, rios, carrinhos de rolimã e bambuzais. Desde pequeno, encontrou na máquina de escrever o espaço para inventar histórias, quando o drama ainda era um hábito, não um talento. Aos dez anos, integrou o júri do Concurso de Literatura Infantojuvenil João de Barro, onde a paixão pelos livros se firmou.
Por fim, fora de época, com o coração em technicolor em um mundo que flerta com o streaming, virou o mais cafona (e romântico) da família. Hoje escreve como quem investiga um mistério e disseca sentimentos, como um bom escorpiano de 1978. Flores Astrais é seu primeiro romance.
Serviço
- Mesa: Fantasmas do Cotidiano: Heranças, Rotinas e o Espelho Social – 24/7, das 11h30 às 12h30, Auditório do Areal, Paraty (RJ), com Marcelo Nery, Leonardo Grizo, Caio Martim e Renato; sessão de autógrafos após o debate
- Mesa: Classismo, racismo e ascensão social na literatura brasileira – 24/7, às 14h, Casa Opera (Rua da Matriz, nº 25, Paraty-RJ), com Marcelo Nery, Maurício Mendes, Rafael Caneca e Carolina Santos; entrada gratuita
- Mesa: Luto, memória e cura na literatura – 25/7, a partir das 12h, Casa Opera (Rua da Matriz, nº 25, Paraty-RJ), com Marcelo Nery, Lucas Limão e Rafael Caneca; entrada gratuita
- Livro: Flores Astrais, de Marcelo Nery, pela editora Mondru
Foto: Divulgação

