IA deve reforçar segurança e personalização, enquanto minimercados autônomos ampliam pontos e entram em ciclo de consolidação em 2026.
O varejo de proximidade consolidou sua expansão no Brasil, puxado por conveniência e acesso rápido. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS), a modalidade liderou as aberturas do setor supermercadista em 2024, com mais de 50% do total.
Para 2026, o setor deve acelerar o uso de dados e inteligência artificial, com foco em eficiência e previsibilidade. A avaliação é de Leonardo de Ana, cofundador e CEO da InHouse Market, rede de mercados autônomos 24 horas.
IA para segurança e redução de perdas
Leonardo afirma que tecnologias baseadas em eventos e IA devem ganhar espaço em 2026. Dessa forma, a operação tende a melhorar segurança e controle de perdas em lojas autônomas.
Hoje, as perdas nesses mercados variam, em média, entre 3% e 5%. Segundo o executivo, furtos concentram a maior parte, além de vencimentos e avarias.
“Com o avanço do monitoramento inteligente, o cenário muda.”
Os sistemas devem acompanhar a jornada do consumidor da entrada ao pagamento, transformando interações em eventos analisáveis. Por exemplo, a tecnologia pode registrar abertura de geladeiras, retirada e devolução de itens, e conclusão da compra.
Em seguida, algoritmos classificam esses eventos por níveis de risco e geram alertas em tempo real. Assim, a gestão pode atuar de forma preventiva e tornar mais precisa a administração de perdas.
Em estágios mais avançados, Leonardo cita o pré-débito automático de produtos identificados como não pagos. No entanto, a medida depende de cartões previamente cadastrados e pode reduzir a possibilidade de furto.
Personalização com cruzamento de dados
Outra tendência indicada para 2026 é o avanço da personalização no varejo de proximidade. Segundo a 4ª edição da pesquisa Panorama da Fidelização no Brasil, do Tudo Sobre Incentivos (TSI) com a ABEMF, 78,3% dos consumidores veem ofertas e comunicações personalizadas como decisivas.
“Quando a gente olha para esses dados, fica claro que não dá mais para trabalhar com ofertas genéricas.”
O uso intensivo de dados e IA aparece como base para esse movimento. Com recursos como reconhecimento facial, os sistemas podem identificar o consumidor na entrada e cruzar informações como frequência, horários, localização e preferências.
A partir disso, o varejo tende a oferecer promoções em tempo real, com sugestões de produtos, combos e incentivos alinhados ao histórico. Portanto, ações de cross-sell e up-sell podem elevar ticket médio e recorrência.
Além de impulsionar vendas, a personalização também influencia decisões de sortimento. Dessa maneira, a operação pode ajustar prateleiras e introduzir produtos conforme a demanda de cada loja.
Expansão para além de condomínios
Os grandes centros urbanos seguem como motor do varejo de proximidade no Brasil, com destaque para o Sudeste. Enquanto isso, outras praças devem avançar de forma gradual.
O que muda é o perfil dos pontos de instalação. Segundo Leonardo, entre 90% e 95% dos mercados autônomos da InHouse Market estão em condomínios residenciais, mas cresce a presença em ambientes corporativos, academias e hotéis.
Esse segmento saiu de cerca de 3% a 4% e já se aproxima de 10%, de acordo com levantamento interno da empresa. Além disso, a projeção é chegar a aproximadamente 30% do mercado nos próximos cinco a dez anos.
“A retomada do trabalho presencial, o aumento da frequência em academias e a normalização das viagens no pós-pandemia impulsionam essa expansão.”
Consolidação com fusões e aquisições
A partir de 2026, o setor deve entrar em uma fase mais intensa de consolidação. Segundo Leonardo, fusões e aquisições devem envolver empresas de tecnologia, operadores e redes de varejo.
O movimento tende a ampliar escala e cobertura geográfica, além de concentrar investimentos em inovação. Por fim, a tendência aponta para um mercado mais profissionalizado, com players mais robustos e competitivos.
Sobre a InHouse Market
Criada em 2020, a InHouse Market é líder em mercados autônomos 24h no Brasil, com mais de 1.800 lojas inauguradas em mais de 320 cidades. A empresa opera com tecnologia proprietária SaaS (Shoppbud) e modelo de licenciamento.

