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    Home»Notícias»Cultura»Denise Emmer lança livro de contos “Só os loucos batem palmas para o céu”

    Denise Emmer lança livro de contos “Só os loucos batem palmas para o céu”

    04/12/2025Updated:04/12/2025Nenhum comentário Cultura
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     Denise Emmer apresenta novo livro de contos em prosa-poética, onde solidão, travessia e realismo mágico se encontram em 17 narrativas.

      

    Um mosaico de contos em prosa-poética

     

     Poeta, compositora e violoncelista, vencedora do Prêmio Alceu Amoroso Lima Poesia e Liberdade 2021, Denise Emmer lança o livro “Só os loucos batem palmas para o céu” pela Editora Cavalo Azul. A autora mais uma vez dilui as fronteiras entre prosa e poesia em um mosaico de narrativas que soam como partituras e sonatas. O novo título dialoga com obras anteriores, como “O cavalo cantor” e “O barulho do fim do mundo”, aprofundando sua vertente estética.

     

     A escrita flerta com o realismo mágico e confere rara densidade aos contos. Ao longo das 17 histórias, a autora depura temas como solidão, desamparo e travessia. Dessa forma, constrói um universo literário em que linguagem, ritmo e imagem assumem papel central.

      

    Solidão como território e chave do livro

     

     Nos contos, a solidão aparece como eixo magnético, não apenas como ausência, mas como território existencial. Para marcar essa perspectiva, Denise escolhe como epígrafe um fragmento de “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez: “Ele realmente tinha passado pela morte, mas retornou porque não suportava a solidão.” A frase funciona como chave de leitura do livro.

     

     Cada narrativa apresenta personagens que, de algum modo, retornam da morte, do esquecimento, da infância ou do nunca. São órfãos, náufragos e criaturas suspensas entre mundos. Assim, seus gestos se inscrevem no palco íntimo do leitor, que acompanha essas travessias silenciosas.

     

     “Sou uma poeta, que, por vezes, resolve sair da sua métrica para viver algumas aventuras”, comenta Denise. “Ao escrever estas histórias, eu as vivo intensamente. Sou, ou parte do enredo, ou a observadora que narra os acontecimentos sem entrar nas polêmicas. Para mim, escrever contos é uma forma de viajar sem sair do quarto”, conclui.

      

    Títulos que sugerem enigmas e metáforas

     

     Os títulos dos contos já antecipam o clima enigmático e metafórico da obra. Entre eles estão “A mulher que dançava”, “Senhor solidão”, “Palco das criaturas”, “As despedidas do Nunca” e “A árvore Sonâmbula”. Há ainda textos como “Abraço eterno”, “O mosteiro do penhasco”, “O homem triste” e “A senhora de todas as vestes”.

     

     Completam a lista “Amor elevado a infinito”, “Anônima”, “Meu Kilimanjaro”, “O homem com pressa”, “Casal de bandoleiros”, “Abandonadas” e “Coração disparado”. Cada título funciona como promessa de imagem e convite a um espaço sensorial. Dessa maneira, o leitor é guiado por atmosfera de mistério e lirismo.

      

    Contos em que o cotidiano se torna metáfora

     

     Em “Senhor solidão”, Denise constrói um cenário doméstico e sufocante. Um artista célebre vive com a mãe centenária, em rotina de pequenos gestos como almoçar, descalçar sapatos e cuidar um do outro. A banalidade diária se transforma em metáfora de dependência e clausura.

     

     Já em “Palco das criaturas”, um pianista sem rosto veste o fraque e aguarda sua entrada para interpretar uma sonata inexistente. Sua música desperta marginalizados, loucos e anciãs esquecidas, mas sem plateia. Quando finalmente toca diante de um público lotado, é vaiado, o piano se desmonta e as teclas se soltam.

     

     O conto funciona como parábola sobre arte invisível e o fracasso da glória. Ao dividir o pão com um homem humilde nas ruas, o pianista reencontra a dignidade que não encontrou nos aplausos. Denise transforma o palco em metáfora do mundo, onde todos somos criaturas tocando sonatas inaudíveis para plateias ausentes.

      

    Morte, adeus e travessia em “As despedidas do Nunca”

     

     Em “As despedidas do Nunca”, a autora medita sobre morte e adeus. A narradora percorre florestas, pedras e mares, despedindo-se de tudo, inclusive dos pais transformados em estátuas. O texto avança como fluxo de consciência, misturando memória, sonho e realidade.

     

     A cena do aeroporto, com o voo Pterossauro rumo ao “Nunca”, surge como imagem poderosa. A morte aparece como embarque, com o destino final anunciado no alto-falante. No entanto, o desfecho volta à intimidade, quando a narradora adormece abraçada ao cão.

     

     A passagem sugere que a morte não é espetáculo, mas recolhimento. A travessia se torna um “adieu” sussurrado, e não explosão. Assim, Denise associa despedida e ternura, deslocando o foco do grandioso para o íntimo.

      

    Lirismo, densidade e uma sonata em 17 movimentos

     

     Os contos revelam uma escritura que alia lirismo e densidade, sempre em busca do sublime no cotidiano. Há investigação das zonas de silêncio e uma poética da travessia. Denise não apenas escreve histórias, mas as faz ressoar como música interior.

     

     O livro inteiro se organiza como uma sonata ainda inexistente, em que cada conto é um movimento — lento, allegro, adagio. O “fim do mundo” surge não como catástrofe, mas como passagem ao infinito. Ao acompanhar essas narrativas, o leitor participa de uma experiência de dissolução e chama.

     

     Ao final, muitos leitores podem se reconhecer no título “Só os loucos batem palmas para o céu”. Tocados pela poesia de cada conto, esses “loucos” encontram no gesto de aplaudir o céu uma forma de resposta à própria solidão. Dessa maneira, o livro reafirma a força da literatura como espaço de partilha sensível.

      

    Sobre Denise Emmer

     

     A vocação musical sempre esteve presente na trajetória de Denise Emmer. Bacharela em Física, ela também concluiu Bacharelado em Música (violoncelo) e, nos anos 1980, despontou como compositora e cantora. Com vários CDs gravados, integra orquestras e grupos de câmara como violoncelista.

     

     Apesar da versatilidade, o núcleo de sua criação é a poesia. Entre os prêmios recebidos estão o Prêmio ABL de Poesia 2009, o Prêmio Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), o Prêmio José Martí (UNESCO) e o Prêmio Olavo Bilac (ABL), entre outros. Esses reconhecimentos consolidam seu nome na poesia brasileira contemporânea.

     

     Como poeta, participou de antologias importantes, como “41 poetas do Rio”, organizada por Moacyr Félix, e “Antologia da Nova Poesia Brasileira”, organizada por Olga Savary. Também integrou publicações como “Poesia Sempre” e revistas literárias no Estados Unidos, Turquia e Espanha, com traduções de Alfredo Pérez Alencart. Além disso, esteve no XXVI Encuentro de Poetas Ibero-Americanos 2021, em Salamanca.

     

     Denise participa ainda de projetos como a Antologia Selvagem (Ed. Cavalo Azul), Histórias brasileiras de cavalos (Ed. Maralto) e Antologia Ponte de Versos (Ed. Ibis Libris). Em todos, reafirma uma escrita que combina música, imagem e experimentação formal. Sua obra se estende por diferentes plataformas e formas de expressão.

      

    Serviço

     

     Livro: “Só os loucos batem palmas para o céu”

     

     Autora: Denise Emmer

     

     Editora: Cavalo Azul

     

     Gênero: contos em prosa-poética

     

     Páginas: 92

     

     Valor: R\( 60,00**

     

     Compra online: disponível no site da Editora Cavalo Azul

    Denise Emmer lança livro de contos “Só os loucos batem palmas para o céu”
    Foto: Divulgação
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    Foto: Divulgação
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