O Theatro Municipal de São Paulo apresenta nova montagem da ópera Macbeth, de Verdi, dirigida por Elisa Ohtake, entre 31 de outubro e 9 de novembro.
Ópera Macbeth, de Verdi, ganha nova montagem no Theatro Municipal de São Paulo
De 31 de outubro a 9 de novembro, o Theatro Municipal de São Paulo apresenta uma nova montagem da ópera Macbeth, de Giuseppe Verdi, com direção cênica e cenografia de Elisa Ohtake e direção musical do maestro Roberto Minczuk. A produção, com libreto de Francesco Maria Piave, baseado na célebre tragédia de William Shakespeare, propõe uma leitura atemporal e contemporânea, que revisita os temas universais da ambição, do poder e da tragédia humana.
Uma leitura contemporânea para a tragédia de Shakespeare
A montagem traz Elisa Ohtake à frente da direção cênica, propondo uma estética marcada pelo excesso e colapso, traduzidos em uma linguagem visual potente. “Quis trazer um pouco da minha liberdade de direção em teatro contemporâneo para a ópera. Crio o cenário e a direção cênica juntos, difícil para mim pensar os dois separados, portanto, em ambos optei por fazer desdobramentos da qualidade desmedida, da hybris, presente no texto de Shakespeare e em Verdi”, afirma a diretora.

Ela explica que a encenação busca refletir a sociedade atual, tomada por estímulos e conflitos permanentes. “Vivemos uma sobreposição de guerras como nunca na história e seguimos anestesiados. Em um contexto de ópera, porém, qualquer pequena extravagância tende a ser mais notada e gerar estranhamentos potentes, inclusive acerca da ultraviolência e de nosso torpor atual”, ressalta Ohtake.
Entre os elementos cênicos, objetos em desmedida simbolizam a ganância dos protagonistas. Lady Macbeth, por exemplo, espalha o sangue pelas paredes e móveis, e o bosque das bruxas surge como uma área desmatada. O cenário do castelo oprime os personagens até o colapso final, enquanto o “círculo dourado” — símbolo da coroa — é explorado visualmente ao longo da narrativa, surgindo em sua forma plena apenas no desfecho.
O drama e sua força simbólica
Inspirada na tragédia de Shakespeare, a ópera de Verdi narra a ascensão e queda de Macbeth, um guerreiro seduzido pela promessa de poder após ouvir as profecias das bruxas. Impulsionado por Lady Macbeth, ele assassina o rei Duncan e assume o trono, mas é consumido pela culpa e paranoia. A partir daí, ambos mergulham em uma espiral de violência e loucura, retratada com intensidade nas áries e coros de Verdi.
Elenco e equipe artística
O espetáculo conta com o Coro Lírico Municipal e a Orquestra Sinfônica Municipal, além de um elenco de solistas que se revezam em diferentes datas:
- Lady Macbeth: Marigona Qerkezi (31/10, 4 e 8/11) e Olga Maslova (1, 5, 7 e 9/11)
- Macbeth: Craig Colclough (31/10, 4, 7 e 9/11) e Douglas Hahn (1, 5 e 8/11)
- Banquo: Savio Sperandio e Andrey Mira
- Macduff: Giovanni Tristacci e Enrique Bravo
O figurino é assinado por Gustavo Silvestre e Sônia Gomes, a preparação corporal é de Roberto Alencar e Elisa Ohtake, e o desenho de luz é de Aline Santini. A regência do Coro Lírico é de Hernán Sánchez Arteaga, com assistência de direção cênica de Ronaldo Zero.
Serviço
Ópera: Macbeth, de Giuseppe Verdi
Direção musical: Roberto Minczuk
Direção cênica e cenografia: Elisa Ohtake
Local: Theatro Municipal de São Paulo – Sala de Espetáculos
Datas e horários:
- 31 de outubro e 4, 5, 7 de novembro – às 20h
- 1, 8 e 9 de novembro – às 17h
Duração: 180 minutos
Classificação: acima de 10 anos
Ingressos: de R$ 33 a R$ 210
Acessibilidade: tradução em Libras, acesso para cadeirantes e banheiros adaptados
O Theatro Municipal de São Paulo
Ligado à Secretaria Municipal de Cultura e à Fundação Theatro Municipal, o espaço é um patrimônio histórico e artístico, inaugurado em 1911 e reconhecido como um dos principais palcos líricos do Brasil. O complexo também abriga a Praça das Artes, sede dos corpos artísticos e das escolas de música e dança, reafirmando o compromisso da instituição com a formação cultural e a democratização da arte.
