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    Home»Notícias»Saúde»Uso excessivo de telas pode impactar desenvolvimento da fala infantil

    Uso excessivo de telas pode impactar desenvolvimento da fala infantil

    26/02/2025Nenhum comentário Saúde
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    Fonoaudióloga explica os sinais de alerta para atrasos na comunicação e as estratégias para estimular a linguagem das crianças

    A interação precoce e excessiva com celulares, tablets e TVs pode comprometer o desenvolvimento da linguagem infantil. Muitos pais recorrem a esses aparelhos para entreter os pequenos e, assim, conseguirem realizar suas atividades diárias. No entanto, essa prática costuma acarretar atrasos na fala, alerta a professora do curso de Fonoaudiologia da Universidade Guarulhos (UNG), Marcella Fuzatti.

    Antes mesmo da criança se comunicar, ela já interage com as pessoas e o mundo por meio de gestos e expressões. E a aprendizagem da fala acontece a partir de fonemas, ou seja, os sons de uma língua. “Conforme o pequeno se desenvolve, aprende a discriminar e interpretar o que escuta, passando a reproduzir. Para essa fala acontecer, é necessário um repertório, ou seja, a junção desses sons com significado, conhecido como palavras, a qual a criança aprende a utilizar para se referir a pessoas, objetos, mostrar desejos, explicar coisas e sentimentos, entre tantas funções”, comenta a especialista.

    Um estudo australiano, publicado na revista médica Jama Pediatrics, analisou 220 famílias com filhos de até 1 ano que usavam, frequentemente, dispositivos com telas. O desenvolvimento deles foi acompanhado até os 3 anos e, durante o período, passaram, ao menos, um dia com um aparelho. O item registrou o som do ambiente, as interações, a quantidade de palavras ditas por adultos e o que foi emitido pelas crianças. Ao longo da pesquisa, os pequenos passaram a não se comunicar verbalmente. Quando a tela era tirada, tornavam-se violentos a ponto de fazer birra.

    O conteúdo do estudo mostra como a exposição excessiva a conteúdos digitais limita a interação social, algo essencial para a aquisição da linguagem. A troca comunicativa envolve não apenas a repetição de palavras, mas também o aprendizado sobre tempo de espera, escuta ativa e interações dinâmicas com diferentes interlocutores. E os aparelhos com telas não oferecem este tipo de incentivo. “O cérebro infantil precisa ser constantemente estimulado por interações reais para desenvolver plenamente a fala. Até mesmo os desenhos que possuem palavras e programas educativos não substituem essa vivência, pois não há comunicação e troca efetiva”, esclarece a profissional.

    Segundo Marcella, profissionais de Fonoaudiologia conseguem detectar sinais de atraso antes mesmo dos seis anos, uma vez que o desenvolvimento da linguagem segue padrões esperados para cada fase. “Entre sete e onze meses, por exemplo, a criança deve ser capaz de repetir sons. Por exemplo, ´mama´ e ´papa´. Além disso, precisa demonstrar compreensão de gestos, como dar tchau. A ausência desses comportamentos costuma ser um indicativo da necessidade de uma avaliação com um fonoaudiólogo”, ressalta.

    “O atraso na fala tem múltiplas causas, como infecções de ouvido recorrentes ou falta de estímulo verbal adequado. No entanto, o uso de dispositivos eletrônicos tem se destacado cada vez mais como um fator significativo por reduzir o convívio social e privar a criança de experiências linguísticas enriquecedoras”, explica a professora.

    Entre os sinais que podem ser indícios de problemas com a verbalização e linguagem estão: diferentes tipos de choros nos primeiros meses, falta de interesse em se comunicar e dificuldade na formação de frases. Se alguma dessas situações for familiar, é indicado procurar um profissional da fonoaudiologia para orientar sobre o caso.

    “A boa notícia é que o diagnóstico precoce e a intervenção com estratégias simples podem reverter esse quadro, garantindo um desenvolvimento satisfatório da fala. Entre as medidas a serem adotadas estão a redução do tempo de exposição a telas, o estímulo a conversas e brincadeiras interativas, a leitura em voz alta e a participação ativa em atividades diárias. Assim, o pequeno aperfeiçoará suas habilidades comunicativas”, conclui Marcella Fuzzatti.

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