Tudo começou quando o casal José Romildo dos Santos (Mestre Jagunço) e Janaina Bemvindo (a Jana), ambos com origens distintas – ela, a garota da cidade grande, moradora da periferia carioca, e ele, oriundo de uma aldeia indígena do interior do Brasil, dividiram o sonho de contribuir para a diminuição da desigualdade social no subúrbio carioca. Desse incômodo em comum, no ano de 2019, nasceu A Casa de Bambas, um local para promover o desenvolvimento social, a paz, o amor, a solidariedade e o bem estar de pessoas em condição de vulnerabilidade social observando as premissas dos direitos humanos.

O sonho do casal tomou forma em um terreno em Cordovil, Zona Norte do Rio. Os dois, sempre envolvidos com arte, cultura, capoeira, começaram a oferecer atividades para crianças, realizando o sonho de impactar de forma positiva a vida de jovens e adultos que precisam de apoio.

A Casa oferece diferentes práticas multiculturais brasileiras, eles realizam atividades de Capoeira; Jongo; Samba de Roda; Maculelê; Dança Afro; Ballet Clássico; artesanato; Corte e Costura; Artes Circenses; O projeto tem crescido, e atualmente também conta com atividades diárias de promoção a leitura na Biblioteca Comunitária Christiane Torloni, localizada na sede, onde ainda acontecem encontros culturais mensais, levando para o espaço fazedores culturais de outras regiões.

Quem vê o projeto alavancando, não sabe o suor dos dois para conquistar esse espaço que tem atendido mais de a 815 pessoas, entre 04 e 70 anos, moradores das favelas do entorno do Conjunto Habitacional da Cidade Alta, com ações que visam a promoção e o resgate da cultura indígena e afro-brasileira, trabalhando uma educação antirracista e busca da equidade como forma de reparar os diferentes níveis de desigualdades existentes nos dias atuais. As atividades, apoiam os moradores de comunidades, não só na cultura e entretenimento, como na educação, conhecimento, e fomento a economia, ajudando com que participantes das oficinas oferecidas, conquistem espaço no mercado de trabalho, ou ainda desenvolvem o empreendedorismo com o ofício da costura e artesanato, assim como produção cultural.

Dentre os critérios para participar do projeto, as crianças e adolescentes devem estar matriculadas na rede regular de ensino. Janaina revela que 92% estão em escolas da rede pública, mas, calcula um índice de 80% de defasagem escolar no ensino médio, o que faz com que ela e toda equipe, busquem trabalhar junto aos jovens para a diminuição desta estatística ainda grande. Dentre os atendidos, 12 possuem deficiência sendo, três com deficiência intelectual, quatro com transtorno do espectro autismo, três com deficiência auditiva, um com deficiência visual e um com deficiência psicossocial.

Janaína conta que para ter êxito, ainda mais quando se é um projeto a dois, é preciso gerar no coração o mesmo sonho. E, conta que foi o caso deles, que mesmo em meio aos desafios encontrados, não se pode dar brecha para desanimar.

Ela ainda fala que assim como a maioria das favelas cariocas, seu público é formado prioritariamente por pessoas negras, mulheres, crianças, jovens (de 15 a 29 anos), idosos, com difícil acesso ao lazer e à produção cultural.

“Nas atividades da nossa organização, percebemos um potencial enorme na geração de renda a partir da produção artístico cultural, empreendimentos de economia criativa e das atividades socioambientais. Com as nossas oficinas realizadas, aos poucos, conseguimos ajudar a mudar a dura e violenta realidade da favela, através da arte e da cultura. Mostramos aos participantes, possibilidades existentes para confrontar a violência imposta no local. E, é esse o nosso desejo, mostrar que é possível transformar vidas através da arte, gerando para eles, fonte de renda com aprendizado, de forma que possamos eliminar as crenças limitantes de que atividades culturais são apenas para lazer”, revela.

Siga o Instagram: @acasadebambas

Deseja conhecer, ajudar, ou participar de alguma das atividades, conheça mais através do site:https://acasadebambas.org/