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    Home»Notícias»Saúde»Mês de combate ao câncer: médico patologista é o responsável pelo diagnóstico

    Mês de combate ao câncer: médico patologista é o responsável pelo diagnóstico

    26/02/2024Nenhum comentário Saúde
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    Sociedade Brasileira de Patologia alerta para a carência de profissionais dessa área no Brasil, o que pode prejudicar a efetividade do tratamento e o diagnóstico precoce dos pacientes oncológicos 

    Em fevereiro, reconhecido mundialmente como o mês de combate ao câncer, a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) alerta a sociedade civil, comunidade científica e poder público sobre o impacto da baixa disponibilidade de médicos patologistas no diagnóstico precoce da doença. Segundo a entidade, a falta desses profissionais no Brasil ameaça o rastreamento de todos os tipos de câncer, como os de próstata, mama, pele, cólon e reto, colo do útero, cavidade oral e pulmão, além de diversas outras doenças. Quanto mais rápido for feito o diagnóstico, maiores as chances de cura. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 80% das crianças e adolescentes acometidos pela doença, por exemplo, podem ser curados se diagnosticados e tratados precocemente.

    Segundo o relatório “Demografia médica no Brasil”, feito pela Faculdade de Medicina da USP, os patologistas no Brasil correspondem a 0,8% dos médicos especialistas no País. Atualmente, o Brasil conta com apenas 1,79 médico patologista para cada 100 mil habitantes, quando o ideal seria uma proporção de seis patologistas para cada 100 mil habitantes, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde).

    O patologista analisa tecidos retirados por biópsia ou removidos em cirurgia para fazer o diagnóstico preciso de um câncer — sendo esse passo essencial para sinalizar a escolha do melhor tratamento e para a cura em cada caso. Também é o patologista que classifica os tumores como benignos ou malignos, qual o seu subtipo e em que estágio de evolução se encontra.

    O diagnóstico precoce de câncer tem estado em evidência por conta da divulgação de casos em pessoas famosas — que, ao revelarem sua condição, acabam contribuindo para os esforços de identificação dos tumores malignos, os tratamentos e as eventuais curas. Casos recentes, como o da influenciadora Fabiana Justus, filha do publicitário Roberto Justus (diagnosticada com leucemia mieloide aguda), e o do Rei Charles (diagnosticado com um câncer por ora não detalhado pela coroa britânica), chamam a atenção das pessoas para a maior conscientização sobre os sintomas e os fatores de risco das doenças, além de ressaltar a necessidade de um diagnóstico oncológico precoce — o que passa necessariamente pelo trabalho dos patologistas.

    “Em uma equipe multidisciplinar para tratamento de câncer formada, por exemplo, por ginecologistas, oncologistas, hematologistas e urologistas, é o patologista quem conduz a investigação diagnóstica para determinar se o paciente passará por quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. É ele que vai dizer se o câncer é mais ou menos agressivo e estimar as chances de cura”, explica o presidente da SBP, Dr. Clóvis Klock. “A jornada oncológica começa sempre com o patologista e dele depende para ser bem-sucedida”, completa.

    Além da carência de médicos patologistas, a SBP menciona a reduzida cobertura dos procedimentos pelo SUS e a remuneração pouco atrativa desses profissionais em relação aos seus pares de outras especialidades como fatores que levam a uma demora no diagnóstico oncológico. “A baixa remuneração acaba impedindo que os procedimentos sejam ofertados com qualidade, já que o SUS muitas vezes não cobre sequer os custos de equipamentos e materiais básicos”, destaca o presidente da SBP. Outro obstáculo é a idade média dos profissionais, superior a 50 anos. “Estamos sobrecarregados e não temos substitutos”, acrescenta.

    No fim de 2022, a SBP encaminhou ao Ministério da Saúde um ofício solicitando alterações nos parâmetros de codificação e remuneração do SUS para a Patologia. Segundo o documento, a defasagem dos valores chega a seis anos, decorrente de um hiato de 13 anos sem reajustes.

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