
Hélio Oiticica influenciou uma leva de artistas que mantêm vivo seu estilo até hoje. Alguns deles estão na exposição “Órbita Hélio”, que reúne imagens de grande experimentalismo da arte brasileira, nas décadas de 60 e 70. Todos os artistas que participam da mostra conviveram com Oiticica e foram cúmplices em suas artes. Em alguns trabalhos, o próprio Hélio aparece retratado.
“Ele incentivava a produtividade, a criação a todo momento, sem fazer distinção entre a vida pessoal e profissional. Esses artistas beberam na fonte de Hélio, ganharam estatura e se firmaram com seus trabalhos”, conta Margareth Telles, fundadora do MT Projetos de Arte, que organiza a mostra.
A exposição traz ainda uma inédita foto tirada pelo próprio Hélio, documentando a chegada de Caetano Veloso ao exílio, em Londres, no final dos anos 60.
A exposição confere destaque a imagens de ex-alunos que assumiram, décadas após, o papel de parceiros artísticos: os irmãos Andreas e Thomas Valentin. A visita à exposição também permite reencontrar Hélio em companhia de Gal Costa, nos bastidores de show da cantora, de 1971, em registro de Frederico Mendes.
Neville de Almeida, conhecido parceiro do artista, também comparece. Roberta Salgado, autora dos “Poemas em objeto” que integram o Penetrável Tropicália, exibe um raro exemplar dessa série. Marcos Bonisson, jovem atraído pelas experimentações de Hélio, igualmente participa da mostra, com um lírico registro de criança em proposição do artista, no morro da Mangueira, em 1980. Ademais, marcante é a participação de moradores da Mangueira, em dinâmica interação com Bólides e Contrabólides. E também Parangolés. A cor, a obra, ativada pelo calor e movimento dos corpos: Nildo, Paulo Ramos, Nininha, Lilico e mestre-sala Delegado. A exposição conta, ainda, com imagens de Marcos Rodrigues, nos bastidores da última entrevista de Oiticica, concedida para o pintor Jorge Guinle e publicada na revista Interview.
Documentário sobre Helio Oiticica – Todas as terças-feiras é exibido, dentro da exposição, o minidoc ‘Hèliophonia”, que tem como base o quase-cinema de Oiticica e sua temporada em Nova York, na década de 1970. Com 13 minutos de duração, as gravações mostram a intimidade do artista, em um tom bastante informal. Marcos Bonisson, diretor do documentário e também expositor da Órbita Hélio , participa de um debate após cada exibição. A presença é por agendamento via e-mail.
Expediente: MT Projetos de Arte, Av. Beira Mar 454, Centro, RJ (agendar visita pelo e-mail: mtprojetosdearte@gmail.com)
Curadoria: Fernando Cocchiarale
Aberta até dia 28 de janeiro de 2022
Artistas: Hélio Oiticica Andreas Valentin Frederico Mendes Marcos Bonisson Marcos Rodrigues Neville de Almeida Roberta Salgado Thomas Valentin
Curadoria: Fernando Cocchiarale
Coordenação Geral: Margareth Telles
Direção Artística e Assessoria Jurídica: Lêo Pedrosa
Assistência de produção: Joana Marinho
Créditos fotográficos:
1. THOMAS VALENTIN_Hélio Oiticica com Bólide área água, Ogramurbana MAM, Rio de Janeiro, 1970_Fotografia Analógica – Impressão em gelatina de prata a partir de negativo
2. FREDERICO MENDES_Hélio Oiticica e Gal Costa Década de 1970, Rio de Janeiro _Díptico_Fotos analogicas_ Gelatina de prata em papel fotográfico_Circa 1971_24x36 cm 3, THOMAS VALENTIN_Hélio Oiticica com Bólide área água, Ogramurbana MAM, Rio de Janeiro, 1970_Fotografia Analógica – Impressão em gelatina de prata a partir de negativo