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    Empreendedorismo feminino: Mulheres desbravam a cena cultural do Rio de Janeiro para fazer arte no novo normal

    16/07/2021Nenhum comentário Notícias
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    Crédito das fotos: Janderson Pires

    Atrizes são também produtoras em adaptação audiovisual de peça para teatro-série de quatro episódios

    Alethea Dreams voltaria aos palcos quando a pandemia do novo coronavírus se instalou. Em um cenário incerto e sem percepção de melhora tão cedo, as atrizes Luciana Malavasi, Monique Franco e Francine Flach se viram obrigadas a pensar em uma alternativa para o projeto. “Tivemos que nos adaptar e achar novos caminhos para seguir, e o universo virtual parecia a única opção viável e segura ao mesmo tempo”, conta Luciana. Assim, a peça se transformou em um teatro-série a ser exibida no Youtube, que estreia no dia 15 de julho no canal Minutinho Cult.

    Com quatro episódios, tendo de 15 a 20 minutos cada, as produtoras, que também atuam na adaptação, buscaram não eliminar as características principais do teatro, ao mesmo tempo que procuraram absorver o melhor que o audiovisual tem a oferecer. As cenas do projeto foram capturadas pelas lentes sensíveis e detalhistas de uma câmera de cinema, gravadas em um palco de teatro italiano, e todos os episódios serão inclusivos, com opções de legenda ou audiodescrição.“Decidimos adequar nossa turnê para um produto virtual, mas sem ser uma peça filmada simplesmente, e sim uma gravação original, mesclando as linguagens do audiovisual com o teatro”, lembra Monique.

    O pioneirismo do trio funcionou e, após 10 meses de trabalho, elas conseguiram chegar no resultado desejado.

    “Acredito que esse híbrido entre teatro e cinema é muito potente, é uma nova linguagem que ainda estamos descobrindo, mas já vimos que funciona”, destaca Franco. Além da novidade em si, o novo formato ganha uma projeção maior, em que pessoas de qualquer lugar do mundo podem assistir a obra. O movimento também é importante para a cena cultural do país, de modo que artistas se tornam protagonistas da própria carreira. Criar em casa a partir do próprio celular e entrar em cartaz virtualmente, por exemplo, é uma transformação do mercado que ajuda artistas a empreenderem no ramo cultural.

    “A indústria cultural mudou muito nesses últimos anos, e as mulheres vêm se destacando também nos bastidores das produções, cenário antes dominado pelos homens. Esse ano, inclusive, a vencedora do Oscar como melhor direção foi a Chloe Zao, com um filme produzido por outra mulher, a Frances McDormand. Esse tipo de mudança, que só tem vantagens, é um sinal de evolução”, diz Malavasi, enquanto Monique destaca o orgulho em fazer parte de um projeto totalmente idealizado por mulheres, que desbravaram juntas um cenário de incertezas.

    Para Francine, esse processo provoca um sentimento de transbordamento. “É incrível as oportunidades que surgem a partir da necessidade. De alguma forma, conseguimos, nesse mundo extremamente conectado, capturar de um modo singular a efemeridade do teatro”. O trio conta que o ato de empreender vai além da liberdade de criar e contar histórias em que acreditam. No meio artístico, é também uma alternativa à expectativa de estar sempre esperando ser chamada para algum trabalho.

    “Ser artista no Brasil é uma missão árdua. A procura por trabalho é muito superior à demanda. Empreender é a possibilidade de ser independente e também deixar sua marca no mundo”, declara Flach.

    Alethea Dreams acaba sendo um registro da capacidade criativa e empresarial desse trio de artistas brasileiras, que arregaçaram as mangas e correram atrás, acreditando que seriam capazes de encontrar um jeito de viabilizar a continuidade do projeto original, interrompido temporariamente pela pandemia. Ainda assim, elas não descartam a volta da produção aos palcos. “É importante não ficar parada, se reinventar, mas continuo achando o Teatro insubstituível. Aquele encontro presencial do público com a obra, que é efêmero e único, não se encontra em nenhum outro lugar”, finaliza Monique.

    Alethea Dreams
    A trama mostra uma mulher bem sucedida em uma crise de identidade. Ao se olhar no espelho e não se reconhecer, Teresa B (Sabrina Faerstein) decide conhecer um procedimento inusitado, que promete transformar a vida dela. É quando vai a Alethea e conhece a Dra. Betina (Luciana Malavasi), que tenta persuadi-la a se submeter ao experimento, ressaltando os benefícios oferecidos a uma mulher cansada da própria imagem, que precisa descansar. A partir daí, o espectador é envolvido pelo desenrolar da grande mudança de vida proposta em Alethea.

    Questionando o que é sonho e o que é verdade, a narrativa debate temas em alta na sociedade, como a insatisfação humana, a construção da própria imagem versus as expectativas (por vezes irreais) dos outros na busca pela aceitação. A perfeição, perigosamente exibida nas redes sociais, também é abordada no decorrer da trama, questionando se é nela que mora a felicidade ou se é preciso pouco para ser genuinamente feliz. Em um mundo cibernético, em que padrões de beleza e de felicidade são quase que uma obrigação social, a narrativa traz a reflexão de até onde alguém iria para se encaixar nessa realidade utópica.

    Serviço Alethea Dreams
    Estreia: 15 de julho (quinta-feira), às 20h, com apresentações inéditas nos dias 16, 17 e 18 e bate-papo com a equipe após a exibição do último episódio na mesma plataforma.
    Onde: Canal Minutinho Cult, no YouTube.
    Classificação indicativa: 12 anos.
    Ingresso: Gratuito.

    Ficha Técnica Alethea Dreams | Teatro-série em 4 capítulos.
    Autor: Rafael Souza-Ribeiro.
    Diretor do novo formato: Jorge Nassarala
    Elenco: Francine Flach, Henrique Manoel Pinho, Luciana Malavasi, Monique Franco e Sabrina Faerstein.
    Preparação de elenco: Miwa Yanagizawa
    Produção: André Beck, Francine Flach, Luciana Malavasi e Monique Franco.

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