Alex Ferraz

Boca torta e fala enrolada podem indicar AVC

Boca torta, perda repentina de força em um braço ou perna e dificuldade para falar estão entre os sinais que podem indicar um acidente vascular cerebral, o AVC. Mesmo quando os sintomas desaparecem após alguns minutos, a orientação é procurar atendimento médico de urgência.

O alerta ganha destaque durante o Setembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre doenças cardiovasculares, mas deve ser observado durante todo o ano. Tanto o AVC quanto o infarto são condições tempo-dependentes, e o atraso na avaliação pode aumentar o risco de sequelas.

Segundo o cardiologista Thiago Marinho, do Hospital Mater Dei Goiânia, alterações na força muscular estão entre os principais sinais do AVC. A fraqueza pode atingir um braço, uma perna ou a musculatura da face, provocando desvio da boca para um dos lados.

Como reconhecer os sinais do AVC

Além da perda de força e da assimetria facial, o AVC pode provocar dificuldade para falar ou compreender, alterações repentinas da visão, tontura, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa.

Uma forma rápida de observar alguns sinais é pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase. Se houver dificuldade para realizar qualquer uma dessas ações, é importante buscar atendimento imediatamente.

Mesmo que a pessoa apresente melhora espontânea, a avaliação não deve ser adiada. O desaparecimento dos sintomas não elimina a necessidade de investigação médica.

“Sempre que o paciente tiver um quadro semelhante, deve procurar atendimento médico de urgência, mesmo que apresente melhora espontânea dos sintomas.”

Infarto pode ter sinais diferentes

No infarto, o sintoma mais conhecido é a dor no peito, geralmente descrita como peso, aperto ou queimação no centro do tórax. O desconforto pode irradiar para o pescoço, braços, costas, mandíbula ou região do estômago.

No entanto, nem todas as pessoas apresentam esse quadro clássico. Idosos, pessoas com diabetes e mulheres podem manifestar falta de ar, cansaço, suor frio e, em alguns casos, desmaio.

Esses sinais menos conhecidos podem atrasar a identificação do problema. Por isso, sintomas súbitos ou mal-estar intenso devem ser avaliados rapidamente, especialmente quando a pessoa apresenta fatores de risco cardiovascular.

“É melhor procurar o serviço de urgência e o infarto ser descartado do que ter o diagnóstico feito depois de 24 horas, com possíveis consequências para o coração.”

O cardiologista Thiago Marinho reforça que esperar a dor passar ou deixar para buscar atendimento no dia seguinte pode aumentar o comprometimento do coração. Portanto, diante de uma suspeita, a recomendação é procurar um serviço de emergência.

Fatores de risco podem ser silenciosos

Hipertensão, colesterol elevado e diabetes estão entre os principais fatores de risco para infarto e AVC. Muitas vezes, essas condições permanecem por anos sem provocar sintomas perceptíveis, o que pode dificultar o diagnóstico e a adesão ao tratamento.

A atenção deve ser maior quando existe histórico familiar de AVC ou infarto precoce, especialmente antes dos 50 anos. Nesses casos, o acompanhamento médico pode começar ainda na juventude para investigar possíveis alterações hereditárias que aumentem o risco cardiovascular.

A avaliação preventiva pode incluir aferição da pressão arterial e exames para verificar glicemia, colesterol e triglicerídeos. Conforme a idade, os sintomas, o histórico familiar e os fatores de risco, o médico também pode indicar eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e outros exames.

Prevenção começa na rotina

Grande parte dos infartos está relacionada a fatores modificáveis. Entre as medidas de prevenção estão alimentação adequada, prática regular de atividade física, controle do peso e do estresse, sono adequado, abandono do tabagismo e tratamento correto da hipertensão, do diabetes e do colesterol elevado.

Para a atividade física, o cardiologista lembra a recomendação de 150 a 300 minutos semanais de exercício aeróbico, associados a exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.

O cuidado preventivo não substitui a avaliação de sintomas agudos. Assim, sinais repentinos compatíveis com AVC ou infarto devem ser tratados como urgência, independentemente de a pessoa já ter ou não diagnóstico de alguma doença cardiovascular.

Serviço

Foto: Divulgação/Pixabay

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