Alex Ferraz

Calvin Harris faz do Rock in Rio uma pista gigante

O Rock in Rio 2026 viveu uma de suas noites mais dançantes no domingo (6). Com ingressos esgotados, Calvin Harris transformou o Palco Mundo em uma pista de dança a céu aberto e encerrou o terceiro dia do festival diante de uma multidão que enfrentou a chuva sem deixar a energia cair.

Primeiro DJ a ocupar a posição de headliner do principal palco do evento, o artista comandou uma noite marcada por grandes hits, encontros musicais e diferentes gerações reunidas na Cidade do Rock. Além disso, a apresentação aconteceu no ano em que a música eletrônica celebra 25 anos de presença no Rock in Rio.

Calvin Harris leva hits ao Palco Mundo

Com cerca de 80 milhões de ouvintes no Spotify e mais de 35 bilhões de streams acumulados na carreira, Calvin Harris levou ao festival uma experiência audiovisual de grande escala. Imagens no telão e iluminação a laser ampliaram a atmosfera de festa e acompanharam o repertório dedicado à música eletrônica e ao pop contemporâneo.

“One Kiss”, “We Found Love”, “This Is What You Came For” e “Summer” estiveram entre os sucessos que fizeram o público cantar e dançar. Dessa forma, o escocês consolidou uma apresentação histórica para o Palco Mundo e para a programação do festival.

“Achei sensacional! Colocar um DJ é uma escolha inusitada para um festival que vem do rock, que tem toda uma história desde 1985 e com tantas bandas brasileiras, mas acredito que a música é uma linguagem realmente diversa e simultânea.”

A declaração é de Lucca Fortuna, 29 anos, DJ do Rio de Janeiro, que foi à Cidade do Rock especialmente para assistir a Calvin Harris. Para ele, a escolha do artista como headliner reforça a diversidade que atravessa a trajetória do festival.

Black Eyed Peas, Nelly e Barão Vermelho

Antes do encerramento eletrônico, o Black Eyed Peas retornou ao Rock in Rio com uma apresentação guiada por efeitos visuais, coreografias e sucessos que ajudaram a ampliar o clima de festa no Palco Mundo. Will.i.am, apl.de.ap e Taboo se apresentaram ao lado de J. Rey Soul, que trouxe presença, atitude e potência vocal ao show.

Com seis Grammys na trajetória, o grupo passeou por músicas como “I Gotta Feeling”, “Pump It”, “Rock That Body” e “Don’t Lie”. Por outro lado, o espetáculo também ganhou sotaque carioca com “Rap do Silva”, em participação de Papatinho, além da apresentação inédita de “We live up in here”, parceria entre os artistas.

Eduardo Ferreira Campos, 36 anos, morador de Magé, no Rio de Janeiro, elogiou tanto a performance do grupo quanto os recursos visuais do Palco Mundo.

“Foi incrível a energia! A vocalista do Black Eyed Peas cantou bem e foi muito simpática do início ao fim.”

O fã também destacou a experiência de acompanhar os shows de diferentes pontos da Cidade do Rock. “De qualquer lugar dá para você curtir o show com esse telão. Tem gente que vem com os pais, que são mais idosos; tem gente que vem com os filhos, que são crianças, e que não querem ficar muito na frente. Dá para todo mundo curtir. E essas projeções, especialmente do show, ficaram muito boas”, afirmou.

Nelly fez sua estreia no Rock in Rio com uma camisa do Brasil e um repertório que revisitou hits importantes do hip-hop dos anos 2000. O rapper de St. Louis apresentou “Ride With Me” e pediu que o público iluminasse a plateia com as lanternas dos celulares antes de cantar “Dilemma”. Em seguida, fechou a participação com “Just a Dream”.

A abertura da programação no Palco Mundo ficou com o Barão Vermelho Encontro Formação Original. Roberto Frejat, Guto Goffi, Mauricio Barros e Dé Palmeira, com participação especial de Fernando Magalhães, resgataram a ligação da banda com o Rock in Rio e homenagearam Cazuza. Presente na primeira edição do festival, em 1985, o grupo apresentou clássicos como “Meus bons amigos”, “Pense e dance” e “Bete balanço”.

Sunset une Tim Maia e R&B

No Palco Sunset, o domingo começou com a estreia do duo Calema na Cidade do Rock. Sucesso em Portugal e também presente no Rock in Rio Lisboa, em junho, os irmãos de São Tomé e Príncipe apresentaram canções como “A Nossa Vez” e “Vai”, além de receberem Dilsinho para “Leva Tudo”.

Na sequência, o BaianaSystem incendiou a plateia com participações de Alice Carvalho, responsável pela direção do espetáculo e presença recorrente nos shows da banda, Antônio Carlos e Jocafi, o projeto Afrossinfonicas e o jamaicano Ranking Joe. A apresentação percorreu referências ao folclore brasileiro e sucessos como “Água”, “Sulamericano” e “Balacobaco”, parceria com Anitta.

Jota Quest assumiu o terceiro horário do Sunset com uma homenagem inteiramente dedicada a Tim Maia. O repertório reuniu canções do artista, entre elas “Dance enquanto é tempo”, responsável pela abertura, e “Acenda o farol”.

Um dos momentos mais emocionantes veio com Tony Tornado. Aos 97 anos, o cantor e ator, um dos precursores da black music no Brasil e amigo de Tim Maia, participou de “Sossego”. Mais tarde, Rogério Flausino desceu do palco para encontrar o público durante “Você”, antes de cantar “As dores do mundo” e receber Negra Li em “Descobridor”. Por fim, “Não quero dinheiro” encerrou o show em clima de celebração.

NE-YO fechou a programação do Sunset com uma sequência de hits que marcou sua carreira no R&B e no pop das últimas duas décadas. Dono de músicas como “So Sick”, “Miss Independent” e “Closer”, o cantor também se aproximou dos fãs nas grades durante a apresentação.

Festa continua pela Cidade do Rock

No New Dance Order, o movimento “Dance For a Better World” abriu os trabalhos com uma mensagem de amor, paz e diversidade, combinando luzes, coreografias e música eletrônica. O estudante Davi Fonseca, de 18 anos, definiu a proposta como “um recado muito importante, principalmente hoje em dia”.

Milena Vianna, também estudante de 18 anos, destacou a estrutura visual da abertura. “Foi uma abertura linda. O uso de LEDs e luzes deixou o espetáculo bem imersivo, foi muito legal”, disse. Enquanto isso, a programação seguiu com Sofi Tukker, Casa Bonita, formado por Brisotti e Viot, Liu e o trio MEDUZA, responsável por manter a pista em movimento até o último beat.

Outros espaços também reuniram diferentes sotaques musicais. No Espaço Favela, Budah abriu a programação, seguida por Rael e Xamã. O rapper encerrou a noite com um show entre rap, trap, funk e referências da música brasileira, incluindo “Malvadão” e “Leão”, parceria com Marília Mendonça.

O Supernova recebeu O Escritório, Bayside Kings, Matanza Ritual e o especial “Blitzkrieg Psycho Bop — Ramones 50 Years”, com João Gordo e Asteroides Trio. Já o Global Village começou com Bento Gil e Flor Gil, seguiu com Mãeana e terminou com Mohamed Ramadan, que levou a força do pop árabe para a Cidade do Rock.

Renovação de votos e praticidade

O domingo também guardou uma história especial na Rota 85. Juntos há 22 anos, Daniela Andrade e Dany Edson renovaram os votos de casamento na Cidade do Rock no dia da apresentação de NE-YO, artista que, segundo eles, acompanha a relação desde o início.

“O começo do nosso relacionamento foi marcado pelas músicas do NE-YO. Ele acompanha a nossa história desde o início, e hoje fazemos parte do fã-clube oficial dele no Brasil. Já tivemos a oportunidade de estar perto dele, tirar fotos e até de ela se comunicar com ele. Não poderíamos ter escolhido um dia melhor para renovar nossos votos.”

A cerimônia emocionou a juíza de paz Maria Vitória Riera, que celebrou o momento: “Nunca me emocionei tanto durante a celebração de uma cerimônia como essa. Que história linda!”

Além das atrações, o Rock in Rio mantém a venda antecipada de comidas e bebidas pelo aplicativo oficial. A modalidade permite que o público escolha itens de marcas como Heineken, Coca-Cola, Schweppes Mixed, Red Bull, Crystal e Bob’s antes de chegar ao festival, com pagamento por PIX ou cartão de crédito.

O produto deve ser retirado na Cidade do Rock mediante apresentação do QR Code gerado no aplicativo. Cada unidade adquirida possui um código próprio, pessoal e intransferível. A iniciativa ainda prevê desconto em novas bebidas para quem reutilizar ou devolver o copo recebido na primeira compra, reforçando a política sustentável do festival.

Serviço

Foto: Divulgação

Calvin Harris faz do Rock in Rio uma pista gigante
Sair da versão mobile