Alex Ferraz

Destino viral: 5 dicas para fugir do efeito manada

Um vídeo no Instagram ou no TikTok pode ser suficiente para transformar um destino desconhecido em prioridade na lista de próximas viagens. No entanto, entre a imagem exibida na tela e a experiência encontrada pelo turista, há detalhes que nem sempre aparecem no conteúdo publicado.

Com as redes sociais cada vez mais presentes na escolha de destinos, avaliar as recomendações antes de fazer as malas pode evitar frustrações. Além disso, esse cuidado ajuda o viajante a entender se o local combina de fato com seu perfil, seu orçamento e o período disponível para a viagem.

Redes sociais influenciam escolhas

O fenômeno foi analisado recentemente pela The Economist na reportagem “Can AI save tourists from the TikTok herd?”, publicada em 13 de agosto. O texto aborda como plataformas de avaliação, redes sociais e ferramentas digitais, incluindo a inteligência artificial, passaram a participar da descoberta de destinos.

A reportagem também chama atenção para o chamado “efeito manada” das redes, que pode concentrar turistas nos mesmos lugares. No início deste ano, por exemplo, a aldeia italiana de Funes, no Tirol do Sul, precisou restringir o acesso de carros ao entorno da igreja de Santa Maddalena, um dos pontos mais fotografados das Dolomitas. A medida veio depois que a viralização das paisagens intensificou o fluxo de visitantes na região.

O comportamento aparece também em pesquisas. Um levantamento da Data Axle, divulgado em abril de 2025, mostrou que dois terços dos viajantes da Geração Z usam as redes sociais como fonte de inspiração para escolher destinos. Ao mesmo tempo, 39% afirmam que criadores de conteúdo influenciam diretamente essa decisão.

No Brasil, o estudo “Scroll & Go: a jornada social dos viajantes brasileiros”, realizado pelo TRVL Lab, destaca o Instagram como uma das principais plataformas na descoberta de destinos e experiências.

Quando a inspiração vira roteiro

Ana Jacobs, especialista em marketing de influência e CEO da Jacobs Comunicação, vivenciou esse movimento recentemente. Depois de publicar conteúdos sobre uma estadia em Marbella, na Espanha, para seus mais de 50 mil seguidores no Instagram, a executiva recebeu mensagens de pessoas que disseram ter planejado uma viagem ao mesmo destino após acompanhar suas publicações.

“Eu não me considero influenciadora, mas cuido de influenciadoras que impulsionam esse movimento o tempo todo. Me surpreendi quando, ao compartilhar a minha própria experiência, percebi que meus roteiros estavam virando roteiros de viagem de outras pessoas”, explica Jacobs.

Para a especialista, as redes são ferramentas importantes de descoberta, mas a recomendação não precisa ser reproduzida exatamente como aparece no feed. “O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Por isso, a recomendação deve inspirar a viagem, mas nunca definir o roteiro”, afirma.

O alcance também gera impactos

O aumento repentino da visibilidade pode trazer consequências para moradores, trabalhadores e para a própria estrutura dos destinos. “Viralizar um destino sem pensar no impacto desse alcance pode transformar uma oportunidade de visibilidade em um problema para quem vive e trabalha naquele lugar. Por isso, é preciso analisar também as possíveis consequências que esse alcance pode causar”, complementa Ana.

Cinco pontos antes de reservar

1. Descubra se a viagem tem a sua cara

Nem toda viagem mostrada no feed tem o mesmo perfil. Portanto, é importante observar se o creator costuma falar de luxo, aventura, gastronomia, viagens econômicas ou escapadas de fim de semana.

Essa análise ajuda a entender se o destino combina com o seu jeito de viajar. “O contexto de quem recomenda faz diferença. Se você entende o perfil daquele creator, consegue avaliar melhor se aquela experiência também tem a ver com você”, explica Ana.

2. Nem tudo cabe em um vídeo de 30 segundos

Uma praia paradisíaca ou um restaurante charmoso pode despertar o desejo de conhecer determinado lugar. Antes de reservar, no entanto, vale investigar o que não apareceu no vídeo: como chegar, quanto tempo dura o deslocamento, se é necessário fazer reserva e como costuma ser o movimento.

“A imagem desperta o desejo, mas os detalhes ajudam a entender como aquela experiência realmente funciona ou o que ela exige”, afirma a especialista.

3. O momento da viagem também importa

Conteúdos de viagem continuam circulando muito depois de serem publicados. Por isso, confira quando a recomendação foi feita e observe se a época escolhida pelo creator é parecida com a sua.

Clima, temporada, feriados e eventos podem alterar completamente a experiência. “O momento da viagem também faz parte da escolha. O mesmo destino pode oferecer experiências muito diferentes ao longo do ano”, diz Ana.

4. Coloque todos os custos na ponta do lápis

Uma pesquisa da Globo/Offerwise mostra que 76% dos entrevistados comparam preços em diferentes sites antes de reservar. Além disso, 71% consideram o custo total da viagem na escolha do destino.

Os valores exibidos em conteúdos de viagem também podem estar desatualizados quando outro viajante decide fazer o mesmo passeio. Dessa forma, é necessário calcular passagem, hospedagem, transporte, alimentação, ingressos e demais gastos.

“Uma experiência isolada não representa o custo da viagem inteira. É importante colocar tudo na ponta do lápis”, explica Ana.

5. Inspire-se no feed, mas escreva seu próprio roteiro

Descobrir um lugar no Instagram não significa que seja preciso repetir a viagem exatamente como ela apareceu na publicação. Use a indicação para encontrar novas possibilidades e adapte o roteiro aos seus interesses, orçamento, tempo disponível e companhia.

“A ideia não é copiar a viagem de quem você acompanha, mas descobrir possibilidades que talvez você não encontrasse sozinho”, conclui Ana.

Foto: Divulgação

Destino viral: 5 dicas para fugir do efeito manada
Sair da versão mobile