Cervejas proteicas ganham espaço no mercado, mas não substituem o pós-treino. Com apelo voltado a consumidores que buscam saúde e desempenho, o mercado adiciona proteína à cerveja, mas especialistas alertam que o produto não equivale a uma refeição equilibrada.
A busca por produtos com maior teor de proteína e associados a um estilo de vida saudável tem levado o mercado a criar novas alternativas para consumidores que praticam atividade física. Entre as novidades estão as chamadas cervejas proteicas, bebidas que incorporam proteína à composição e são apresentadas como uma opção para quem deseja confraternizar após o treino sem abrir mão de uma proposta nutricional.
Apesar do apelo, a adição de proteína não transforma a cerveja em um alimento completo nem faz da bebida uma estratégia adequada de recuperação muscular. De acordo com o Dr. Márcio Augusto Trindade, nutricionista e professor da Afya São João Del Rei, o organismo necessita de uma combinação de nutrientes para se recuperar adequadamente após o exercício.
“A recuperação depende da combinação de proteínas, carboidratos, líquidos, vitaminas e minerais. Consumir apenas proteína não atende todas as necessidades do organismo”, explica o especialista.
Após o exercício, o corpo precisa repor diferentes nutrientes. Os carboidratos, por exemplo, contribuem para a reposição dos estoques de glicogênio, enquanto líquidos e eletrólitos participam da recuperação da hidratação. As proteínas, por sua vez, fornecem aminoácidos importantes para a reparação e a síntese muscular.
Proteína não transforma cerveja em refeição
Mesmo quando enriquecida com proteína, a bebida apresenta limitações quando comparada a uma refeição equilibrada. Além da variedade de nutrientes, também é necessário considerar a quantidade e a qualidade da proteína presente no produto.
“Apesar de conter proteína, ela não fornece todos os nutrientes necessários para o pós-treino e parte da proteína é colágeno, que possui menor eficácia para estimular a síntese muscular”, afirma Dr. Márcio.
O médico e professor da pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica Ribeirão Preto, Dr. Renato Zorzo, reforça que o consumidor deve olhar além das informações destacadas na embalagem. Termos como “proteico”, “diet”, “light” ou “orgânico”, segundo ele, não são suficientes para determinar se um produto é adequado a determinado objetivo.
“Todo e qualquer produto que tenha o marketing de oferta proteica ou de melhora da qualidade precisa ser analisado pela sua composição. No caso das cervejas, é importante observar quanto há de carboidrato, qual é a fonte desse carboidrato, qual é a fonte da proteína, se existe álcool e qual é a quantidade de cada componente”, explica.
Para quem busca ganho ou manutenção de massa muscular, o especialista ressalta que a cerveja proteica não deve ser considerada uma fonte de proteína dentro de uma estratégia nutricional. Alimentos e suplementos com composição mais adequada, como carnes, ovos, leite e derivados, além de opções como o whey protein, quando indicadas, podem cumprir esse papel de maneira mais apropriada.
E o álcool?
A presença de proteína também não neutraliza os efeitos do álcool. Nas versões alcoólicas, a bebida continua apresentando os efeitos associados ao consumo de álcool, que pode interferir em processos relacionados à recuperação após o exercício.
“Mesmo com a adição de proteína, a cerveja continua sendo uma bebida alcoólica. Portanto, permanecem os efeitos e os malefícios associados ao seu consumo”, destaca Dr. Renato.
O álcool continua prejudicando a recuperação muscular e a hidratação, afirma Márcio. Por isso, para quem busca uma estratégia de recuperação após o treino, a cerveja proteica, especialmente quando contém álcool, não deve ser encarada como substituta de uma refeição ou como recurso de estratégia nutricional planejada.
Alternativa para quem já consumiria
Embora não seja indicada como estratégia de recuperação muscular, o médico nutrólogo pondera que a cerveja proteica pode assumir outra função: ser uma alternativa para pessoas que já pretendem consumir cerveja em uma confraternização.
“Ela entra justamente como uma opção melhor caso a pessoa vá consumir cerveja de todo jeito. Agora, uma pessoa que não iria consumir cerveja não deve tomar a cerveja só porque ela é proteica”, ressalta.
Foto: Divulgação
