Alex Ferraz

Autoridade, não alcance, define influência real

Em uma disputa cada vez mais acirrada pela atenção do público, ter audiência não significa necessariamente ter autoridade. Essa foi a provocação central do painel Autoridade que constrói influência, promovido pela Deck durante o REPCOM Influência 2026.

Mediado pela CEO da agência, Pollyana Miranda, o encontro reuniu três nomes de trajetórias distintas para discutir um mesmo desafio: como construir influência de longo prazo em um ambiente marcado pelo excesso de conteúdo. A conclusão dos debatedores foi unânime, embora ancorada em experiências diferentes: consistência, conhecimento, vulnerabilidade e capacidade de gerar transformação real são os novos ativos de quem deseja ser ouvido.

Vulnerabilidade como ativo

Nina Silva, executiva e fundadora do Movimento Black Money, abriu a discussão trazendo uma perspectiva pouco convencional sobre autoridade. Para ela, esse conceito não está apenas nas conquistas que uma pessoa comunica publicamente, mas também na disposição de mostrar bastidores, desafios e aprendizados ao longo do caminho.

Segundo Nina, mais do que números de alcance, a influência se consolida quando existe capacidade real de gerar transformação e impacto na vida das pessoas. Assim, a executiva reforçou que a métrica mais importante não é o tamanho da audiência, mas o que se faz com ela.

O cavalo de Troia do conhecimento

Iberê Tenório, criador do Manual do Mundo, trouxe ao painel a experiência acumulada em um dos canais mais populares do país voltados à divulgação científica. Ele explicou como o próprio crescimento da audiência aumenta, na mesma proporção, a responsabilidade sobre aquilo que se publica.

Entre os pontos mais interessantes da fala, o criador detalhou sua estratégia de usar assuntos populares e curiosos como um cavalo de Troia: o tema chamativo atrai a atenção inicial do público, mas conduz, em seguida, para conhecimento e aprofundamento reais. Para Iberê, reconhecer os próprios limites e estudar antes de opinar também faz parte da construção de credibilidade ao longo do tempo.

O risco de perseguir alcance

Pedro Rodrigues, especialista do CBIE, trouxe um contraponto importante ao debate. Ele alertou para o risco de perseguir alcance a qualquer custo, especialmente em áreas que exigem conhecimento técnico consolidado, como o setor de energia.

Nesses contextos, segundo o especialista, a credibilidade está diretamente ligada à profundidade e ao domínio do assunto discutido. Portanto, é justamente nesse ponto que especialistas podem fazer a diferença para marcas e organizações que buscam construir uma comunicação mais sólida e confiável.

Alcance é apenas o começo. Autoridade é o que transforma visibilidade em confiança, e confiança em influência de verdade.

Por fim, a conclusão do painel resume o espírito do debate: em um ambiente em que qualquer pessoa pode disputar atenção, o verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar essa visibilidade em algo duradouro. Dessa forma, os três participantes reforçaram que autoridade não se compra, se constrói, e que a construção passa necessariamente por consistência, conhecimento e transparência.

Foto: Divulgação

Autoridade, não alcance, define influência real
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