Alex Ferraz

Mesa comunitária protagoniza restaurante da CASACOR Minas

No restaurante oficial da CASACOR Minas Gerais 2026, a arquitetura nasce de um gesto simples e simbólico: reunir pessoas em torno da mesma mesa. Assinado pelos arquitetos mineiros Paulo Campos e Sarah Floresta, da Balsa Arquitetura, o ambiente homenageia a chef, artista visual e física Agnes Farkasvölgyi, uma das personalidades mais criativas da gastronomia mineira.

À frente do tradicional Bouquet Garni, em Belo Horizonte, além de A Casa da Agnes e do restaurante Chafariz, em Ouro Preto, Agnes construiu uma trajetória marcada pelo diálogo entre gastronomia, arte e hospitalidade. Esses valores inspiram toda a concepção do espaço apresentado na mostra.

Uma mesa para 65 pessoas

Inspirado pelo tema da mostra, “Mente e Coração”, o projeto transforma o restaurante em uma experiência de convivência. No lugar da configuração tradicional de mesas distribuídas pelo salão, uma única mesa comunitária para 65 pessoas percorre todo o ambiente.

A proposta convida os visitantes a compartilhar o espaço de forma espontânea, sem abrir mão de experiências individuais. Se o coração se manifesta na grande mesa compartilhada, símbolo do encontro, da conversa e da permanência, a mente aparece na inteligência do desenho que percorre sua superfície.

Revestida por azulejos artesanais de diferentes cores, formas e composições, a mesa apresenta uma paginação que nunca se repete ao longo do percurso. Assim, embora todos compartilhem a mesma estrutura, cada lugar revela uma paisagem visual única e estabelece uma relação singular com o ambiente.

Existe uma característica muito bonita da cultura mineira que é a mesa como lugar de permanência. Ela não serve apenas para comer, mas para conversar, celebrar e criar vínculos. Quisemos reinterpretar essa tradição de forma contemporânea, transformando uma única mesa no coração do projeto

A afirmação é de Paulo Campos, arquiteto da Balsa Arquitetura. Segundo ele, a composição aproxima as pessoas, mas também respeita a individualidade de cada uma, já que cada lugar conta uma história diferente.

Cor e materialidade

Conhecido pelo uso expressivo das cores, o escritório constrói uma atmosfera vibrante sem abrir mão do acolhimento. O piso em tom rosa dialoga com as paredes em marrom profundo, criando uma base quente e envolvente para a composição.

As grandes fachadas de vidro ampliam a relação com a paisagem externa, enquanto o forro têxtil suspenso filtra a luz natural e contribui para uma atmosfera que se transforma ao longo do dia.

A materialidade reforça o protagonismo da marcenaria. Os padrões da Duratex aparecem integrados ao projeto como parte da linguagem arquitetônica concebida pela Balsa. O Hibisco imprime personalidade ao mobiliário e cria um contraponto à paleta predominante.

O Marrom Retrô reveste o painel que organiza a área da cozinha, enquanto o lançamento Carvalho Brun estrutura o forro suspenso em tecido. Dessa forma, o MDF participa de soluções que unem precisão construtiva, desempenho e expressão estética.

É muito significativo ver um projeto concebido por arquitetos mineiros homenageando uma profissional que ajudou a construir a identidade da gastronomia contemporânea de Minas Gerais. A materialidade participa dessa narrativa ao dar forma a espaços que despertam memória, acolhimento e conexão

Para Patrícia Cisternas, gerente de Marketing da Duratex, quando o design consegue traduzir uma cultura, os materiais deixam de ser apenas acabamento e passam a fazer parte da experiência.

Arte e hospitalidade

A iluminação acompanha o percurso sensorial do projeto. Durante o almoço, a luz natural predomina e dialoga com a transparência das fachadas. À medida que o dia avança, o ambiente ganha uma atmosfera mais intimista, valorizando a mesa, a marcenaria e as obras de arte distribuídas pelo restaurante.

Mais do que homenagear uma chef, o espaço procura traduzir o universo criativo de Agnes Farkasvölgyi. Ao longo de sua trajetória, ela aproximou gastronomia e artes visuais, transformando a cozinha em uma forma de expressão.

Essa identidade aparece por meio de objetos de seu acervo, obras de sua autoria e elementos que revelam uma profissional acostumada a transformar refeições em experiências culturais. A dimensão artística se amplia com a curadoria da ArtWish Galeria, que reúne obras da própria Agnes, grandes telas do coletivo Pé de Pavão e trabalhos da artista Nydia Negromonte.

Integradas à arquitetura, as obras reforçam o ambiente como um território de encontros entre diferentes linguagens criativas. Por fim, a Balsa Arquitetura propõe uma reflexão sobre a hospitalidade contemporânea e sobre como escolhemos ocupar os espaços e nos relacionar com as pessoas.

Serviço

Foto: Jomar Bragança

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