Alex Ferraz

IA já compra por conta própria; PMEs entram no jogo

A inteligência artificial deu um passo além dos chatbots e das recomendações automáticas. Agora, agentes de IA já conseguem pesquisar produtos, comparar preços, tomar decisões de compra e até iniciar transações financeiras em nome de pessoas e empresas, dentro de limites previamente definidos. Esse movimento tem nome: comércio agêntico, e ele já deixou de ser projeção para se tornar realidade dentro do mercado brasileiro de consumo e pagamentos.

Para discutir os impactos dessa transformação, a Pagos, Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos, e a TNS, provedora global de soluções gerenciadas de conectividade e infraestrutura para pagamentos, promovem nesta quarta-feira, dia 19 de agosto, às 18h, o webinar gratuito “PMEs na era dos agentes: quem vai liderar a próxima onda do comércio?”.

A iniciativa é organizada pelo Grupo de Trabalho de Comércio Agêntico da Pagos e reúne quatro nomes de peso do setor: Linconl Rocha, presidente da Pagos; Valeria Carrete, diretora comercial da TNS; Pedro Bramont, diretor de Inteligência Aplicada do Banco do Brasil; e Cadu Santiago, gerente de Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional.

Uma nova lógica de comprar e vender

O debate ganha relevância porque o comércio agêntico altera a lógica tradicional da jornada digital de compra. Em vez de uma pessoa buscar, escolher, clicar e pagar diretamente, agentes de inteligência artificial passam a atuar como intermediários ativos dessa decisão. Na prática, isso exige respostas novas para questões como consentimento, autenticação, autorização delegada, segurança e prevenção a fraudes.

Além disso, o tema levanta questões sobre governança de dados, rastreabilidade e responsabilidade em casos de erro, contestação ou compra indevida. São pontos que, até pouco tempo atrás, pareciam distantes da realidade das pequenas e médias empresas, mas que agora entram na pauta com urgência.

Para o setor de telecomunicações e infraestrutura digital, o assunto também é estratégico. A expansão de jornadas automatizadas de compra e pagamento depende de conectividade confiável, disponibilidade de sistemas, integração entre plataformas e segurança de redes. Essa estrutura precisa sustentar operações em diferentes canais, do e-commerce ao WhatsApp, passando por marketplaces, sistemas de atendimento e pontos físicos de venda.

O que dizem os especialistas

Segundo Valeria Carrete, diretora comercial da TNS, o comércio agêntico representa uma mudança que vai muito além da interface de compra. “O comércio agêntico não é apenas uma evolução de interface. Ele muda a forma como a intenção de compra é expressa, como credenciais e consentimentos são gerenciados e como riscos são avaliados”, afirma a executiva.

Ela reforça ainda que empresas de todos os portes precisarão se adaptar a essa nova realidade. “Empresas de todos os portes precisarão entender quais controles mínimos devem existir para operar com segurança e previsibilidade em um cenário em que agentes de IA passam a iniciar transações”, completa.

Pagamentos eletrônicos dependem de confiança. Quando agentes de IA passam a iniciar transações, precisamos construir rapidamente boas práticas para consentimento, autenticação, segurança, governança de dados e responsabilização.

A afirmação é de Linconl Rocha, presidente da Pagos, que destaca a necessidade de coordenação entre diferentes agentes do ecossistema financeiro. Para ele, o mercado precisa desse debate com pragmatismo e visão de futuro, especialmente para que pequenas e médias empresas não fiquem à margem dessa transformação.

Bastidores da primeira compra feita por IA no Brasil

Entre os temas previstos para o encontro, estão a definição do que é comércio agêntico e os motivos pelos quais ele já deixou de ser apenas uma tendência futura. O webinar também promete revelar os bastidores da primeira compra feita por um agente de inteligência artificial no Brasil, um marco que ilustra o quanto essa tecnologia já avançou dentro do mercado nacional.

Outros pontos da programação incluem as novas formas de vender, pagar e se relacionar com clientes, além dos pilares de preparação para que pequenas e médias empresas consigam se adaptar a esse novo ambiente competitivo. Dessa forma, o encontro busca oferecer um panorama prático, e não apenas conceitual, sobre o tema.

Experiência prática e olhar sobre as PMEs

A presença do Banco do Brasil no painel permitirá tratar de experiências práticas e casos reais de aplicação da inteligência artificial em jornadas de compra e pagamento. Já a participação do Sebrae Nacional amplia a discussão para o universo das pequenas e médias empresas, que tende a ser diretamente impactado por novas formas de descoberta de produtos, atendimento automatizado e decisão de compra assistida por IA.

Por fim, a agenda é especialmente relevante para empresas de varejo, serviços, tecnologia, fintechs, telecomunicações, meios de pagamento, automação comercial, e-commerce, marketplaces, atendimento digital, conectividade, segurança e infraestrutura transacional. Para esse público, o comércio agêntico representa uma mudança estrutural que exige preparar sistemas, dados, autorizações, pagamentos e canais comerciais para um cenário em que softwares passam a tomar decisões operacionais em nome de clientes e empresas.

Serviço

Foto: Divulgação

IA já compra por conta própria; PMEs entram no jogo
Sair da versão mobile