Alex Ferraz

Rocinha UP estreia com programação gratuita na comunidade

Rap, moda, artesanato e sustentabilidade vão se encontrar na Rocinha no próximo sábado, dia 15 de agosto, a partir das 11h, durante o lançamento do Rocinha UP, na Igreja Metodista da Rocinha. O projeto nasce com a proposta de transformar kimonos de jiu-jítsu, tatames e resíduos têxteis em produtos de moda sustentável por meio do upcycling, criando uma cadeia produtiva dentro da própria comunidade e gerando oportunidades para costureiras, modelistas, pilotistas, designers e outros profissionais locais.

Para marcar o início das atividades, o projeto preparou uma programação cultural gratuita que reúne feira de artesãs locais, oficina de transformação têxtil, palestra sobre educação ambiental e exposição das primeiras peças produzidas pelo Rocinha UP. O encerramento ficará por conta do rapper Pyetrin, cria da Rocinha e representante da nova geração do rap local.

Revelado nas batalhas da Roda Cultural da Rocinha, o rapper começou sua trajetória em um dos espaços de formação e valorização de novos MCs do território. Sua participação reforça a proposta do evento de abrir espaço para diferentes manifestações culturais e para os talentos da própria comunidade.

Economia circular e inclusão produtiva

Idealizado pela designer e produtora cultural Paula Maia, em parceria com o professor de artes marciais Paulo Cunha, o Rocinha UP foi selecionado pelo Programa PISTA – Conectando Territórios Inovadores, da Faperj. A iniciativa une economia circular, inclusão produtiva, educação ambiental e valorização dos talentos da Rocinha, transformando materiais que seriam descartados em novos produtos e oportunidades de geração de renda.

A proposta é fazer do lançamento um encontro entre diferentes expressões da cultura e da criatividade produzidas na Rocinha. Além da música, o público poderá acompanhar atividades ligadas à moda, ao artesanato, à educação ambiental e ao reaproveitamento de materiais, reunindo profissionais da comunidade e convidados.

Um dos destaques será a feira colaborativa de artesãs locais, organizada pela Escoart em parceria com o Ateliê Metodista da Rocinha. A iniciativa abre espaço para trabalhos produzidos por mulheres da região e aproxima o público da economia criativa que movimenta o território.

A programação terá ainda a oficina Transformação Têxtil, com Rita de Cássia, que ensinará técnicas de costura criativa para transformar camisetas de malha em bolsas e outros objetos utilitários, colocando em prática um dos princípios do upcycling: aproveitar materiais existentes para criar novos produtos e prolongar sua vida útil.

A relação entre sustentabilidade, consumo e reaproveitamento também será tema da palestra “O Lixo que Vale Ouro”, apresentada pela engenheira florestal Aurora Segall. Com mais de 20 anos de atuação em projetos de sustentabilidade, Aurora é fundadora do Instituto Terra of Tomorrow e trabalha nas áreas de consultoria ambiental, recuperação de áreas degradadas, economia circular, ESG e crédito de carbono.

Primeiras peças do Rocinha UP

A moda completa a programação com a apresentação das cinco primeiras peças desenvolvidas pelo Rocinha UP: mochila, pochete, ecobag, nécessaire e case para notebook. Kimonos de jiu-jítsu e outros resíduos têxteis são a matéria-prima para a criação dos produtos, que fazem parte da primeira etapa de uma coleção que deverá chegar a dez modelos.

Paula Maia traz para o Rocinha UP uma trajetória ligada à economia circular. Criadora do Faz Girar Market, em 2019, ela desenvolve há anos ações voltadas ao consumo colaborativo e ao reaproveitamento. A experiência começou a ganhar forma depois de um período em que viveu na Espanha e teve contato mais próximo com práticas de reciclagem, reutilização e consumo consciente.

“Queremos que o lançamento já mostre o espírito do Rocinha UP: reunir pessoas, trocar conhecimento, valorizar quem produz na Rocinha e mostrar que sustentabilidade também pode gerar criatividade, trabalho e novas oportunidades”

A campanha de arrecadação já está acontecendo. Por enquanto, são quatro os pontos de coleta já definidos na Rocinha, no Leblon e na Barra da Tijuca. A proposta é ampliar essa rede e mobilizar academias de luta de outras regiões do Rio de Janeiro para que kimonos que não são mais utilizados possam ganhar novos usos por meio do upcycling.

Serviço

Doação de kimonos

Programação

Foto: Divulgação

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