O Samba 3, obra concorrente ao título de samba-enredo para o carnaval de 2027 da Estação Primeira de Mangueira, confirmou sua classificação para a próxima fase da disputa em uma apresentação amplamente celebrada como uma das mais impactantes da noite do último sábado, 8, na quadra da Verde e Rosa da zona norte carioca.
Quadra lotada e coro unânime
Completamente tomada pelo público, a quadra de ensaios da Mangueira foi palco para que o samba da parceria de Xande de Pilares, Gilson Bernini, Karinah, Beto Savanna, Felipe Mussili e Gustavo Clarão afirmasse a sua potência à obra campeã. Isso, porque a comunidade e, principalmente, a classe sambista do carnaval carioca, cantaram em coro do início ao fim o samba, deixando clara uma demonstração forte de identificação com as raízes da agremiação e os traços do enredo.
A performance ganhou ainda mais força com a participação de Xande de Pilares no palco que, mesmo em turnê com o Grupo Revelação, ajustou a sua agenda para estar na eliminatória do último sábado para ouvir e sentir a reação do mangueirense com o samba de sua parceria, elevando a entrega da parceria e intensificando a conexão com o público presente.
“O palco da Mangueira não é um palco comum, né, aquele palco tem alguma coisa que a gente não consegue explicar! Todo mundo sabe que eu sou salgueirense, mas, já venho disputando samba na Mangueira com o Bernini há um bom tempo e o respeito que o sambista tem um com o outro e as agremiações entre elas é o que me faz motivar disputar na Mangueira, mas, nessa última apresentação deste samba eu senti uma coisa muito diferente, uma energia muito boa, muito diferente ao samba passar, espero que esse seja um motivo legal. Vamos continuar o trabalho!”, disse Xande.
Karinah celebra identificação com Oyá
Karinah, única mulher assinando o “Samba 3”, celebra a passagem da obra à próxima fase do concurso pelo samba de “Oyá por Nós, Minha Mãe, com o Seu Axé” e comentou como a escola, principalmente a mulher, se identifica com o Orixá.
“O nosso samba tem fundamento. Ele dialoga com a ancestralidade da escola, com a força dos terreiros, como o terreiro de Tia Fé, com a memória das mulheres que sustentaram a Verde e Rosa e com a comunidade que mantém essa tradição viva. Seguimos trabalhando com humildade, porque a disputa continua, mas muito felizes por sentir que esse samba está sendo abraçado por quem realmente faz a Mangueira acontecer. Um enredo que celebra Oyá e reverencia mulheres que ajudaram a construir a história da Mangueira. Elas abriram caminhos para que hoje eu pudesse estar aqui, compondo e vivendo esse momento. Esse samba nasceu para o povo de Mangueira. É a comunidade quem dá vida a ele na Avenida.”, declarou.
Ela complementou as coincidências entre a história da Mangueira e a letra composta junto dos seus parceiros: “Não é por acaso que o nosso enredo volta a essa origem. E também não é por acaso que o Samba 3 soa como um samba de raiz, feito para a comunidade, para quem conhece e sente o fundamento da Verde e Rosa”, finalizou.
Serviço
- Disputa de samba-enredo Mangueira
- Data: 15 de agosto, a partir das 20h
- Ordem de apresentação: 3° samba da noite
- Local: quadra da Mangueira (R. Visconde de Niterói, 1072, Mangueira, RJ)
- Ingressos: sympla.com.br
Foto: Divulgação


