Depois de décadas escrevendo para a televisão e o streaming, a roteirista Angela Chaves decidiu emprestar sua imaginação às ruas do Rio de Janeiro. Na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2026, ela lança “Histórias de Ferro e Pedra” (Editora Mondru), coletânea de sete contos que transforma estátuas, chafarizes, praças e monumentos cariocas em protagonistas de narrativas fantásticas.
O livro será apresentado no dia 24 de julho, às 18h30, no Auditório Areal, durante a mesa “Grades, Praças, Gargalhadas, o indivíduo contra o mundo”, ao lado dos escritores Celso Tadhei e Murilo Veludo Ferreira.
Uma carreira consolidada na TV e no streaming
Mestra em Literatura Brasileira, Angela Chaves construiu uma trajetória sólida como roteirista. Ao longo da carreira, escreveu e colaborou em séries e novelas como Éramos Seis, Os Dias Eram Assim e Maysa – Quando Fala o Coração, trabalho que lhe rendeu uma indicação ao Emmy.
Mais recentemente, criou e escreveu a série Pedaço de Mim, da Netflix, além de assinar a adaptação do romance Véspera, de Carla Madeira, para a HBO Max. Em 2025, recebeu o prêmio da APCA de Melhor Novela por Pedaço de Mim e também foi indicada ao Rose d’Or Latinos e ao Prêmio ABRA de Roteiro pela mesma obra, que figurou entre as dez séries de língua não inglesa mais assistidas da Netflix no mundo.
E se os monumentos observassem a vida das pessoas?
Em “Histórias de Ferro e Pedra”, Angela parte de uma pergunta simples para construir todo o universo do livro: e se os monumentos observassem a vida das pessoas? A partir dessa premissa, a autora cria um mundo em que esculturas, calçadas, fontes e estátuas escondem desejos, ressentimentos, lembranças e sonhos.
Inspirados em monumentos e espaços públicos reais do Rio de Janeiro, os contos convidam o leitor a observar a cidade como um exercício da imaginação. Dessa forma, o livro embaralha as fronteiras entre fantasia e memória urbana.
A estátua que desapareceu e voltou
A ideia do livro nasceu de um episódio real envolvendo a estátua Inverno, instalada no Passeio Público do Rio de Janeiro. A escultura desapareceu por um período, reapareceu em outro local e depois voltou ao parque, despertando a curiosidade da autora.
Esse livro começou com o encanto pela estátua Inverno e sua história real, quando esteve desaparecida do Passeio Público e apareceu em outro lugar. Depois voltou ao Passeio Público. Isso motivou minha imaginação.
A partir desse primeiro impulso, desenvolvido durante um curso de leitura e escrita com Rona Hanning, surgiram os demais contos da coletânea.
Sete universos, sete monumentos
Cada conto constrói um pequeno universo fantástico inspirado em um patrimônio real da cidade. A estátua Inverno, moldada em ferro e estanho, sonha com alguém capaz de compreender sua solidão. Enquanto isso, a deusa Tétis, no Jardim Botânico, observa discretamente os amores humanos.
- Duas esculturas de leões disputam protagonismo no Largo dos Leões
- Uma lagartixa aventureira desafia a imobilidade de Santa Genoveva
- As pedras portuguesas de Vila Isabel transformam relações amorosas em partituras melancólicas
- Personagens inusitados habitam o Cemitério São João Batista e o Colégio Orsina da Fonseca
Ao final de cada narrativa, notas históricas apresentam a origem, a localização e a história dos monumentos que inspiraram a ficção, aproximando fantasia e realidade.
Um convite para acordar contadores
Para a autora, a principal proposta da obra é provocar um novo olhar sobre aquilo que faz parte da rotina das pessoas. “Com este livro, procura-se acordar contadores. Da próxima vez que passar por uma figura de ferro ou pedra, no Rio de Janeiro ou em qualquer lugar do planeta, o convite é olhar o mundo como exercício da imaginação”, afirma Angela.
Por fim, a orelha da obra é assinada pela escritora Luize Valente, que destaca o caráter poético, memorialístico e lúdico da coletânea.
Sobre a autora
Angela Chaves nasceu no Rio de Janeiro, cresceu na zona norte da cidade e atualmente divide seu tempo entre a zona sul carioca e o sertão do Nordeste. É formada em Letras, mestre em Literatura Brasileira (1993) e atuou como roteirista da Globo entre 1995 e 2021. Atualmente está à frente da produtora Palavra Chave, dedicada ao mercado audiovisual.
Tem cinco livros infantis e infantojuvenis publicados, além de séries, novelas e minisséries para a televisão. Nas redes, é @angelachaves66.
Serviço
- Lançamento: Histórias de Ferro e Pedra (Editora Mondru)
- Mesa: “Grades, Praças, Gargalhadas, o indivíduo contra o mundo” – com Angela Chaves, Celso Tadhei e Murilo Veludo Ferreira
- Data: 24 de julho de 2026 (sexta-feira)
- Horário: 18h30
- Local: Auditório Areal, Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
- Sessão de autógrafos no estande da Mondru: data e horário a confirmar
Foto: Divulgação
