Alex Ferraz

Intolerância à lactose: sintomas e diferenças

A intolerância à lactose é uma condição comum que afeta milhões de pessoas e pode impactar diretamente a qualidade de vida. No Brasil, mais de 50% da população tem tendência a desenvolver o problema, segundo estudo do laboratório Genera, o que reforça a importância de entender seus sintomas e formas de manejo.

O quadro ocorre quando o organismo produz pouca ou nenhuma lactase, enzima responsável por digerir a lactose — o açúcar natural do leite. Sem essa enzima em quantidade suficiente, o corpo não consegue processar adequadamente o alimento, o que leva ao surgimento de desconfortos após o consumo de laticínios.

Como a condição se manifesta

De acordo com o médico e professor de nutrologia da Afya Ribeirão Preto, Dr. Renato Zorzo, a intolerância pode aparecer em diferentes fases da vida e variar bastante de intensidade. Além disso, a produção de lactase tende a diminuir naturalmente com o passar dos anos, o que explica por que muitos indivíduos passam a apresentar sintomas na adolescência ou na vida adulta.

“A intolerância à lactose é a expressão clínica da insuficiência de lactase, e a maioria das pessoas está em algum ponto entre os extremos”, afirma o especialista. Enquanto alguns toleram pequenas quantidades de leite, outros apresentam desconforto mesmo com doses reduzidas.

Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal, estufamento, gases, náusea e diarreia. No entanto, também podem ocorrer cólicas intensas, distensão abdominal, ruídos intestinais e urgência para evacuar. Em casos mais severos, surgem mal-estar, sudorese e desconforto significativo logo após o consumo.

Nem sempre é preciso cortar tudo

Segundo Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, a intolerância à lactose costuma ser dose-dependente. Dessa forma, nem sempre é necessário eliminar completamente os laticínios da alimentação.

Cada organismo reage de forma diferente, levando em conta fatores como quantidade ingerida, tipo de alimento e até a microbiota intestinal. Assim, muitas pessoas conseguem consumir pequenas porções sem apresentar sintomas relevantes.

O especialista destaca que a recomendação atual é individualizar a dieta. Além disso, é importante evitar restrições excessivas, preservando nutrientes essenciais como cálcio, proteína, vitamina D e vitamina B12 sempre que possível.

Intolerância não é alergia

Apesar da confusão comum, intolerância à lactose e alergia ao leite são condições diferentes. A primeira está relacionada à dificuldade de digestão do açúcar do leite e não envolve o sistema imunológico.

Já a alergia ao leite é uma resposta imunológica às proteínas lácteas, como a caseína. Nesse caso, mesmo pequenas quantidades podem provocar reações mais graves, incluindo coceira, urticária, vômitos, falta de ar e até anafilaxia.

“A intolerância é uma reação ao açúcar do leite, enquanto a alergia envolve uma resposta do sistema imunológico às proteínas lácteas”, explica Righi. Portanto, o diagnóstico correto é essencial para definir o tratamento adequado.

Além disso, produtos sem lactose não são seguros para pessoas com alergia ao leite, já que continuam contendo as proteínas responsáveis pelas reações alérgicas.

Por fim, entender as diferenças entre as condições e reconhecer os sintomas é fundamental para garantir bem-estar e segurança alimentar no dia a dia.

Foto: Divulgação

Intolerância à lactose: sintomas e diferenças
Sair da versão mobile