Alex Ferraz

Fórum de Meio Ambiente debate recuperação hídrica no Rio

A recuperação ambiental da Zona Sudoeste do Rio de Janeiro voltou ao centro do debate na última sexta-feira (26). O 23º Fórum de Meio Ambiente, promovido pelo HotéisRIO e pela ACIR, reuniu no Hilton Barra representantes do poder público, da concessionária Iguá Saneamento e lideranças da sociedade civil para discutir avanços no saneamento, na revitalização dos corpos hídricos e na infraestrutura urbana da Barra da Tijuca, Recreio e Vargens.

Diálogo permanente há mais de duas décadas

A abertura foi conduzida pelo presidente da ACIR e do HotéisRIO, Alfredo Lopes, e pelo presidente da Câmara Municipal do Rio, Carlo Caiado. Lopes ressaltou a trajetória do evento e sua relevância ao longo do tempo.

Há mais de 20 anos, realizamos este fórum de forma ininterrupta, sempre com o objetivo de reunir, em um mesmo espaço, representantes fundamentais do poder público, da sociedade civil e das associações, promovendo diálogo qualificado e construção conjunta de soluções para os desafios ambientais da região.

A mediação ficou a cargo de David Zee, oceanógrafo, engenheiro costeiro e ambiental e professor adjunto da Faculdade de Oceanografia da UERJ. Ele destacou que os recursos hídricos são os principais ativos de interesse da sociedade na região, com a qualidade das lagoas funcionando como a principal métrica ambiental e social da Zona Sudoeste.

Saneamento e investimentos em destaque

No eixo de saneamento e recuperação dos corpos hídricos, a Iguá Saneamento apresentou avanços expressivos. Foram concluídas 21 frentes de esgoto a tempo seco na bacia do Arroio Fundo, que concentra cerca de 40% do esgoto da região. Além disso, a concessionária anunciou investimentos superiores a R$ 90 milhões na modernização de estações de tratamento e sistemas automatizados, e a inauguração da nova ETE Barra, com R$ 170 milhões aplicados e aumento de 50% na capacidade operacional.

A capacidade de tratamento foi ampliada para mais de 3.800 litros por segundo, beneficiando mais de um milhão de cariocas. Foram destacados ainda projetos de dragagem do complexo lagunar, com foco na conexão entre canais da Joatinga até a Lagoa de Jacarepaguá, além do plantio de mais de 80 mil mudas de mangue e ações que já evitaram o lançamento de cerca de 29 mil metros cúbicos de esgoto in natura nos canais.

Ordenamento urbano e enchentes

No segundo eixo, a subprefeitura da Barra da Tijuca, Recreio e Vargens apresentou ações em andamento na região, que conta com sete parques e vem avançando em intervenções em restingas e na ampliação do uso de câmeras do sistema Civitas para prevenção de crimes ambientais. Foi destacada ainda a implantação de um corredor verde de aproximadamente 10 km no Recreio, com plantio de mudas no canteiro central.

A Fundação Rio-Águas reforçou a necessidade de integração com universidades e centros de pesquisa para soluções estruturais, incluindo estudos voltados à erosão da Praia da Macumba. Já a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima, representada pela secretária Lívia Suzart, propôs a ampliação do fórum como um ecossistema de geração de soluções, com participação da academia.

Ministério Público e monitoramento

Para as considerações finais, o promotor de Justiça e coordenador do GAEMA, José Alexandre Maximino, reforçou o papel do Ministério Público no acompanhamento das políticas ambientais. Ele defendeu a construção de uma teia de monitoramento com métricas claras de evolução e destacou que o planejamento urbano e o meio ambiente precisam estar integrados às políticas de habitação de interesse social.

Um destaque do encontro foi a oferta do professor Fabiano Thompson, da UFRJ, de fornecer gratuitamente biofertilizantes produzidos a partir de microalgas para a Secretaria de Meio Ambiente, um insumo voltado à produção de mudas para a revitalização de áreas de restinga e mangue. O evento foi encerrado com espaço aberto para perguntas do público, promovendo diálogo direto entre moradores, empresários e representantes das instituições presentes.

Foto: Divulgação

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