Alex Ferraz

Estudo revela quando o perfeccionismo vira risco mental

Buscar excelência pode ser uma virtude, mas também pode se transformar em um risco silencioso para a saúde mental. Um estudo liderado pelo pós-PhD em Neurociências Dr. Fabiano de Abreu Agrela, em parceria com o psiquiatra Dr. Flávio H. Nascimento, revela como o cérebro influencia o perfeccionismo — e quando esse comportamento deixa de ser saudável.

O que acontece no cérebro

De acordo com a pesquisa, publicada pela Universidade Süleyman Demirel Üniversitesi, áreas como o córtex cingulado anterior (ACC) e o córtex pré-frontal dorsolateral (DLPFC) são fundamentais para o controle do comportamento e o monitoramento de erros. Essas regiões atuam diretamente na forma como as pessoas estabelecem padrões e reagem a falhas.

Quando há alterações nesses circuitos, a busca por excelência pode se transformar em um ciclo de autocrítica intensa. Assim, o que começa como disciplina e organização pode evoluir para rigidez cognitiva e sofrimento emocional.

Essas áreas são responsáveis pelo controle executivo e pelo monitoramento de erros. Alterações nesses circuitos podem transformar a busca por excelência em um ciclo de autocrítica destrutiva.

Neurotransmissores e equilíbrio emocional

O estudo também destaca o papel dos neurotransmissores nesse processo. Baixos níveis de dopamina e excesso de glutamato na amígdala estão associados ao chamado perfeccionismo mal-adaptativo, marcado por ansiedade, medo de falhar e pensamentos inflexíveis.

Nesse cenário, falhas passam a ser interpretadas como ameaças, intensificando a autocrítica e dificultando a capacidade de lidar com erros. Por outro lado, quando há equilíbrio químico no cérebro, o perfeccionismo pode se tornar adaptativo, permitindo que erros sejam vistos como parte do aprendizado.

Influência do ambiente

Além dos fatores biológicos, o ambiente também exerce forte influência. Experiências como críticas na infância, pressão social e expectativas elevadas podem potencializar predisposições ao perfeccionismo disfuncional.

O estudo chama atenção ainda para indivíduos superdotados, que apresentam maior incidência de traços perfeccionistas. Embora muitos desenvolvam um perfil saudável, a exposição a pressões excessivas pode levar ao padrão prejudicial.

O problema surge quando há desequilíbrio entre fatores biológicos e pressões externas.

Entre virtude e risco

A pesquisa reforça que o perfeccionismo não deve ser visto apenas como um traço negativo. Quando bem regulado, ele pode impulsionar desempenho, organização e crescimento pessoal. No entanto, quando associado a desequilíbrios neurobiológicos e pressões externas, pode se tornar um fator de risco para ansiedade e sofrimento emocional.

Dessa forma, o estudo aponta para a importância de compreender o funcionamento do cérebro e o contexto individual para diferenciar o perfeccionismo saudável daquele que compromete o bem-estar.

Foto: Divulgação

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