Alex Ferraz

Georgia Annes lança a segunda tiragem de ‘A voz de Elza Lopes’, livro costurado à mão, que traz aromas, fotos e uma playlist de três gerações.

Livro

Georgia Annes, autora ativa em seu trabalho de divulgação da poesia nacional, lança a segunda tiragem de seu quarto livro, a biografia  ‘A voz de Elza Lopes’,  um livro de memórias escrito como uma conversa íntima entre filha e mãe. “A obra narra a trajetória real de Elza, marcada por abandono, violência e vida nas ruas, mas também por uma força sensível que encontrou na música e na poesia, caminhos de superação. Entre textos, poemas, fotografias e recortes de época, o livro constrói um retrato emocionante de uma mulher cuja história ecoa em tantas outras”,  diz Yara Fers, escritora, mentora e dona da Editora Arpillera.

‘A Voz de Elza Lopes’ é um livro artesanal, uma experiência sensorial.  Além de ser costurado à mão, traz o aroma que Elza usava, fotografias e recortes de época, poesias e uma história de vida que toca em muitas outras Elzas existentes por aí. A obra traz também uma playlist que acompanha a narrativa dessa saga familiar que envolve três gerações.

 “A obra é um inventário em tom de argila queimada que transforma a finitude em permanência; a dor, em melodia. A vida passa pelos cantos — das notas musicais, das ruas ou de uma cozinha com cheiro de pudim de laranja. Elza Lopes existe apesar das quinas, resiste com poesia e bordado. “Até o fim eu vou cantar”: decisão de Elzas”, complementa Cynthia Silva, jornalista, editora e revisora.

 Prefácio 

(…) Em “A voz de Elza Lopes”, a filha ainda segura a mão da mãe para lhe dar lugar no mundo. E pela vida narrada da mãe, de forma às vezes poética, outras, mais cruas, refletindo fatos dolorosos, consegue contar também, de si mesma, o que ficou preso na memória por muito tempo.

A personagem-narradora conversa com essa mãe num passado distante, que se faz presente no universo sensorial, pela música guardada de ouvido, pelo gosto da comida, pelo cheiro de lavanda ou o odor fétido da casa da mãe, pela poesia, legado materno. A escrita tem como base a memória emprestada da mãe, as próprias lembranças, fotografias e objetos, além da imaginação da narradora, como somente uma boa memorialista sabe fazer. Assim preenche as lacunas, inclusive, intercalando a narrativa com falas dirigidas à mãe fictícia, nos aproximando das cenas sensíveis: “Se precisar de pilhas, me fala, trago para não ficar sem ouvir música e notícias.”

O romance autoficcional também nos proporciona um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Aproxima a lente à transformação dos cenários urbanos ao longo de algumas décadas. A paisagem acompanha a vida da avó, da mãe e da filha que resgata essas histórias, em parte repetidas. “Começaram as obras do metrô aqui no Rio de Janeiro e aquela escadaria linda foi demolida.” Desconstruir para construir é o fio condutor da contadora da história.

O abandono grita no universo de Elza. Desde a concepção, é rejeitada pela família, mas salva pela própria mãe, em condições tão precárias quanto nem parece possível imaginar. Sua história de silenciamento ressoa na voz, pelo canto, e na poesia escrita, guardada, exposta e camuflada sob pseudônimo masculino para ser aceita na Rádio Nacional. O futuro conspira ao lado do sofrimento. Os sonhos são cassados no nascedouro, mesmo quando a vida dá um suspiro de conforto material ou emocional. Mas alguém a aguarda no futuro e cumprirá, inversamente, o papel que sua maternidade foi impedida de exercer.

Aos poucos, em paralelo, a filha-narradora, num corajoso ato confessional, revela que também foi vítima de abuso, assim como a mãe e a avó. “E continuei de uma forma para me safar daquela situação, que me deixou com mais medo do que eu já tinha dele.” Ela, porém, não está disposta a repetir o ciclo de sua linhagem materna. “Pensamos nas roupas que estávamos usando, se era adequada, se falamos alguma coisa errada, se era o perfume que usamos ou se era só por nós existirmos.” Através da educação e baseada na família construída pelo afeto, não apenas pelo sangue que lhe corre nas veias, tem acesso a mais recursos para apoiar suas decisões. As escolhas ao longo da vida, além de poupá-la de dores comuns às mulheres de sua geração, proporcionam a realização de sonhos próprios.

Então, reencontramos a menina e os balões encantadores do avô do coração, agora uma adulta feliz e capaz de deixar escrita uma história de amor verdadeiro, afinal, como diz com todas as letras: “eu enxergo beleza até no que é feio.”

E é assim que Georgia Annes devolve doçura a “A voz de Elza Lopes”. Milena Maria Testa Autora de “Todas as faces do lençol”  

Sobre Georgia Annes

Nascida e criada no Rio de Janeiro, escreve desde a adolescência. Formada em Psicologia, tem três livros publicados: “A Menina e seus Balões”, pela editora Ibis Libris (2022), e “Onde Minha Poesia te Abraça”, pela editora Arpillera (2023) e Pés descalços na areia,  pela Editora Litteralux (2025).

Participou de 17 Antologias, inclusive Selo Off Flip 2023/2024. Foi classificada em vários concursos de poesia e obteve o 5º lugar no ArtCult em 2022. Recentemente, participou da Coletânea Palavráguas, pela Arpillera, e levou seu terceiro livro para a Flipelô em agosto de 2025.

Instagram: https://www.instagram.com/georgiaannes.escritora/

 https://www.instagram.com/versos_soltos_por_ai/

Ficha Técnica
Livro: A Voz de Elza Lopes
Autora: Georgia Annes
Editora: Arpillera, 2026 (2ª tiragem)
ISBN 978-65-83133-49-6
Biografia
128 p. 14 x 21 cm

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