Alex Ferraz

Marcas estão esquecendo das pessoas na era da automação?

Na era da automação, Isadora Reis, Head de Marketing & Comunicação Corporativa para América Latina da Korn Ferry, levanta uma provocação que vem ganhando força no mercado: as marcas estão, aos poucos, esquecendo das pessoas? A reflexão parte de uma experiência pessoal nas redes sociais e se expande para um questionamento mais amplo sobre o rumo da comunicação e do marketing.

Em seu texto, Isadora observa que o avanço da inteligência artificial, a busca por produtividade e a pressão por resultados têm acelerado processos e multiplicado conteúdos. No entanto, ela chama atenção para o risco de essa corrida deixar em segundo plano a experiência humana, justamente o que sustenta a relação entre marca e consumidor.

Marketing, métricas e excesso

A executiva destaca que o marketing continua sendo medido por receita e geração de negócios, mas questiona a forma como isso vem sendo construído. Para ela, a questão não está no que as equipes fazem, e sim em como fazem, especialmente quando o foco se limita ao curto prazo.

Isadora também comenta o impacto do excesso de comunicação na rotina dos consumidores. Em sua visão, volumes exagerados de e-mails, mensagens e abordagens podem afastar o público e até destruir vínculos já construídos, reduzindo a chance de recompra e fidelização.

Além disso, ela questiona se as marcas estão de fato agregando valor ou apenas entregando números positivos para o fechamento do quarter. Dessa forma, o texto aponta que a obsessão por performance imediata pode comprometer relações mais duradouras.

Tempo, relevância e experiência

No centro da reflexão está a ideia de que pessoas estão fatigadas. Tanto no B2B quanto no B2C, segundo Isadora, consumidores querem interações que contribuam de maneira concreta para suas vidas, seja no trabalho, no bem-estar ou na rotina.

Enquanto isso, a tecnologia poderia ser usada para devolver tempo e abrir espaço para ideias mais consistentes. Assim, ela defende campanhas e projetos com ciclos de vida mais longos, capazes de construir presença contínua e relevante na vida do consumidor.

Em vez de esgotar, a proposta sugerida é que a marca se torne companhia. Ou seja, algo que o público queira ter por perto ao longo dos anos, porque oferece valor real e não apenas insistência comercial.

Questionar antes de automatizar

No encerramento, Isadora reconhece que a reflexão traz mais perguntas do que respostas. Ainda assim, ela sustenta que questionar é o primeiro passo para repensar o papel das marcas em meio à transformação do marketing e à chegada de novas formas de publicidade voltadas até mesmo para agentes de IA.

A provocação final é direta: em um cenário cada vez mais automatizado, qual impacto humano ainda é possível gerar?

Sobre a Korn Ferry

A Korn Ferry é uma consultoria global voltada à performance das organizações, com atuação em desenvolvimento de pessoas, liderança e alinhamento entre estratégia e execução. A empresa também é consultoria organizacional e de talentos oficial da LA28, contribuindo para o desenho das capacidades de liderança, talentos e cultura dos Jogos.

Foto: Divulgação

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