Alex Ferraz

Ecofábrica na Mangueira inspira modelo sustentável

A ecofábrica do projeto Omìayê, localizada na comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio, recebeu na última quarta-feira (28) a visita do ambientalista Axel Grael, ex-prefeito de Niterói. A agenda reuniu lideranças comunitárias e representantes de iniciativas socioambientais interessados em conhecer soluções sustentáveis aplicadas em territórios periféricos.

Durante a visita, os participantes acompanharam o funcionamento da ecofábrica, que transforma óleo de cozinha usado em sabão ecológico biorremediador e outros produtos de limpeza. Além disso, a tecnologia utiliza microrganismos capazes de auxiliar no tratamento de efluentes, em um modelo desenvolvido com apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Tecnologia social com impacto direto

A iniciativa integra práticas de economia circular, educação ambiental e inclusão produtiva. O projeto é conduzido por mulheres da própria comunidade, que encontram na ecofábrica uma oportunidade de geração de renda e autonomia financeira.

Além disso, a proposta contribui para reduzir impactos ambientais, evitando que resíduos sejam descartados de forma inadequada. Dessa forma, a ação atua diretamente na melhoria da qualidade de vida local.

“Leva saúde, emprego e dignidade para a comunidade ao mesmo tempo em que protege o meio ambiente e dá qualidade de vida.”

Para Axel Grael, a experiência demonstra como soluções desenvolvidas dentro das próprias comunidades podem gerar efeitos positivos em múltiplas frentes, incluindo saneamento e preservação ambiental.

O ambientalista também destacou o potencial de replicação do modelo. “A fábrica da Omìayê na Mangueira é totalmente replicável em outras comunidades”, afirmou, ao mencionar iniciativas que podem viabilizar a expansão do projeto para outros territórios.

Resultados concretos no território

A ecofábrica já apresenta números expressivos. Foram produzidos mais de 103 mil litros de microrganismos biorremediadores, com capacidade estimada de tratar cerca de 320 milhões de litros de esgoto.

Além disso, a coleta de mais de 6.600 litros de óleo de cozinha usado evitou a contaminação de mais de 164 milhões de litros de água. Enquanto isso, o ciclo produtivo resultou em aproximadamente sete toneladas de sabão ecológico e cerca de 1.600 litros de produtos líquidos distribuídos gratuitamente na comunidade.

Integração entre iniciativas

Durante a visita, também participaram Marcos Santana Lacerda, presidente do Instituto Terra Azul e ex-subsecretário do Clima de Niterói, e Adriano Felício, presidente da Associação de Moradores do Morro da Penha – Portugal Pequeno.

Segundo Lacerda, o projeto reúne múltiplos benefícios ao atuar em áreas como saneamento, saúde e educação. Já Felício destacou o impacto social direto, ressaltando a transformação na vida dos moradores envolvidos.

Conexão entre territórios e futuro sustentável

Para Jessica Delgado, coordenadora do Projeto Omìayê, a visita reforça a importância de conectar diferentes territórios e ampliar o alcance da tecnologia social desenvolvida na Mangueira.

“Estamos falando de uma solução que nasce dentro da comunidade, resolve problemas reais e ainda gera renda e conhecimento”, afirmou. Dessa forma, o espaço se consolida como um ponto de intercâmbio entre poder público e iniciativas locais.

Sobre as iniciativas

Axel Grael é engenheiro florestal, ambientalista e ex-prefeito de Niterói entre 2021 e 2024, com trajetória ligada à gestão ambiental e planejamento urbano.

O Instituto Singular Ideias Inovadoras (ISII) atua desde 2009 no desenvolvimento de soluções que conectam ciência, sustentabilidade e justiça social. Já o Projeto Omìayê promove saneamento ecológico e educação ambiental por meio da transformação de resíduos em produtos sustentáveis.

Foto: Divulgação

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