Alex Ferraz

Alunas do Rio levam filme a festival na Alemanha

Duas estudantes de uma escola pública da Zona Norte do Rio de Janeiro vão representar o Brasil em um dos mais importantes encontros internacionais de cinema voltados à juventude. Nathaly Hiara Alves Moraes e Ana Julia Vital de Souza, ambas de 14 anos, participam do evento À Nous Le Cinéma!, que acontece de 8 a 10 de junho, em Frankfurt, na Alemanha.

Alunas do Ginásio Experimental Tecnológico (GET) Brant Horta, na Penha Circular, elas apresentarão o curta-metragem Girando para o Futuro, produzido dentro do Programa Imagens em Movimento (PIM), iniciativa que há 15 anos promove oficinas de cinema em escolas públicas brasileiras.

Representação brasileira em cenário internacional

O encontro será realizado no Deutsches Filminstitut & Filmmuseum e reunirá estudantes, educadores e cineastas de 15 países. Além disso, a programação prevê debates e atividades com a participação ativa dos jovens, que terão espaço para compartilhar suas produções e visões sobre o cinema.

As duas estudantes brasileiras terão, portanto, uma dupla missão: exibir o filme e representar os alunos de escolas públicas do país diante de uma plateia com mais de 500 pessoas, formada por profissionais do audiovisual, professores e estudantes de diferentes partes do mundo.

Enquanto isso, o evento contará ainda com a presença das cineastas francesas Claire Simon e Claire Burger, convidadas como madrinhas desta edição.

História que nasce na Vila da Penha

Produzido na Vila da Penha, o curta Girando para o Futuro acompanha a trajetória de Helena, uma menina que precisa se adaptar a um novo bairro e a uma nova escola. Sem conhecer ninguém, ela enfrenta desafios típicos desse processo de mudança.

Ao conhecer Rafaela, que a convida para uma aula de balé, a personagem encontra na dança um espaço de acolhimento e descoberta. No entanto, enfrenta também a resistência da família, o que adiciona tensão à narrativa. Dessa forma, a arte surge como ferramenta de transformação, ajudando Helena a construir novas relações e a se integrar ao ambiente.

Cinema periférico ganha o mundo

A participação das estudantes no evento simboliza mais do que uma conquista individual. Trata-se, sobretudo, do reconhecimento da potência criativa presente nas escolas públicas e nos territórios periféricos do Rio de Janeiro.

“É uma grande alegria poder levar um cinema feito por estudantes, um cinema feito na Vila da Penha, um cinema periférico que retrata o olhar desses jovens sobre o mundo a partir de uma perspectiva brasileira que mostra um pouco da nossa realidade nesse contexto internacional. As meninas vão representar as escolas públicas do Brasil em um encontro internacional importante, ao lado de cineastas e educadores de diversos países”, destaca Ana Dillon, diretora do Programa Imagens em Movimento.

Formação que transforma trajetórias

Ao longo de 15 anos, o Programa Imagens em Movimento tem se consolidado como uma importante ferramenta de formação para jovens da rede pública. A iniciativa busca estimular o desenvolvimento individual por meio do audiovisual, oferecendo oficinas teóricas e práticas de cinema.

Até agora, o programa já impactou cerca de três mil estudantes de 153 escolas públicas nos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Além disso, resultou na produção de 229 curtas-metragens, ampliando o acesso ao cinema como linguagem e possibilidade de expressão.

Por fim, a presença de Nathaly e Ana Julia no evento internacional reforça como iniciativas educacionais e culturais podem abrir caminhos e conectar histórias locais a espaços globais.

Foto: Divulgação

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