Um dos nomes mais influentes da perfumaria contemporânea,
Olivier Cresp, responsável por fragrâncias icônicas como
Angel, de Mugler, e Light Blue, de Dolce
& Gabbana, revelou suas apostas para o futuro do setor em entrevista
realizada em Paris. A conversa aconteceu na Fragrance de
L’Opéra, boutique especializada em perfumaria de nicho, em diálogo
com a especialista Poliana Palhano.
Ao longo da entrevista, o perfumista abordou tendências globais, o crescimento da perfumaria de nicho e a relação cada vez mais emocional entre as pessoas e os perfumes.
O cheiro que ainda não existe
Mesmo com décadas de experiência e o domínio de cerca de 1.500 matérias-primas, Olivier revelou que ainda há desafios na perfumaria. Um deles é recriar o aroma da areia quente.
“Eu adoraria encontrar uma molécula que reproduzisse o cheiro da areia quente. Sabe quando você está na praia, no verão, e existe aquele cheiro mineral aquecido pelo sol? Ainda não conseguimos recriar isso perfeitamente na perfumaria.”
A fala evidencia como a perfumaria segue em constante busca por novas sensações e experiências olfativas, mesmo em um mercado altamente desenvolvido.
Perfumes que despertam memória
Outro ponto central da entrevista foi a relação entre perfume e memória afetiva. Segundo Cresp, fragrâncias têm o poder de transportar o consumidor para experiências pessoais de forma imediata.
“Quando você sente cheiro de café em um perfume, por exemplo, ele imediatamente te leva para uma memória pessoal. Minhas criações sempre foram muito sensoriais.”
Dessa forma, o perfumista reforça a ideia de que o perfume deixou de ser apenas um item de beleza para se tornar uma experiência emocional e cultural.
Gourmands seguem em alta
Responsável por popularizar os perfumes gourmands com o lançamento de Angel, em 1992, Olivier destaca que essa categoria segue dominante no mercado global.
“Hoje conseguimos criar perfumes inspirados em café, pão quente, madeleines, arroz, coquetéis… ainda existem muitas histórias para contar através do cheiro”, afirmou. Segundo ele, entre sete e oito a cada dez lançamentos internacionais apresentam algum aspecto gourmand.
O que vem pela frente
Além dos gourmands, Cresp aponta o crescimento das fragrâncias fresh & clean como uma das principais tendências para os próximos anos. A proposta está ligada a sensações de conforto, frescor e bem-estar, dialogando com um consumidor cada vez mais atento ao sensorial.
Enquanto isso, a influência da perfumaria árabe e o uso do oud continuam em ascensão no mercado de luxo, ampliando o repertório olfativo global.
Além de sua trajetória consolidada, Olivier também está à frente da marca Akro, criada em parceria com sua filha, Anaïs Cresp, que explora fragrâncias inspiradas em prazeres e experiências sensoriais.
Para Poliana Palhano, a entrevista reforça uma transformação importante na indústria: “O Olivier é um dos grandes responsáveis por transformar o perfume em memória afetiva. Conversar com ele é entender como a perfumaria contemporânea está cada vez mais conectada ao sensorial, ao conforto e às emoções”.
Assim, o futuro da perfumaria aponta para uma combinação entre inovação técnica, liberdade criativa e conexão emocional — elementos que continuam guiando a evolução desse universo.
Foto: Divulgação
