Alex Ferraz

Mercado de suplementos cresce, mas marcas falham no Brasil

O mercado de suplementação alimentar no Brasil vive um momento de forte expansão, movimentando mais de R$15 bilhões por ano. No entanto, por trás do crescimento acelerado, surgem desafios que têm dificultado a consolidação de novas marcas no setor.

Segundo a Pronutrition, indústria especializada no desenvolvimento e fabricação de suplementos, muitas empresas que entram nesse mercado não estão preparadas para lidar com a complexidade da operação. As falhas mais comuns se concentram em três pilares: planejamento estratégico, adequação regulatória e construção de marca.

Entrada sem preparo compromete resultados

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD), o setor já figura entre os mais relevantes da indústria. Além disso, o Brasil conta com mais de 38 mil indústrias de alimentos e bebidas, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos, o que amplia ainda mais a competitividade.

Para Francisco Neves, CEO da Pronutrition, o problema começa ainda na fase de concepção das marcas.

“Algumas marcas entram no mercado atraídas pelo potencial de crescimento, sem compreender a complexidade do setor. Isso leva a formulações desalinhadas com a demanda, falhas regulatórias e dificuldade de construir credibilidade com o consumidor”.

Dessa forma, produtos chegam ao mercado sem diferenciação clara ou sem atender plenamente às exigências do público — o que compromete sua aceitação e permanência.

Regulação exige atenção redobrada

Outro ponto crítico está na adequação às normas regulatórias. No Brasil, os suplementos alimentares são regulamentados pela Anvisa, que define critérios específicos para composição, rotulagem e alegações de saúde.

Nos últimos anos, a agência intensificou a fiscalização sobre fabricantes e operações que não seguem as diretrizes. Assim, empresas que negligenciam essa etapa podem enfrentar atrasos, necessidade de reformulação e impactos operacionais relevantes.

Por outro lado, contar com parceiros produtivos alinhados às exigências regulatórias pode reduzir riscos e garantir uma entrada mais estruturada no mercado.

Marca e comunicação ainda são desafios

Além das questões técnicas, a construção de marca e a comunicação com o consumidor também aparecem como pontos frágeis. Em um mercado cada vez mais competitivo, apenas lançar um produto não é suficiente.

Segundo Francisco Neves, é essencial apresentar de forma clara os benefícios, diferenciais e evidências que sustentam a proposta. Essa transparência fortalece a confiança do consumidor e contribui para a consolidação da marca.

Outro desafio recorrente está na ausência de planejamento de longo prazo. Muitas empresas concentram esforços no lançamento, mas deixam de estruturar a operação para sustentar o crescimento, o que impacta toda a cadeia — da produção à comunicação.

Estrutura como diferencial competitivo

É nesse cenário que a Pronutrition se posiciona como parceira estratégica, atuando desde o desenvolvimento de fórmulas até a adequação regulatória e o posicionamento de mercado. A proposta é reduzir riscos e acelerar a chegada dos produtos ao consumidor final de forma mais estruturada.

Para Neves, o sucesso no setor exige uma abordagem integrada.

“A entrada no mercado de suplementação exige muito além de uma boa ideia. É um processo que envolve ciência, conformidade regulatória e estratégia de marca.”

Assim, em um mercado bilionário e cada vez mais competitivo, a preparação e a consistência se tornam fatores decisivos para transformar projetos em negócios sustentáveis.

Foto: Divulgação

Mercado de suplementos cresce, mas marcas falham no Brasil
Sair da versão mobile