Montagem integra as comemorações dos 25 anos do projeto e apresenta um thriller psicológico sobre a banalização da barbárie. Pela peça, Eduardo Moscovis recebeu o premio de melhor ator no Prêmio Shell, deste ano
Em celebração aos seus 25 anos de trajetória, o Teatro em Movimento recebe o aclamado espetáculo “O Motociclista no Globo da Morte”, monólogo inédito na cidade protagonizado por Eduardo Moscovis, com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella. A montagem, que marca a primeira parceria entre Moscovis e Portella, mergulha em questões profundas sobre a violência humana, propondo uma reflexão sobre os limites entre civilização e brutalidade, vítima e algoz. Com uma encenação minimalista e intensa, o espetáculo acompanha um homem comum que, após vivenciar uma situação extrema em um dia aparentemente banal, vê sua própria humanidade colocada em xeque. As apresentações acontecem nos dias 20 e 21 de junho, sábado em duas sessões, às 19h e às 21h, e domingo, às 19h, no Teatro Feluma, em Belo Horizonte. Ingressos a venda pelo Sympla .
Aclamado pela crítica, “O Motociclista no Globo da Morte” chega à capital mineira chancelado por importantes reconhecimentos do cenário teatral nacional. O espetáculo rendeu a Eduardo Moscovis, o prêmio de melhor atuação por uma das principais premiações do Brasil – o Prêmio Shell. Um marco importante na carreira do ator por ser o seu primeiro em sua trajetória de 37 anos nos palcos. Ao receber a honraria, Eduardo Moscovis transformou seu discurso em um manifesto ético, repudiando publicamente movimentos de ódio, o machismo e a misoginia. O Prêmio Shell consagrou uma interpretação que a crítica define como precisa, inteligente e de “alta voltagem”.
Além da vitória na categoria de atuação, a montagem recebeu outras duas indicações, nas categorias de Dramaturgia (Leonardo Netto) e Iluminação (Ana Luzia Molinari de Simoni). A excelência da peça também foi ratificada pelo Prêmio APTR, onde concorreu nas categorias de Melhor Ator em Papel Protagonista e Dramaturgia, consolidando-se como um dos trabalhos mais importante e premiados da temporada atual. Além disso, por onde passa a peça faz temporada de sucesso, no Rio de Janeiro, São Paulo e recentemente em Curitiba.
Essa edição do Teatro em Movimento tem o patrocínio do Itaú Unibanco, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. Idealizado por Tatyana Rubim, o Teatro em Movimento, nestes 25 anos, se consolidou como uma das principais plataformas de circulação teatral do país, com atuação voltada para a fruição artística e a descentralização das importantes produções cênicas do Brasil. “Celebrar os 25 anos do Teatro em Movimento com um espetáculo dessa potência artística e humana é muito significativo para nós. “O Motociclista no Globo da Morte” traz um tema urgente, contemporâneo e necessário: a banalização da violência como um todo, principalmente e socialmente estabelecida, em relação à mulher. E, não podia ser diferente a cena acontecer no palco de modo talentoso e “cirúrgico” por ser uma peça conduzida por artistas de enorme sensibilidade e talento. A idealização do projeto pelo produtor Sérgio Saboya escancara a barbárie que hoje o mundo vive – onde guerras assassinam crianças. Onde mulheres sofrem mais e mais violências, e os números de feminicídio só crescem no Brasil. Eduardo Moscovis, Leonardo Netto e Rodrigo Portella se unem em uma obra que leva o espectador a uma experiência, intensa e incômoda, sobre o tema – assim como deve ser! A peça provoca, tensiona e traz uma reflexão, sem subterfúgios, sobre a brutalidade humana e muito direcionada às mulheres, infelizmente. Por tudo isso é um espetáculo que mesmo não parecendo, surpreende com intensidade o espectador que se depara com a barbaridade, sem filtro e trazendo questionamentos sobre a banalização da violência” , afirma Tatyana Rubim.
“O Motociclista no Globo da Morte”
A obscura gênese da violência – seja ela inerente à natureza humana e, portanto, incontornável, ou fruto das relações sociais – é a principal premissa do monólogo “O motociclista no globo da morte”, do dramaturgo, diretor e ator Leonardo Netto. O trabalho marca a primeira parceria de Eduardo Moscovis com o diretor Rodrigo Portella, é o quinto espetáculo produzido pelo ator.
Ao contar uma história que, em tese, poderia acontecer com qualquer um, o espetáculo faz uma provocação ao diluir as fronteiras entre vítima e algoz, civilizado e selvagem. “O que mais me cativou no texto foi perceber que o protagonista é um homem que tem uma vida correta, pacífica, com quem eu facilmente me identificaria, mas que, assim como seu antagonista na história – um homem vil em todos os aspectos –, pode se igualar a este ao cometer um ato de extrema violência”, conta Eduardo Moscovis, que encena seu segundo monólogo – o primeiro foi O Livro (2011), de Newton Moreno, com direção de Christiane Jatahy. “Mesmo com a ausência da contracenação, da troca com os outros atores, que, para mim, é um dos grandes desafios em um monólogo, fui arrebatado por esse texto do Leo e tem sido muito prazeroso todo o processo”, celebra.
Depois de assistir inadvertidamente a um vídeo de uma situação real de extrema violência em uma rede social, Leonardo Netto se questionou sobre o que leva alguém a cometer um ato violento, mas também a filmá-lo, postar e, por fim, o que leva alguém a curtir esse tipo de conteúdo. Outras questões foram surgindo, como o porquê do fascínio e da idolatria a assassinos, psicopatas e serial killers ao longo da história. “A espetacularização, a romantização e a banalização da violência, exacerbadas com a multiplicação de câmeras e da internet, talvez nos tornem mais insensíveis a ela”, acredita o autor. A ideia foi sendo processada até decidir que iria escrever a respeito e, de certa forma, exorcizar a sensação ruim que não saiu mais de sua mente após ver o vídeo. “Foi muito perturbador assistir, mas escrever também foi difícil, incômodo. Muitas vezes eu tive que parar”, revela Leonardo, que ao longo do processo da escrita passou a imaginar o amigo Eduardo Moscovis – com quem dividiu o palco em Corte Seco (2010) – como protagonista. “O título surgiu como uma metáfora à iminência do desastre. Assim como no globo da morte, nós vivemos tentando nos desviar da catástrofe o tempo inteiro.”
Nesta que é sua primeira parceria com Rodrigo Portella, o ator Eduardo Moscovis exalta o trabalho do diretor: “A experiência com o Rodrigo tem sido muito boa. Ele é um diretor-criador, um criador de cena, ele pensa o espetáculo, pensa o teatro de uma forma muito genuína e potente, não só na forma de contar a história, do ponto de vista do narrador, mas de contar a história do espetáculo”.
Para construir a dramaturgia e ambientar o espaço cênico onde o protagonista conta, em detalhes, a trágica história que viveu em um dia comum, enquanto almoçava no bar que costumava frequentar, Rodrigo optou por uma cena extremamente minimalista, com pouquíssimos elementos. “Para mim, o espetáculo acontece na cabeça do espectador. Qualquer elemento concreto no palco seria uma distração para o mergulho para dentro da história, que é muito poderosa. O personagem tem um discurso elaborado, que de alguma forma se aproxima da literatura, como se o espectador estivesse lendo um livro, onde as coisas não estão dadas a ele como em uma fotografia ou filme, mas onde ele é convocado a imaginar. Nesse sentido, o que a gente tem é o ator numa relação profunda e íntima com o espectador o tempo inteiro, do início ao fim do espetáculo”, define o diretor. “A ideia principal é enfatizar o aspecto comum desse acontecimento, que poderia acontecer com qualquer um de nós. É um evento extraordinário que acontece num lugar ordinário, executado por um homem ordinário.”
Nesse sentido, tanto a trilha musical de André Muato, como o figurino de Gabriella Marra e a iluminação de Ana Luzia de Simoni, buscam reforçar essa ideia. Rodrigo percebe ainda no texto outras camadas, como uma conexão mais direta com o contexto político-social brasileiro atual, ao fazer uma espécie de raio-x da polaridade ideológica dos dias atuais: “Não há partidarismo, não se nomeia esquerda ou direita, mas claramente os personagens que estão envolvidos diretamente no crime se enquadram na dicotomia político-ideológica em que a sociedade brasileira está mergulhada.”
Eduardo Moscovis
Iniciou no Tablado e na Casa de Artes de Laranjeiras sua formação nas artes cênicas, desenvolvendo longa carreira no teatro, onde destacam-se trabalhos como ator – Eles não usam black-tie (2001), Corte Seco (2010) e Um bonde chamado desejo (2015), entre outras –, e como ator e produtor: Norma (2002), Tartufo (2004), Por uma vida um pouco menos ordinária (2007) e O Livro (2011). Ficou dois anos em cartaz com Duetos, a comédia (2023-2025), ao lado de Patricya Travassos e direção de Ernesto Piccolo, vista até agora por mais de 200 mil pessoas. Na televisão, fez mais de 40 trabalhos, entre novelas e séries, com início em Pedra sobre Pedra (1992). No remake de Pecado Capital (1998), foi o protagonista Carlão. Outras novelas de grande sucesso foram O cravo e a rosa (2000), em que dividiu o papel principal com Adriana Esteves, e Alma Gêmea, recordista de audiência. Pela atuação em Bom dia, Verônica (Netflix), com direção de José Henrique Fonseca, recebeu seis prêmios, entre eles o APCA de Melhor Ator. No cinema, participou de cerca de 30 filmes e recentemente ganhou os prêmios de Melhor Ator no Festival de Brasília – pelo filme Ela e Eu, de Gustavo Rosa – e no Los Angeles Film Festival por Veneza, de Miguel Falabella. Os projetos novos incluem a série Fúria, com direção José Henrique Fonseca, na Netflix, a novela de Aguinaldo Silva, Três Graças, e dois filmes: Cyclone, de Luiza Mariani, com direção de Flávia Castro, e Querido mundo, de Miguel Falabella, que estreou no 53º Festival de Gramado, em agosto de 2025.
Leonardo Netto
Ator, diretor e dramaturgo. Formou-se pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e estudou Teoria do Teatro na UNIRIO. Foi dirigido, entre outros, por Amir Haddad, Aderbal Freire-Filho, Gilberto Gawronski, Ana Kfouri, Jefferson Miranda, João Falcão, Luiz Arthur Nunes, Enrique Diaz, Bel Garcia, Celso Nunes, Christiane Jatahy e Rodrigo Portella. Em TV, integrou o elenco dos seriados A Garota da Moto, Magnífica 70 e Me Chama de Bruna e da minissérie Assédio, da Rede Globo. Dirigiu Para os que Estão em Casa e A Ordem Natural das Coisas, ambos de sua autoria e indicados a vários prêmios. A Ordem… recebeu o Prêmio Cesgranrio 2018 de Melhor Texto, além de indicações aos prêmios Shell e APTR. Em 2019 estreou seu projeto 3 Maneiras de Tocar no Assunto como autor e ator, sendo vencedor dos prêmios Cesgranrio (Melhor Texto Nacional Inédito, Melhor Ator e Categoria Especial) e APTR (Melhor Autor e Melhor Iluminação), acumulando quase 20 indicações em premiações de teatro. Foi indicado ao Prêmio APCA pela direção de A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe, com Sílvia Buarque e Guida Vianna. Estreou recentemente o espetáculo Pequeno Circo de Mediocridades, no qual assina texto e direção.
Rodrigo Portella
Diretor e dramaturgo com 32 anos de carreira, Rodrigo Portella é hoje um dos diretores mais reconhecidos da cena teatral brasileira. Seus principais espetáculos Tom na Fazenda (2017), As Crianças (2018) e Ficções (2022) foram ganhadores dos mais importantes prêmios do teatro brasileiro, como os prêmios Shell, Cesgranrio, Bibi Ferreira, APTR e APCA, nos quais Portella foi premiado como melhor diretor. Tom na Fazenda obteve grande sucesso de público e crítica no Festival de Avignon em 2022, além de uma longa temporada no Theatre Paris-Villete na capital francesa em 2023 (destaque do Jornal Le Monde), rendendo à obra uma turnê em mais de 30 cidades na Europa, além de uma curta temporada no Theatre Usine C em Montreal em 2020, sendo laureado com o Prêmio de Melhor Espetáculo Estrangeiro, pela Associação de Críticos daquele país, na ocasião do Festival TransAmérique 2018. Neste ano, Portella estreou uma adaptação do romance Ensaio Sobre a Cegueira com o Grupo Galpão em Belo Horizonte e o musical Ray – Você Não Me conhece, vencedor do Prêmio APCA 2025 de Melhor Direção. Rodrigo é bacharel e mestre em Artes Cênicas pela UniRio e suas obras seguem ocupando importantes espaços culturais no Brasil e no exterior. Nos últimos anos, suas peças percorreram cidades também na Argentina, Equador, Chile, França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Portugal, Reino Unido e Canadá. Atualmente, Portella vive em Barcelona e é professor do curso superior do Instituto Cal de Arte e Cultura.
Ficha Técnica
Eduardo Moscovis em “O motociclista no globo da morte”/ Texto: Leonardo Netto/ Direção: Rodrigo Portella/ Assistência de direção: Milla Fernandez/ Trilha musical: André Muato/ Iluminação: Ana Luzia de Simoni/ Figurino: Gabriella Marra/ Estudos visuais em IA: Zezinho Mancini/ Produção executiva: João Eizô Y Saboya/ Direção de produção: Sérgio Saboya e Silvio Batistela/ Produção geral: Eduardo Moscovis e Sérgio Saboya/ / Realização em Belo Horizonte: Teatro em Movimento com o patrocínio do Itaú Unibanco / Produção em Belo Horizonte: Rubim Produções/ Assessoria de imprensa em Belo Horizonte: Luz Comunicação – Jozane Faleiro
Serviço:
Teatro Em Movimento – “O Motociclista No Globo Da Morte”, com Eduardo Moscovis
Classificação indicativa: 16 anos Duração: 70 minutos
Datas: 20 e 21 de junho de 2026
Horários: sábado, às 19h e às 21h | domingo, às 19h
Local: Teatro Feluma – Alameda Ezequiel Dias, 275, Centro – Belo Horizonte
Ingressos: Inteira R$ 160,00 / meia-entrada R$ 80,00
Vendas: https://bileto.sympla.com.br/event/120134
Informações:
Instagram: https://www.instagram.com/teatroemmovimento
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Teatro em Movimento
O projeto Teatro em Movimento, coordenado pela Rubim Produções, de Tatyana Rubim, completa 25 anos, em 2026, com o objetivo de descentralizar o acesso às grandes montagens do eixo Rio-São Paulo, promovendo a circulação dos mesmos para Belo Horizonte que tornou-se, ao longo do tempo, praça relevante para a apresentação de importantes repertórios. Além disso, o projeto também atua em outros Estados e outras cidades. Desde então, contabiliza 280 repertórios, que somam mais de 800 apresentações, envolvendo cerca de 860 artistas, em 15 cidades, 30 teatros e público superior a 402 mil pessoas. Desde 2020, fundou o TeatroEmMov Digital, que realizou o primeiro curso de teatro digital do Brasil, sendo uma plataforma web que pesquisa, produz e une narrativas do teatro, da dança, do audiovisual e dos games; ambos idealizados por sua diretora, Tatyana Rubim.
