Consumo de vinho cresce no Brasil e wine bars impulsionam a bebida no calor, com alta em brancos, rosés e espumantes, diz Vino!.
O vinho deixa de ser associado apenas ao inverno e a ocasiões formais. Com o paladar brasileiro em transformação, a bebida ganha espaço no cotidiano. Além disso, o consumo avança mesmo com queda no cenário global.
Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo no Brasil aumentou 11,6% entre 2022 e 2023. No entanto, o consumo mundial caiu 2,6% no mesmo período. Dessa maneira, o país segue na contramão da tendência internacional.
Mudança cultural no consumo
Para Bernardo Baggio, sócio e fundador do Vino!, o movimento indica maturidade do mercado. Ele afirma que o consumidor busca simplicidade e menos formalidade. Assim, o vinho passa a integrar momentos comuns do dia a dia.
“Essa mudança cultural reflete um amadurecimento do mercado e, principalmente, uma nova forma do consumidor se relacionar com a bebida. Se antes o vinho era ‘complicado’, hoje ele busca a simplicidade do cotidiano.”
A percepção de que vinho não combina com calor também muda. De acordo com dados do Vino!, a procura por opções aumenta quando a temperatura sobe. Portanto, a sazonalidade perde força no comportamento de compra.
“O consumo de vinhos brancos, espumantes, rosés e tintos leves chega a triplicar nas unidades da rede durante a estação. O volume total de vendas no período de verão tem apresentado uma alta de 15% ao ano nos últimos três anos. Buscamos mostrar ao público que o vinho é perfeito para todo tipo de ocasião e clima, e essa versatilidade tem sido a chave para quebrar a barreira da sazonalidade.”
Wine bar e consumo em taça
O preço e o compromisso de comprar uma garrafa inteira ainda pesam na decisão. Por isso, o modelo de wine bar com serviço em taça favorece a experimentação. Além disso, o cliente pode testar rótulos sem assumir um custo alto.
“Ao permitirmos no Vino! que o cliente prove diversos rótulos pagando apenas o proporcional, a rede busca democratizar o acesso. Essa facilidade de testar é o que permite ao consumidor descobrir, por exemplo, um tinto leve que harmoniza com um prato da preferência, sem o receio de investir em algo que não lhe agrade.”
Happy hour e cultura de compartilhamento
Baggio aponta outra mudança no comportamento do consumidor. Segundo ele, o vinho deixa de exigir uma refeição completa. Em seguida, passa a aparecer com mais frequência no happy hour.
Nesse cenário, o consumo vem acompanhado de petiscos e tábuas para dividir. O fundador descreve o movimento como a transposição da cultura do boteco para o vinho. Dessa forma, a bebida se conecta a momentos mais leves e coletivos.
“A tendência agora é o consumo acompanhado de petiscos, tábuas de frios e porções para compartilhar. É a transposição da ‘cultura do boteco’ para o universo do vinho. Em vez de uma etiqueta rígida, o que se vê são pessoas buscando descontração, momento no qual a bebida é o fator comum.”
Desafio: competir com a cerveja
Apesar do avanço, o setor ainda tenta tornar o vinho tão presente quanto a cerveja no lazer. Para o Vino!, a mudança depende de reduzir a percepção de inacessibilidade. Além disso, preços justos e experiências reais podem acelerar a adesão.
“Nossa missão hoje é consolidar o vinho não como um evento especial, mas como a escolha natural para bons momentos, boa música e conversas despretensiosas. O Brasil, ao que tudo indica, finalmente descobriu que o melhor vinho é aquele que se bebe com prazer, independentemente da temperatura lá fora.”

