Alex Ferraz

Médicos deixam plantões e buscam empreender na carreira

  Movimento cresce no Brasil: médicos cansados de plantões e convênios investem em consultórios particulares, analisa a estrategista Val Freire.

 

  Um movimento crescente está redesenhando a carreira médica no Brasil, com profissionais deixando plantões para buscar o empreendedorismo. A mudança é associada ao esgotamento com longas jornadas, baixa remuneração em convênios e falta de autonomia. Além disso, médicos têm recorrido a especialistas em marketing e gestão para estruturar consultórios particulares.

 

  Val Freire, estrategista com mais de 20 anos de experiência e especializada em marketing médico, afirma que a formação tradicional não prepara para desafios de negócios. Segundo ela, muitos profissionais saem da residência tecnicamente prontos, mas sem base de gestão. Dessa forma, a transição para o atendimento particular exige planejamento.

   

Esgotamento e falta de autonomia

 

  Para Val Freire, o sistema empurra o médico para um modelo que remunera mal e consome tempo. Ela afirma que isso afeta a qualidade da prática e gera frustração. Portanto, o cenário impulsiona a busca por alternativas mais sustentáveis.

   

“O médico sai da residência como um profissional tecnicamente impecável, mas um gestor completamente leigo. Ele é jogado em um sistema que o remunera mal, consome seu tempo e o impede de praticar a medicina com a qualidade e a atenção que gostaria. O resultado é o esgotamento profissional e a sensação de que todo o esforço não é recompensado”, afirma Val Freire.

   

Transição para consultório particular

 

  Um caso citado envolve um médico que decidiu mudar de vida após ser feito refém por um paciente armado durante um plantão na UPA. Com apoio estratégico, ele iniciou atendimentos em um coworking. Em seguida, em 18 meses, inaugurou consultório próprio em um centro empresarial.

 

  Segundo o relato, a mudança trouxe independência financeira e de tempo. No entanto, a estratégia envolveu estruturação gradual e foco em sustentabilidade do negócio. Dessa maneira, o exemplo ilustra a busca por autonomia e segurança na carreira.

   

Metodologia “2º Ato” e planejamento

 

  Val Freire atua por meio da consultoria PreparaAção e afirma aplicar um planejamento individualizado chamado “2º Ato”. A proposta, segundo ela, contrasta com agências que vendem pacotes genéricos de publicações. Assim, o método traça metas de curto, médio e longo prazo com foco no perfil do profissional.

 

  A estrategista diz que marketing não se resume a ter presença ativa em redes sociais. Ela defende uma mudança de mentalidade para que o médico se veja como empreendedor. Além disso, o processo inclui planejamento financeiro e criação de experiência do paciente compatível com atendimento particular.

   

“Muitos médicos acreditam que marketing é apenas ter um perfil ativo no Instagram. Isso é uma visão superficial que gera frustração. O que proponho é uma mudança de mentalidade: o médico precisa se enxergar como um empreendedor e seu consultório, como uma empresa. Isso envolve desde o planejamento financeiro para a transição até a criação de uma experiência de paciente que justifique o atendimento particular”, explica a estrategista.

   

Diferenciação e comunicação ética

 

  Com aumento da concorrência, Val Freire afirma que a diferenciação ganhou peso. Segundo ela, autoridade não depende apenas de diplomas, mas de posicionamento claro e comunicação estratégica. Além disso, ela ressalta alinhamento às normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).

 

  Para a estrategista, controlar carreira, tempo e finanças impacta também a qualidade do atendimento. Ela defende um ciclo virtuoso, com benefícios para médico e paciente. Por fim, Val Freire afirma que sua atuação busca transformar competência técnica em autoridade sustentável.

   

“Meu trabalho é transformar competência médica em autoridade sustentável. O talento não pode ser desperdiçado por falta de estratégia. Um médico que controla sua carreira, seu tempo e suas finanças não apenas vivem melhor, mas também oferece um serviço de maior qualidade ao seu paciente. É um ciclo virtuoso onde todos ganham”, conclui Val Freire.

   

Sobre Val Freire

 

  Val Freire é estrategista em Marketing Médico e fundadora da PreparaAção. Ela tem formação em Marketing pela Universidade Estácio de Sá e especializações em Comunicação e Planejamento pela FGV. Além disso, possui estudos em Experiência do Paciente pela Patient Centricity Consulting e LGPD na área da saúde pela Medical Defense.

 

  Segundo a apresentação, sua missão é apoiar médicos a saírem de plantões e convênios para atuar exclusivamente em consultórios particulares. Dessa forma, a consultoria foca em planejamento para transição de carreira. Por fim, o trabalho mira autonomia e maior previsibilidade financeira.

Médicos deixam plantões e buscam empreender na carreira
Foto: Divulgação
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