Maracujá vira destaque na cozinha nikkei ao trazer acidez e frescor, como mostram pratos do Nuu Nikkei, em Curitiba, com foco em peixes e frutos do mar.
Cítrico e aromático, o maracujá conquistou espaço na culinária nikkei, que une técnicas japonesas e ingredientes peruanos. Dessa forma, a fruta entrou como elemento de frescor e identidade regional.
Na prática, a cozinha nikkei incorporou frutas locais para equilibrar sabores em pratos com peixes e frutos do mar. Além disso, a acidez ajuda a realçar marinadas e preparos crus.
Origem, variedades e uso culinário
Originário das Américas, o maracujá pertence ao gênero Passiflora, com mais de 500 espécies catalogadas. O Brasil, por outro lado, está entre os maiores produtores globais.
Entre as variedades conhecidas estão o maracujá-azedo, o maracujá-doce e o maracujá-roxo. No entanto, o maracujá-azedo é o mais usado na gastronomia nikkei, por sua acidez vibrante.
No Brasil, a melhor safra ocorre entre o fim da primavera e o verão. Assim, a fruta se encaixa em pratos mais leves, alinhados ao clima quente.
Frescor e equilíbrio no Nuu Nikkei
No Nuu Nikkei, restaurante de alta gastronomia em Curitiba (PR), o maracujá aparece em receitas que priorizam frescor e equilíbrio. Um destaque é o ceviche Três Mares, com salmão, vieiras e camarão.
O prato recebe perfume de maracujá, manga e lascas de kabocha, combinando acidez, dulçor e textura. Dessa maneira, o ingrediente reforça a proposta tropical e contemporânea da casa.
“É uma fruta muito potente. Ele traz acidez, aroma e frescor ao prato, sem mascarar o sabor do peixe. Na cozinha nikkei, usamos o maracujá com cuidado, sempre buscando equilíbrio. Ele harmoniza muito bem com frutos do mar, ajuda a limpar o paladar e deixa o prato mais leve, especialmente para o verão”, explica o chef peruano Carlos Alata.
Criações com maracujá no cardápio
Além do ceviche, o maracujá aparece no Tiradito Passion, com lâminas de salmão e molho de physalis e maracujá. Em seguida, o prato é finalizado com coco crocante, ampliando o contraste de textura.
Já o Romi Passion aposta no contraste entre quente e frio. A receita combina camarão empanado, queijo cremoso e pepino, envoltos por salmão.
Por fim, o prato recebe o molho Nuu Passion, à base de maracujá, que adiciona perfume cítrico e leveza. Segundo o chef, o ingrediente funciona em molhos e finalizações, desde que bem dosado.
“Ele funciona tanto em molhos quanto em finalizações. Quando bem dosado, conecta a fruta ao peixe e aos outros elementos do prato de forma elegante, sem excessos”, ressalta Alata.
“Cítrico, da estação e profundamente ligado ao território latino-americano, o maracujá se consolida como um ingrediente-chave na cozinha nikkei contemporânea — traduzindo frescor, identidade e sofisticação em cada preparo”, completa.
