Livro de Isa Colli retrata desafios da imigração e questiona a ideia de enriquecimento rápido fora do Brasil.
Em meio ao endurecimento das políticas de imigração, o romance Entre Sonhos e Fronteiras, de Isa Colli, aborda uma realidade pouco discutida. A obra questiona o mito de que morar fora do Brasil garante dinheiro fácil. Além disso, conecta o tema ao retorno de discursos restritivos nos Estados Unidos.
A narrativa acompanha Rico, jovem que deixa o interior do país para viver no exterior. Ele busca estudo, trabalho e recomeço. No entanto, a experiência se mostra marcada por exigências diárias e desafios constantes.
Trabalho duro e choque cultural
Ao tentar se manter em outro país, Rico enfrenta trabalho intenso e choque cultural. O idioma vira obstáculo, enquanto a solidão cresce. Dessa forma, o livro retrata uma rotina comum entre imigrantes brasileiros e latinos.
Por outro lado, surge uma expectativa recorrente entre parentes e conhecidos. Muitos acreditam que o dinheiro “cai das árvores” no exterior. Assim, o protagonista passa a lidar com cobranças que ignoram a realidade da adaptação.
A pressão para parecer bem-sucedido
O romance também aborda a chamada síndrome do imigrante bem-sucedido. Ela descreve a pressão familiar para aparentar prosperidade e ajudar financeiramente quem ficou. Enquanto isso, a vivência do personagem envolve desgaste emocional e reajustes contínuos.
Além disso, a obra desmonta a ideia de enriquecimento rápido ao trabalhar fora do Brasil. O texto evidencia um custo humano que inclui saudade e perda de referências. Portanto, a história reforça que a estabilidade não surge de forma automática.
Identidade, pertencimento e debate atual
Entre os temas centrais, aparecem ruptura de identidade e sentimento de não pertencimento. O livro ainda retrata a invisibilidade social vivida por muitos migrantes. Em seguida, esses pontos dialogam com o debate atual sobre imigração e crise migratória.
Disponível em português e inglês, o romance se apresenta como uma leitura sensível e contemporânea. Por fim, a obra convida o público a repensar ilusões sobre viver fora. Em um cenário de fronteiras mais rígidas, migrar surge como resistência diária.
