Liga RJ protocola ofício na Riotur e denuncia entraves da Liesa, cobrando isonomia, legalidade e gestão pública do Sambódromo no Carnaval 2026.
A Liga RJ, que representa as 15 escolas da Série Ouro do Carnaval do Rio, realizou um ato público na tarde de quinta-feira (22), na Cidade Nova. No local, a entidade protocolou um ofício na Riotur e pediu providências urgentes. Além disso, o documento tem assinaturas das agremiações filiadas.
Em frente à sede da autarquia, as escolas afirmaram que confiam e respeitam institucionalmente a Riotur. A Liga destacou a importância do diálogo e da mediação de conflitos. Dessa forma, defendeu que o Carnaval não seja afetado por disputas políticas, interesses privados ou decisões unilaterais.
Ofício aponta entraves e tratamento desigual
No documento, a Liga RJ relata dificuldades enfrentadas pelas escolas da Série Ouro. O texto atribui parte dos problemas a entraves impostos pela Liesa, que administra o Grupo Especial. Assim, a entidade cobra legalidade, isonomia e bom andamento do Carnaval 2026.
Entre os pontos citados, estão impedimentos ao credenciamento de escolas, profissionais e equipes de apoio. A Liga também menciona restrições de acesso ao Sambódromo para dirigentes e sambistas. Por outro lado, o ofício afirma que pessoas sem vínculo institucional receberiam credenciais.
O texto cita denúncias públicas de perseguição, intimidação e retaliações institucionais. Há referência a relatos feitos por dirigentes da Unidos do Porto da Pedra. Além disso, a Liga aponta falta de garantias para ensaios técnicos, que teriam sofrido entraves e restrições.
Exploração comercial e cláusulas contratuais são questionadas
A Liga RJ afirma haver tratamento desigual no uso do Sambódromo durante os dias da Série Ouro. O documento cita exploração comercial de camarotes, publicidade, patrocínios e ativações, sem repasse financeiro às escolas. Dessa maneira, a entidade diz que as agremiações ficam sem receitas ligadas ao espetáculo.
Outro ponto é a alegação de exclusividade comercial abusiva. A Liga menciona imposição de uma única marca de cerveja e prática de “venda casada” em camarotes. Assim, sustenta que haveria impacto na livre concorrência e nas fontes de arrecadação.
O ofício também cita negativa de acesso a camarotes para algumas escolas, mesmo com disposição de arcar com custos. Além disso, questiona cláusulas do contrato entre Riotur e Liesa. A Liga aponta possível violação de princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e isonomia.
A entidade reforça que o Sambódromo da Marquês de Sapucaí é um bem público municipal. Portanto, afirma que o espaço não pode ser administrado como propriedade privada. Ao mesmo tempo, a Liga diz buscar solução institucional, e não confronto.
Liga pede protagonismo e cita medidas futuras
A Liga RJ defende uma atuação firme, imparcial e efetiva da Riotur. O pedido inclui maior protagonismo na gestão do credenciamento e dos ensaios técnicos. Em seguida, a entidade cita a necessidade de regras claras para o uso do Sambódromo nos dias da Série Ouro.
Durante o ato, a direção afirmou que pode recorrer a outras esferas institucionais e jurídicas, caso não haja resposta administrativa. A Liga também não descarta coletivas de imprensa e manifestações públicas pacíficas. Dessa forma, pretende dar transparência ao tema.
“Confiamos na Riotur e acreditamos no diálogo. Nosso desejo é que o Carnaval 2026 seja organizado com justiça, equilíbrio e respeito às escolas da Série Ouro e às suas comunidades. No entanto, se for necessário, buscaremos outros caminhos para garantir nossos direitos e a dignidade do Carnaval”, afirmou Hugo Junior, presidente da Liga RJ.
A entidade declarou estar aberta a uma reunião institucional imediata, mediada pela Riotur, com participação de todas as partes. Assim, pretende resolver divergências de forma transparente, legal e democrática. Por fim, a Liga reforçou a defesa do Carnaval como patrimônio cultural imaterial.
Ensaios e datas dos desfiles
Os ensaios técnicos da Série Ouro ocorrem de sexta-feira (23) a domingo (24), na Sapucaí. Já os desfiles estão marcados para 13 e 14 de fevereiro. Dessa maneira, as agremiações afirmam que o calendário exige decisões rápidas.

