Alex Ferraz

Globo de Ouro eleva cinema brasileiro, diz cineasta em LA

Fernanda Schein afirma que vitórias de “O Agente Secreto” e Wagner Moura no Globo de Ouro ampliam o prestígio do cinema brasileiro no exterior.

A vitória de Wagner Moura como Melhor Ator em Filme de Drama e de “O Agente Secreto” como Melhor Filme em Língua Não Inglesa no Globo de Ouro recolocou o Brasil no centro da temporada. O filme não era apontado como favorito. Ainda assim, terminou a noite como destaque e entrou no radar do Oscar.

Para a cineasta Fernanda Schein, que acompanha o mercado audiovisual em Los Angeles, o resultado reflete um trabalho de longo prazo. Segundo ela, a trajetória do longa foi construída ao longo da temporada. Dessa forma, a campanha ganhou força até chegar ao prêmio com chances reais.

Trajetória do filme até o prêmio

“O Agente Secreto vai sendo trabalhado de uma maneira muito bonita e muito efetiva. É um filme que passa pelo Festival de Cannes, ganha uma grande visibilidade e vai sendo construído ao longo da temporada até chegar ao Globo de Ouro com chance real de vitória para o Wagner.”

Fernanda avalia que a repercussão reforça a visibilidade do país na indústria internacional. Além disso, ela aponta que premiações mudam a forma como profissionais e público observam o cinema brasileiro fora do Brasil. Por outro lado, o avanço exige continuidade e estrutura.

Mudança no olhar internacional

“Nesses anos que eu estou aqui em Los Angeles, é muito interessante ver como foi mudando a abordagem das pessoas em relação ao cinema brasileiro. Antes, a gente só escutava as pessoas falando de Cidade de Deus e Central do Brasil. Agora existe um interesse maior, uma curiosidade maior. Mudou a percepção sobre o cinema brasileiro.”

Na avaliação da cineasta, o novo momento também depende de medidas internas. Ela cita a necessidade de regulamentação de streaming e de lei de incentivo fiscal. Assim, o país poderia ampliar condições para competir em igualdade no mercado internacional.

Oscar no radar e efeito em cadeia

Com o Globo de Ouro, a conversa avança para a próxima etapa da temporada. Fernanda afirma que o período de votação do Oscar já começa a ganhar peso. Portanto, o prêmio eleva o patamar de atenção ao filme.

“Quando você ganha um Globo de Ouro, as pessoas passam a olhar de outra forma.”

Segundo a cineasta, o reconhecimento amplia a circulação do longa entre votantes. Além disso, aumenta o volume de conversas sobre o título. Dessa maneira, o filme passa a ser mais visto, comentado e discutido no circuito.

“Isso faz com que o filme seja visto, comentado, discutido. É um momento em que todo mundo começa a prestar atenção.”

Fernanda também destaca um efeito para além de um único projeto. Para ela, quando um filme brasileiro chega a esse lugar, ele puxa outros. Por fim, o movimento abre espaço para curiosidade e para o cinema brasileiro ser levado mais a sério.

Quem é Fernanda Schein

Do interior do Rio Grande do Sul, Fernanda Schein se estabeleceu em Los Angeles. Ela é cineasta e editora, com mestrado na New York Film Academy. Além disso, atuou em projetos como “Neymar: O Caos Perfeito” (Netflix) e “Forbidden Wish” (Prime Video).

Fernanda também trabalhou em “Poisoned” (Netflix), descrito no material como ganhador do Emmy. Em seguida, participou do documentário “O Caso dos Irmãos Menéndez”, lançado em outubro na Netflix. A trajetória inclui ainda produções independentes como “The Boy in The Mirror”.

Ela foi editora principal em projetos dirigidos por Rob Styles, como “A Social(Media) Construct” e “Sleeping Awake”. Também atuou em “I See You” e “Envenenados: O Perigo na Nossa Comida”, para a Netflix. Por outro lado, soma créditos em longas e curtas como “Farewelling” e “Last Minute”.

Globo de Ouro eleva cinema brasileiro, diz cineasta em LA
Foto: Divulgação
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