Especialistas reforçam que prevenção e diagnóstico do câncer de pele devem seguir durante todo o verão, muito além do Dezembro Laranja.
Risco aumenta com sol de verão
O verão avança por janeiro e fevereiro, mas o risco de câncer de pele permanece elevado. Especialistas do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) alertam que a prevenção precisa acompanhar toda a estação, sobretudo em períodos de maior exposição ao sol.
O uso diário de protetor solar, a reaplicação ao longo do dia e o emprego de barreiras físicas, como chapéus e roupas com proteção ultravioleta, seguem essenciais. Além disso, os médicos recomendam evitar o sol entre 10h e 16h, quando a incidência de raios ultravioleta é mais intensa.
O cenário preocupa especialmente em momentos de lazer ao ar livre, como praias, piscinas e esportes sob o sol. Dessa forma, a orientação é manter o cuidado contínuo, mesmo após o fim das campanhas de conscientização do Dezembro Laranja.
Câncer de pele é o mais frequente
O câncer de pele continua sendo o tipo de tumor mais frequente no mundo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam mais de três milhões de casos anuais de câncer de pele não melanoma e cerca de 130 mil casos de melanoma.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia indicam que a doença corresponde a aproximadamente 30% dos diagnósticos oncológicos. São mais de 220 mil novos casos por ano, com agravamento em regiões de alta insolação, como a Bahia.
Nesses locais, a exposição solar é prolongada e cumulativa durante todo o verão, o que eleva o risco de danos à pele. Assim, a combinação entre clima, hábitos ao ar livre e proteção insuficiente cria um ambiente propício para o surgimento de lesões.
Cuidados não terminam em dezembro
Segundo a dermatologista do HMDS, Marilu Tiúba, o comportamento de risco costuma aumentar justamente após o encerramento das campanhas. Ela observa que muitas pessoas acreditam que o cuidado termina com o Dezembro Laranja.
“Existe a falsa sensação de que o cuidado termina com o Dezembro Laranja. Mas, na prática, janeiro e fevereiro concentram longos períodos de exposição solar contínua, muitas vezes sem proteção adequada. Isso eleva o risco de lesões que podem evoluir silenciosamente”, alerta.
Para a especialista, a atenção deve ser redobrada durante todo o verão. Além disso, o acompanhamento com dermatologista é indicado diante de qualquer alteração suspeita na pele, mesmo que pequena ou indolor.
Exposição acumulada e sinais de alerta
Na Bahia, o clima favorece atividades ao ar livre em quase todo o ano, o que torna o impacto da radiação solar cumulativo. Lesões discretas, como manchas, feridas que não cicatrizam ou pintas que mudam de aspecto, costumam ser negligenciadas, principalmente no verão.
“Quanto mais cedo a alteração é identificada, maiores são as chances de tratamento simples e cura. O atraso no diagnóstico pode transformar um procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa”, explica Marilu.
A dermatologista reforça que pessoas de pele negra também podem desenvolver câncer de pele, apesar da proteção natural da melanina. No entanto, nesses pacientes, a doença tende a ser diagnosticada mais tardiamente, o que piora o prognóstico.
Cirurgia é pilar do tratamento
Quando a prevenção falha, o tratamento cirúrgico segue como principal estratégia terapêutica. O coordenador do Núcleo de Oncologia do HMDS, Cleydson Santos, destaca que tumores comuns, como os carcinomas basocelular e espinocelular, respondem muito bem quando tratados precocemente.
“A cirurgia continua sendo o tratamento de escolha na maioria dos casos. Quando conseguimos retirar completamente a lesão, com margens adequadas, o prognóstico costuma ser muito favorável”, afirma o oncologista.
Já tumores mais agressivos, como o melanoma e o carcinoma de células de Merkel, exigem atenção redobrada. Nesses casos, a cirurgia costuma ser a primeira etapa de um tratamento mais amplo, que pode incluir outras terapias complementares.
Tecnologia aumenta segurança e preservação
Os avanços técnicos têm ampliado as opções de cirurgia oncológica na pele. O cirurgião oncológico do HMDS, André Bouzas, ressalta que técnicas mais precisas permitem remover o tumor preservando o máximo de tecido saudável, em especial em áreas sensíveis.
“A cirurgia micrográfica e o exame de congelação durante o procedimento aumentam a segurança oncológica”, explica Bouzas. Dessa maneira, o cirurgião consegue avaliar as margens em tempo real e reduzir a necessidade de reintervenções.
Em casos selecionados, como tumores com disseminação linfática, a cirurgia robótica também surge como aliada importante. A tecnologia proporciona menor trauma cirúrgico e recuperação mais rápida, além de maior precisão em áreas profundas.
Planejamento e seguimento contínuo
Para a coordenadora do Núcleo de Oncologia do Hospital Mater Dei Emec (HMDE), Cíntia Andrade Costa, o sucesso do tratamento começa antes da sala cirúrgica e se estende por todo o acompanhamento. O planejamento adequado define a melhor conduta para cada caso.
“O planejamento envolve avaliação clínica detalhada, exames de imagem e definição da técnica mais adequada para cada paciente”, destaca Cíntia. Além disso, a integração entre equipes médicas contribui para terapias mais personalizadas.
No pós-operatório, o acompanhamento regular é fundamental para reduzir o risco de recidivas. Também ajuda a identificar novas lesões de forma precoce, o que aumenta as chances de tratamento bem-sucedido e de preservação funcional e estética.




