Espetáculo inclusivo sobre Helen Keller volta ao Rio em cartaz de 13 de janeiro a 25 de fevereiro no Teatro Poeira.
História de Helen Keller em cena
Depois de uma curta temporada em 2022, o espetáculo “Depois do Silêncio”, da companhia brasiliense Os Buriti, retorna ao Rio de Janeiro. A peça fica em cartaz de 13 de janeiro a 25 de fevereiro, com sessões às terças e quartas, às 20h, no Teatro Poeira. A direção artística é de Eliana Carneiro.
Baseada em fatos reais, a montagem narra a trajetória da americana Helen Keller (1880-1968). A menina perde a visão e a audição na primeira infância e vive isolada até a chegada da professora Anne Sullivan. A partir desse encontro, Anne inicia o ensino da língua de sinais tátil, abrindo caminhos para a comunicação.
Em cena, Camila Guerra interpreta Anne Sullivan e Naira Carneiro vive Helen Keller. A atriz Renata Rezende, surda, traz um contexto autobiográfico que cria um paralelo entre os anos 1890 e a atualidade. Dessa forma, o espetáculo aproxima a história de Helen das discussões contemporâneas sobre acessibilidade.
Teatro, dança e acessibilidade
Combinando teatro e dança, “Depois do Silêncio” é encenado em português e em libras pelas próprias atrizes. A proposta torna a montagem inclusiva para o público surdo. A encenação reforça a presença da língua de sinais como linguagem artística e ferramenta de comunicação.
“A peça não só pretende contribuir para a reflexão de jovens e adultos sobre a temática da acessibilidade e visibilidade das pessoas com deficiência, mas também ser um exemplo de inclusão a partir do encontro de atrizes ouvintes e surdas em cena”, conta Naira Carneiro. Assim, o trabalho amplia o debate sobre representatividade nos palcos.
Com sede em Brasília, a Cia Os Buriti completou 30 anos de trajetória em 2025. Em janeiro de 2026, o grupo também apresenta a mostra “Os Buriti 30 anos” no Centro Cultural Banco do Brasil – Brasília. A companhia celebra a data reafirmando sua pesquisa em teatro e dança.
Circulação nacional e internacional
“Depois do Silêncio” estreou em formato online em 2021, no YouTube. O espetáculo integrou festivais virtuais como o Festival de Mujeres em Escena por la Paz (Colômbia), o Festival Funarte Acessibilidança e o Mulher em Cena 2021 (DF). Em seguida, passou ao formato presencial.
No mesmo ano, a peça estreou ao vivo na MID – Mostra Internacional de Dança, no CCBB Brasília, e participou do festival Campão Cultural (MS). Em 2022, esteve no festival Teatrália (Espanha), no Festival do Teatro Brasileiro (Bahia) e no Festival Brasileiro de Teatro Toni Cunha (SC).
Também em 2022, integrou a programação do SESC RJ PULSAR, com curta temporada no Sesc Copacabana (RJ), e participou da Mostra Modos de Acessar, no Sesc Paulista (SP). Em 2023, “Depois do Silêncio” fez temporada na reinauguração do Teatro SESI Sorocaba (SP), ampliando sua circulação.
Novas temporadas e circulação pela América do Sul
Em 2024, o espetáculo realizou temporadas pelo SESI SP, em São José dos Campos e São José do Rio Preto. A montagem também circulou pelo SESC PULSAR em quatro cidades do Rio de Janeiro: Nova Iguaçu, Barra Mansa, São João de Meriti e Teresópolis. A agenda reforçou o alcance nacional da obra.
No mesmo ano, “Depois do Silêncio” participou do “Crear em Libertad – Encuentro Internacional de Danza y Artes Contemporáneas de Asunción”, no Paraguai. Em 2025, seguiu em cartaz no SESC Goiânia (GO), Caixa Cultural Brasília e SESC Gama (DF). Além disso, retornou ao Paraguai com apresentações no Teatro Municipal de Assunção.
Quem foi Helen Keller
Escritora e ativista social norte-americana, Helen Keller (1880-1968) foi a primeira pessoa surdocega a ingressar em uma instituição de ensino superior. Formou-se em filosofia e atuou em defesa dos direitos sociais, das mulheres e das pessoas com deficiência. Sua trajetória se tornou símbolo de resistência.
Aos 18 meses, Helen contraiu uma doença que a deixou sem visão e audição. Sem conseguir se comunicar, passou a ser vista como uma criança mal-educada e rebelde, com crises de fúria e mau humor. A realidade muda com a chegada da professora Anne Sullivan, antes dos sete anos.
Contratada pela família, Anne iniciou um intenso processo de ensino, soletrando palavras na mão de Helen. A primeira palavra compreendida foi “água” e, no mesmo dia, a menina aprendeu cerca de 30 palavras. Depois, passou a dominar o alfabeto braille, o alfabeto manual e a falar, ampliando seu acesso ao mundo.
Anne e Helen permaneceram juntas por 49 anos, realizando palestras e viagens. As duas difundiram a importância da língua de sinais, da inclusão e da emancipação das pessoas com deficiência. A parceria influenciou políticas e debates sobre acessibilidade em diferentes países.
30 anos da Cia Os Buriti
Fundada em 1995 por Eliana Carneiro, a Cia Os Buriti – Teatro de Dança reúne diferentes linguagens artísticas em seus espetáculos. O grupo é formado por Naira Carneiro, Guian Larrea, Camila Guerra, Renata Rezende e pelos músicos Jorge Brasil, André Togni, Daniel Pitanga, Marília Carvalho, Diogo Vanelli e Carlos Frazão.
Com sede em Brasília, a companhia já se apresentou em diversas cidades brasileiras e no exterior. Entre os países visitados estão Portugal, Espanha, Alemanha, Itália, França, Áustria, Grécia, Índia, México, Paraguai e Romênia. O grupo participa de festivais e encontros de teatro, dança e música.
Ao longo de 30 anos, a Cia Os Buriti montou 16 espetáculos autorais. Entre eles, “À Beira do Sol” (2022), “Depois do Silêncio” (2021), “Lampião no Céu” (2017), “KALO – Filhos do Vento” (2016) e “Aurora” (2016). A lista inclui ainda títulos como “Os Buriti Contam Histórias”, “Varal de Histórias” e “Inana A Grande Mãe**”.




