Obra “Semente da Terra”, de 300 m², homenageia Milton Nascimento na Lapa, com criação de Gugie Cavalcanti e artistas da periferia.
Rosto de Milton Nascimento ganha a Lapa
Quem passeia pela Lapa, reduto boêmio e cultural do Rio de Janeiro, agora encontra o rosto de Milton Nascimento na paisagem urbana. Um novo mural em homenagem ao ícone da música brasileira foi inaugurado e já conquista moradores e turistas.
A obra ocupa uma empena com vista privilegiada para os Arcos da Lapa, um dos pontos turísticos mais conhecidos do país. Dessa forma, conecta arte urbana, memória afetiva e o cotidiano do bairro.
Intitulada “Semente da Terra”, a pintura tem cerca de 300 m² e celebra uma das vozes mais potentes da história da música brasileira. O mural reforça a presença da cultura negra no coração da cidade.
Assinatura de Gugie Cavalcanti e artistas da periferia
A obra foi criada e executada por Gugie Cavalcanti, artista visual, grafiteira e arte-educadora. Reconhecida por murais de grande escala, ela tem trajetória marcada pela centralidade das narrativas negras nas artes visuais.
Com mais de 15 empenas espalhadas pelas cinco regiões do Brasil, Gugie consolida linguagem própria no muralismo contemporâneo. Sua pesquisa coloca o povo negro como sujeito pleno, não apenas sobrevivente, mas vivente.
A pintura contou com a assistência de Tebla, Aira oCrespo, Doog e Ricardo Coé, artistas da Zona Norte do Rio e da Baixada Fluminense. Essa é a primeira vez que participam da construção de uma empena, ampliando sua presença na cena de arte urbana.
Negritude no centro da paisagem urbana
Para Gugie, o projeto simboliza a força de Milton Nascimento e da negritude na cultura brasileira. Ela destaca o peso de levar a imagem do artista para um espaço tão emblemático como a Lapa.
“Para mim é uma honra formar essa equipe para criar uma arte gigante com o rosto do Milton Nascimento e levá-la para as ruas da Lapa, um espaço tão efervescente para a cultura brasileira. Milton é uma das maiores vozes musicais do mundo e seu legado tem uma força que atravessa gerações. Com essa obra, também convidamos o público a desacelerar, observar e, sobretudo, se ver refletido na paisagem da cidade. É uma reafirmação de que a negritude está no centro da construção cultural brasileira e merece ocupar também o centro das narrativas urbanas”, afirma Gugie.
A intervenção integra iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial (SEDHIR). A equipe de execução é formada majoritariamente por profissionais negros, da produção à assistência, da técnica de altura à autoria.
Trajetória de Gugie Cavalcanti
Nascida em Brasília e moradora do Rio de Janeiro, Gugie Cavalcanti é artista visual, grafiteira, arte-educadora e mãe. É formada em Artes Visuais pela UDESC e atua entre pintura, muralismo e práticas relacionais.
Em seus trabalhos, a artista homenageia personagens reais com quem estabelece vínculos afetivos, como a deputada Antonieta de Barros e a intelectual Lélia Gonzalez. Suas obras colocam figuras negras em posição de centralidade simbólica.
Entre as exposições recentes, destacam-se a coletiva Carolinas (2025), em homenagem a Carolina Maria de Jesus, na Caixa Cultural SP, e a mostra Dos Brasis – Arte e Pensamento Negro, no Sesc. No campo individual, realizou as exposições Mudanças (2022) e Gestos (2020), esta última premiada pelo projeto Pretas Potências.
Ficha técnica da obra “Semente da Terra”
Artista: Gugie Cavalcanti
Artistas assistentes: Tebla, Aira oCrespo, Doog
Técnico de altura: Jw Acessos
Realização: Secretaria de Direitos Humanos e Igualdade Racial (SEDHIR)
Apoio cultural: ACM Rio
Registro fotográfico: Click By Cria
