Alex Ferraz

Glória Pires e Isabel Fillardis exaltam amizade feminina no ‘Na Palma da Mari’

  Glória Pires e Isabel Fillardis falam sobre amizade feminina, bastidores do audiovisual, assédio moral e autoconhecimento no Na Palma da Mari.

   

Conversa sobre apoio e redes entre mulheres

 

  O episódio desta quinta-feira (11) do Na Palma da Mari, exibido às 20h no canal CNN Pop no YouTube, reúne Glória Pires e Isabel Fillardis em uma conversa franca com Mari Palma. As atrizes falam sobre amizade feminina, relações de trabalho no audiovisual e experiências de assédio moral. Além disso, compartilham processos de autoconhecimento que marcaram suas trajetórias.

 

  Ao longo do bate-papo, as convidadas revisitam episódios pessoais e profissionais. Dessa forma, costuram vivências que atravessam gerações de mulheres no entretenimento brasileiro. A conversa destaca a importância das redes de apoio e da escuta sensível entre mulheres.

   

A força da amizade feminina

 

  Glória Pires abre o programa ressaltando o que vê como um ponto de desconexão entre as mulheres. Para ela, muitas estão afastadas de algo fundamental: a amizade feminina e a rede de apoio. Segundo a atriz, as mulheres, especialmente as mais jovens, precisam urgentemente desse suporte mútuo.

 

  Ela explica que essa percepção também nasce da maternidade. Mãe de três filhas e um filho, Glória afirma que leva para os filhos a importância de se apoiarem. Além disso, reforça a necessidade de distinguir o que é a “historinha” contada sobre as mulheres e o que é a realidade concreta. Para a atriz, essa consciência é parte essencial do empoderamento.

 

  Isabel Fillardis retoma o tema sob uma perspectiva histórica e simbólica. Ela afirma que a mulher sempre teve poder, seja na capacidade de gestar, na intuição ou na estratégia. Na visão da atriz, o abafamento da essência feminina ao longo da história está ligado ao medo desse poder.

 

  Isabel lembra como a figura da “bruxa” surgiu associada ao chamado sexto sentido feminino. Essa percepção aguçada, capaz de entender o que está por trás das palavras, muitas vezes foi vista como ameaça. Segundo ela, o homem nem sempre tem essa mesma sintonia, o que ajuda a explicar parte das tensões históricas em torno da intuição feminina.

   

Presença feminina e poder no audiovisual

 

  Ao falar sobre o mercado audiovisual, Glória lembra que, no início de sua carreira, era raro ver mulheres em funções técnicas. Profissionais femininas eram mais comuns em figurino, caracterização e direção de arte. No entanto, quase não se via operadoras de câmera, fotógrafas, diretoras de fotografia ou operadoras de som.

 

  Com o tempo, a atriz passou a atuar ativamente para mudar esse cenário. Em seu filme “Sexa”, por exemplo, ela ajudou a formar uma equipe majoritariamente feminina. Hoje, segundo Glória, cerca de 90% da equipe do projeto é composta por mulheres, o que reforça a transformação nos bastidores.

 

  Glória destaca ainda o método coletivo de construção do filme. O roteiro foi lido por todas as mulheres da equipe, sempre com as mesmas perguntas em mente. Elas avaliavam se havia algo destoante, incômodo, forçado ou fora de consenso. Para a atriz, essa escuta ampla é essencial.

 

  Ela ressalta também a importância de permitir o acesso de pessoas que fogem do padrão estabelecido. Dessa maneira, a produção se torna mais diversa e representativa. A presença feminina em decisões de poder, afirma, transforma não apenas o ambiente de trabalho, mas também as narrativas que chegam ao público.

   

Assédio moral e decisões tomadas sem mulheres

 

  Isabel Fillardis compartilha episódios difíceis vividos ainda muito jovem no audiovisual. Ela relata momentos desconfortáveis, mesmo estando acompanhada pela mãe, que se tornou empresária e depois assessora. Apesar desse suporte, a atriz afirma ter enfrentado situações que define como “escrotas e desconfortáveis”.

 

  Um dos casos mais marcantes, segundo Isabel, ocorreu quando ela se preparava para interpretar uma protagonista. Hoje, a atriz avalia que a personagem foi tirada dela. As justificativas apresentadas na época, relacionadas à sua conduta, eram irreais e não correspondiam à verdade.

 

  Isabel relata que, na reunião em que recebeu o “não”, apenas homens estavam presentes. Para ela, esse contexto evidencia assimetrias de poder que marcaram sua trajetória. A atriz avalia que, com as atuais práticas de compliance, decisões dessa natureza não deveriam ocorrer da mesma forma.

   

Autoconhecimento, terapia e viradas de chave

 

  Glória também aborda seu processo de autoconhecimento, marcado pela influência da família e pelo início precoce na carreira. Filha de artista, ela cresceu em um ambiente em que a inconstância profissional fazia parte da rotina. Seus pais, no entanto, cultivavam uma postura pé no chão, com forte senso de compromisso.

 

  A atriz conta que era tímida, tinha questões com a própria aparência e, ao mesmo tempo, trabalhava na televisão desde cedo. Mesmo assim, os convites de trabalho surgiam com frequência, o que a levava a aceitar quase tudo. O desejo de garantir a sobrevivência no mercado vinha acompanhado de inseguranças e de uma sensação constante de inadequação.

 

  Glória destaca ainda o impacto da pandemia em sua trajetória pessoal. Ela menciona a perda dos pais, a chegada dos filhos e o retorno da convivência intensa com a família durante o confinamento. Esse período extremo, marcado por medo e incerteza, se tornou um grande momento de virada de chave.

 

  Foi nesse contexto que a atriz buscou a terapia, que, segundo ela, começou a destampar questões que nem imaginava. O processo terapêutico ajudou a ressignificar experiências e a encarar antigos conflitos internos. Para Glória, o autoconhecimento se tornou ferramenta central na forma como conduz a vida e a carreira.

   

Amizade sem convenções e conexões verdadeiras

 

  No fim da conversa, Isabel reforça o vínculo entre as duas atrizes. Ela lembra que nunca trabalharam juntas em projetos audiovisuais. Mesmo assim, construíram uma amizade sólida, livre de convenções profissionais e baseada em afinidade verdadeira.

 

  Isabel descreve essa relação como um “match total”, marcado por apoio mútuo em momentos de adversidade e renascimento. Segundo a atriz, Glória sempre foi alguém com quem podia compartilhar suas experiências. Em contrapartida, também se tornou confidente de Glória em diferentes fases da vida.

 

  Essa troca, destacam as atrizes, exemplifica a potência das redes de amizade entre mulheres. Ao dividir fragilidades, conquistas e desafios, elas reforçam a ideia de que ninguém precisa enfrentar sozinha os obstáculos do caminho. Dessa maneira, o episódio do Na Palma da Mari se torna um convite ao fortalecimento coletivo.

   

Serviço – Na Palma da Mari

 

  Na Palma da Mari

 

  Toda quinta-feira, às 20h (horário de Brasília), no canal CNN Pop no YouTube.

 

  No videocast da CNN Brasil, a jornalista Mari Palma recebe artistas, influenciadores e nomes do entretenimento para conversas leves e autênticas. De carreira a paixões pessoais, passando por bastidores e curiosidades, cada episódio oferece um espaço confortável para histórias e risadas.

   

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Glória Pires e Isabel Fillardis exaltam amizade feminina no ‘Na Palma da Mari’
Foto: Divulgação
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